capítulo 6

1209 Words
joseph Pode ser louco imaginar que eu não tirava da mente a mulher desconhecida com quem conversei naquela sala escura. De forma alguma queria estar naquele lugar, porém sabia que se não fosse, Christophe não me deixaria em paz. A ideia era passar, no mínimo, meia hora lá. Depois eu o diria que fui e odiei. No entanto, quando eu estava prestes a ir embora, a voz daquela mulher chamou a minha atenção. Não foi nada romântico, entretanto expressou o meu sentimento naquele instante. Admito que fui rude e grosseiro com as mulheres com quem tive uma breve conversa antes, mas que Samantha despertou em mim uma simpatia fora do comum. Eu sabia por que meu irmão havia me colocado naquela situação. Desde o momento em que vi meu melhor amigo e minha noiva, que pensei que me amavam, juntos, adotei uma atitude mais rígida e menos emocional. Fazia isso por pensar que era a melhor forma de me manter distante das pessoas e do que elas poderiam causar em mim. Minha mãe não aprovava as minhas atitudes, e o meu pai sempre me dizia que o trabalho era um cano de escape caso eu precisasse um dia. E precisei. Os negócios da empresa nunca estiveram com estimativas tão elevadas, no entanto, quando o dia acabava e o silêncio tomava conta da minha sala e da empresa, o vazio me perturbava. Como a sala escura e feia na qual me colocaram só aumentava mais o meu desconforto, foi fácil que o meu lado mais rude aparecesse. Nunca imaginei que me sentiria tão confortável em conversar com uma estranha. Eu não a conhecia, não sabia como foi parar naquele lugar e nem por que tinha ido lá. Essa experiência botou à prova tudo que passei a afirmar desde aquela traição. Afinal, como confiar em alguém ou ficar confortável ao dizer fatos pessoais para quem eu não fizesse ideia de quem fosse? O destino colocou, do outro lado da sala, alguém que conhecia exatamente a dor que se passava em mim, embora não tivéssemos histórias parecidas. Enquanto os meus medos se detinham a relacionamentos românticos, os dela vinham de uma vida inteira de solidão. Ela não disse muito, só que o pouco que deixou escapar, mostrou-me uma mulher com uma ferida tão grande quanto a minha. Aos poucos fui perdendo a minha resistência e descobrindo um grande interesse pela vida dela. Foi a primeira vez em anos. Uma hora mais tarde percebi que tinha me deixado levar pelo momento, e depois não consegui tirá-la da minha cabeça mais. O pior de tudo era que eu não sabia quem ela era, e desejava, fortemente, voltar àquela sala — o que tinha prometido não fazer de novo — só para ter a oportunidade de encontrá-la mais uma vez. — Para onde vamos? — perguntou Taylor, olhando-me pelo espelho do carro. Estávamos parados no estacionamento da empresa. Dentro de mim, encontrei um conflito e dúvida sobre o que faria. A minha parte racional queria dizer para irmos para casa, visto que o dia tinha sido cheio e eu estava cansado, mas a outra parte, uma com bastante força e poder, desejava dizer para voltarmos àquele lugar, à sala onde odiei estar ontem. Pensava que Samantha poderia voltar lá, assim como eu. Não notei quando Taylor saiu com o carro. Como estava pensativo e em dúvida, m*l podia perceber as coisas ao meu redor. O que estava acontecendo comigo? m*l conhecia aquela mulher e, ainda assim, não conseguia tirá-la da mente. Não foi como se estivéssemos em um encontro de verdade. Eu nem sabia como era seu rosto. Quando voltei a mim, já estávamos no prédio onde estive ontem. Achei a atitude de Taylor estranha, pois eu não tinha lhe dito aonde queria ir. — O que estamos fazendo aqui, Taylor? — questionei com os olhos estreitos. — Minha vinda aqui ontem foi o suficiente para que eu soubesse que não quero mais voltar, nem tentar conversar com alguma mulher. — avisei duramente. — Quando eu te perguntei para onde desejaria ir, não me respondeu. O que significa que estava em dúvida. E você é um homem muito decidido para estar com dúvida. Sendo assim, acabei concluindo que ficou dessa forma porque não sabia se voltaria para cá ou não. — Foi exatamente isso, só que não confirmaria. — Você e meu irmão estão armando para me deixar irritado? — fui mais ríspido. Algo com o qual ele já estava acostumado. Eu sabia que não deveria tratar as pessoas dessa forma, contudo não conseguia controlar minha boca, nem meus pensamentos quando me sentia acuado. — Vamos para casa. Eu não quero ficar aqui. — Acho que deve entrar e tirar as suas dúvidas. Sei como ficará se não fizer isso: vai se arrepender por não ter tentado ou acabado com sua curiosidade. — Já me arrependo agora de ter vindo ontem. — falei, ficando cada vez mais irritado. — Temos que ir embora. Aquela mulher vai sumir da minha cabeça em algumas horas e eu vou poder focar no trabalho. — É inteligente o suficiente para saber que não é verdade. — Virou-se para me olhar. Ele não era a pessoa que exibia um sorriso com facilidade ou era amoroso. Assim como eu, tinha seus dramas e um passado nada bonito. — Penso que isso é uma fuga. Só que, desta vez, não vai funcionar simplesmente se não entrar naquela sala. Se continuarem conversando, sem interesses mútuos, pode achar uma amiga ou se decepcionar agora e a esquecer de vez. — Não acredito em seus argumentos. Taylor era meu confidente e amigo. Olhando-me com repreensão, até me fazia questionar as minhas escolhas. Assim como Chris, ele não me deixaria em paz até eu entrar naquele prédio novamente. — Se eu for... — falei após revirar os olhos e respirar fundo. — Será porque vocês insistiram. Não tenho segundas intenções com aquela estranha, e hoje será a última vez que farei isso. Depois, me deixem em paz, seguindo com minha vida. — Como quiser, chefe. — Sua ironia não me agradou, e ele sabia disso. Seu sorriso sacana me deixou mais puto. Saí do carro, batendo a porta, como se fosse um adolescente rebelde; não só por isso, como também por estar sendo comandado por terceiros, tipo Taylor. Não digo que minhas ações dependiam deles, pois não era tão babaca. O que meu amigo fez ao argumentar comigo foi um empurrão para que aquela minha outra parte i****a finalmente tivesse seu desejo concedido. Como no dia anterior, não quis saber das outras pessoas ao meu redor. Mais nove homens participavam desse circo criado e apoiado por Christophe, e eu não disse uma palavra a nenhum deles. O que demonstrava a minha arrogância. Não era tão babaca, no entanto não seria simpático com quem eu não queria papo. A moça, que flertou comigo praticamente no dia anterior, exibiu o mesmo sorriso. Não fui rude, só a ignorei, como fiz quando ela me deu seu número i****a. Eu estava de mau humor, e nem era pelo meu dia exaustivo, e sim pelo fato de que eu estava distraído por conta de uma desconhecida que, igual a mim, não tinha intenção alguma de arranjar um parceiro nestas salas.
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