Nunca que Nikole iria imaginar que Dominico, traria uma equipe para lhe arrumar. Era só uma simples formatura.
- Como assim?
- A equipe contratada chega a Madrid depois do almoço. Vocês só tem que estar no hotel!
- Nikole, você não preparou as coisas para sua formatura?
Carlos estava preocupado, Arturo podia pensar que ele não dava nenhum espaço para sua neta, a ponto de ela negligenciar a própria formatura.
- Na verdade eu não planejava comparecer. Só ontem resolvi participar.
- Eu não entendo, qualquer um estaria louco para participar do evento. Ainda mais você que sempre foi Uma aluna destaque.
Nikole abriu um pouquinho do seu coração nesse momento.
- Eu não achei que meus avós viriam. Não animei ir sozinha.
O desabafo de Nikole foi tão emocionado que Alessa entrou na sala com lágrimas nos olhos.
- Você não está mais sozinha, meu amor.
Abraçou a neta e pouco depois elas subiram ao quarto, todos iam andar pela cidade juntos.
Andar com a família pelas ruas de Madrid, deu um novo ânimo a Nikole. Desde que perdeu os pais, não se sentia tão descontraída. Até mesmo Sofia estava mais amena e Nikole não se sentia mais irritada.
Talvez pela gravidez, ela estivesse mais emotiva, por outro lado, não queria que Dominico soubesse do bebê a caminho.
Eles tinham uma relação complexa e Nikole não sabia como ele reagiria ao bebê. Também não estava preocupada com isso, já havia decidido ter e criar o bebê sozinha.
- Nikole, você está ouvindo?
- Desculpe, me distrai.
- Eu disse que é hora de voltar. Se ficarmos mais você não vai descansar, e ficará com olheiras no evento a noite.
Estavam no museu de Madrid e a turma estava espalhada pelos corredores.
- Você está certa, mas é tão r**m atrapalhar o passeio deles.
Nikole não percebeu, mas Dominico estava sempre por perto. Só quando ouviu sua voz e que ela se deu conta de sua presença.
- Estamos aqui para te acompanhar, então não tem que se sentir desconfortável. Eles vão entender.
- Obrigada!
Nikole foi dar a mão para conduzir a avó enquanto Dom reunia o restante. Carlos e Arturo já estavam acomodados próximo a saída.
- Fique aqui um pouco vovó, vou buscar o carro.
- Eu posso ir com você sem problema.
- De qualquer forma teremos que esperar o restante chegar aqui. Não precisa se esforçar até o estacionamento.
- Eu vou ficar um pouco mais com Arturo. Deixo ele no hotel no final da tarde.
Carlos informou já se preparando para sair. Seu motorista já estava em frente ao museu.
- Obrigada Sr Ferraz. Sou muito grata por sua gentileza.
- É um grande prazer. Mesmo que ficassemos uma semana, não colocaria os assuntos em ordem.
Quando Nikole trouxe seu carro, todos já estavam reunidos na entrada e o carro dos jovens chegou logo atrás.
Seu carro, um Fiat Panda, parecia insignificante diante do Maserati de Dominico. Mas Nikole tinha muito apego ao seu carro, foi dado por seu finado pai na semana em que se formou, há três anos atrás.
Ela ainda se lembrava da euforia com que recebeu o carro.
- É lindo papai! Mas não precisava gastar com um carro para mim agora.
Demitre a abraçou com carinho, como sempre fazia.
- Eu comecei a guardar o dinheiro desde o seu primeiro dia de faculdade. Queria te dar um presente que valesse o esforço.
- Eu te amo, papai!
Não era um carro caro, mas zero e ela entendia o esforço do pai. Eles não eram ricos, mas eram uma família feliz. O amor de seus pais era verdadeiro e ela foi muito amada por ambos.
Sem perceber, Nikole levou a mão a barriga pensando no bebê que estava esperando. Tudo que mais queria era formar uma família amorosa novamente, mas infelizmente engravidou acidentalmente e Dominico não era nem de longe o tipo almejado.
- Nikole?
Ela voltou a si ao ouvir a voz da avó. Olhou para a cara de preocupação dela e sorriu.
- Está tudo bem, não se preocupe.
Passou a mão pelo ombro de Alessa e a conduziu ao carro.
Dominico não deixou de notar a mudança no comportamento de Alessa, como não entendeu nada, resolveu prestar atenção nas duas.
Vendo Nikole conduzindo Alessa para o carro, não deixou de notar que ela sempre tinha um cuidado especial com a avó. O tempo todo era gentil e carinhosa, o mesmo não acontecia com Arturo. Isso o deixava incomodado, afinal, ambos eram seus avós e Arturo estava doente. Também porque ele estava tentando desesperadamente se aproximar da neta e Dom não entendia porque Nikole era um tanto fria com o avô.
Por outro lado, ele também queria se aproximar de Nikole. A desejava como nunca desejou outra mulher na vida. Mas alguma coisa sempre o impedia de se aproximar. A mulher era para ele um completo mistério.
- Ei Zacary, que tal conduzir?
Jogou a chave para ele sem esperar resposta, se dirigindo ao carro de Nikole.
- Espero que não se importe de eu ir com você.
Surya que já ia se sentar no banco do carona, se dirigiu para trás junto com Alessa.
- Vou te fazer companhia vovó!
Nikole não ficou satisfeita, mas não tinha como dizer não para ele naquele momento. Um tanto tensa, concordou com a cabeça e se sentou ao volante ligando o carro.
- Vovó, precisamos olhar uma vestido para você.
- A equipe vai trazer roupas e acessórios para todas vocês. Não tem que se preocupar.
Nikole ficou surpresa.
- Tenho que ver o custo de todo esse trabalho. Preferia algo mais simples.
- Não se preocupe com isso. O padrinho está feliz em te dar esse presente. Basta agradecer a ele adequadamente.
É claro que ele mentiu, ele preparou tudo por conta própria. Mas, se dissesse a ela, tinha certeza que não aceitaria. Então que fosse em nome do avô.
- Ainda assim eu gostaria de pagar. Temos não ser capaz de agradecer a altura.
Ela tinha a clara compreensão de que nada era de graça. Pelo passado do avô com seu pai, o custo poderia ser definitivamente sua liberdade. Esse era um preço que Nikole não estava disposta a pagar.