De volta ao quarto da avó, Nikole estava inquieta. Era tudo muito novo para ela e não sabia como lidar com a situação. Seu instinto lhe dizia que isso não iria terminar bem.
- Hora da sua medicação vovó!
Ajudou a avó a se acomodar e lhe serviu água para tomar os remédios.
Na sequência, aplicou hidratante nos braços e pernas dela, penteou seus cabelos e fez massagem em algumas partes do corpo.
Dominico observava admirado ela cuidar de Alessa.
Quando o almoço veio não foi diferente, com paciência Nikole alimentou a avó que tinha o braço direito imobilizado. Terminando a tarefa, era hora dela almoçar e ele bateu na porta antes de entrar.
- Nikole, podemos almoçar no restaurante do hotel?
- Vou pedir para enviar aqui mesmo. Obrigada!
- Vá lá filha, é bom que você se distrai um pouco.
Nikole só mudou de ideia para não deixar a avó preocupada. Mas, ainda não tinha concluído sua reflexão sobre ela e Dominico.
- Está bem, não me demoro.
- Pode almoçar com calma, não tenha pressa.
Na saída do hospital, Dominico a levou em direção ao carro.
- Não vamos ao restaurante do hospital!
- Tem um ótimo restaurante aqui perto. Você vai gostar!
O motivo dele escolher outro restaurante ficou claro assim que eles entraram.
- Eu reservei uma sala privada, Dominico Zaffari.
- Por aqui, vou levar vocês até seu reservado.
A sala era ampla e bem iluminada. Pela janela do terceiro andar era possível avistar uma parte da ilha e do mar, Era uma visão de tirar o fôlego.
Ao ouvir um clique atrás de si, Nikole virou e se deparou com Dom tirando fotos.
- O que você está fazendo?
Com um sorriso nos lábios ele virou a tela, de costas para ele, com o mar à sua frente, a foto ficou muito boa.
- Eternizando esse momento. Está tão linda que não resisti!
- Você me assustou.
- Não era minha intenção.
Tirou outra foto com ela agora de perfil. Não tinha se dado conta de que ela era tão fotogênica.
- Você tem um bom ângulo para fotos.
Falou próximo ao seu ouvido, a mão pousando levemente em sua cintura. Arrepiando com o toque, Nikole tentou se afastar.
- Ok! Agora chega.
- Não fuja Nikole, admita que também sente atração por mim.
- Você me atrai tanto quanto dor de cabeça.
- Há é?
Lábios famintos cobriram os seus, mãos atrevidas exploravam seu corpo com maestria. Por mais que sua boca negasse, seu corpo dizia o contrário.
- Temos que parar com isso.
- Relaxa Nikole, não é nenhum pecado sentir desejo. Somos adultos capazes de lidar com isso.
- E depois?
Ao lembrar a forma como ele a tratou nos últimos dois dias, ela se obrigou a ser cautelosa.
- Não vou te forçar a nada. Mas não n**o que quero muito te levar para a cama.
Nikole ficou vermelha com o jeito dele falar. Não era uma mulher inexperiente, aos vinte e dois anos, teve alguns namorados na faculdade e se relacionou sexualmente com dois deles. Porém, não evoluiu tão rápido quanto agora.
Dominico era bem direto e ousado, ela sabia que tinha que ser prudente. Não estava interessada em um caso de final de semana.
- Não vai rolar. É melhor parar por aqui.
- Qual é Nikole? Sei que quer tanto quanto eu te quero.
- Não podemos ter tudo que queremos, não é mesmo?
Pegando o cardápio, ela leu com uma concentração fingida, tinha que manter os olhos longe dele ou estaria perdida.
- Vou querer Moussaka e uma salada.
- Boa escolha, vou querer o mesmo!
A Moussaka feita com carne de cordeiro e berinjela era atrativo ao paladar de Nikole. Era a primeira vez que comeria o prato preferido de seu pai em sua terra natal.
Essa lembrança, fez com que seu olhar desse uma entristecida. Isso não passou despercebido a Dominico.
- O que foi?
- Não é nada!
Nikole se recusava a falar de seus pais com ele, ou qualquer outra pessoa da família Smiths. Parecia estar traindo a memória de seus amados pais.
Dominico por outro lado, parecia ler seus pensamentos e não insistiu.
- O que quer beber?
- Um suco natural. Pode escolher qualquer um, vou ao banheiro e já volto.
Sem esperar resposta, saiu da sala e procurou a indicação dos sanitários nas placas pelo corredor. Pouco depois entrava no banheiro, sua cabeça estava uma bagunça e ela precisava de um momento sozinha.
Após se acalmar, lavou o rosto e voltou para a sala onde os pedidos já estão sendo entregues.
- Venha, vamos comer antes que esfrie.
Dom puxou a cadeira para ela se sentar. O cheiro agradável da
Moussaka preenchendo o ar. A aparência era boa, mas o sabor era sem igual.
Nikole que não comia tão bem há dias, Não resistiu ao delicioso prato e não se fez de rogada, devorou até a última porção.
- Obrigada por me trazer aqui, estava realmente delicioso o almoço.
Claro que Dominico já havia percebido que ela comeu bem.
- Fico feliz que tenha gostado
Passou as costas das mãos delicadamente pelo seu rosto e ela fechou os olhos, se permitindo relaxar por um momento.
- Devia ir descansar em casa, você deve estar exausta.
- Minha casa está a quilômetros, vou passar um tempo com a vovó antes de voltar.
- Você entendeu o que eu quis dizer!
- Só tenho uma casa, e não é aqui.
- Vamos buscar uma solução satisfatória. Seu avô está muito sentido com essa situação.
- Não quero mais me envolver com o Sr Smiths. Assim como meu pai, vou seguir em frente.
- E eu, Nikole? Você voltaria por mim?
Com a voz baixa e a puxando para seus braços, Nikole estava desamada.
- Eu fui expulsa daquela casa, escurrassada como um cachorro. Esqueceu?
- Foi um m*l entendido, o padrinho estava sobre efeito dos remédios e não pensou muito ao dizer aquelas coisas.
- Já ficou claro que não represento nada para ele. Entre mim e Sofia, eu não mereço sequer ser ouvida.
- Não é verdade! O problema é que Sofia foi criada por ele e é natural que a proteja.
Essas palavras não acalmaram Nikole, fez com que ela se sentisse mais solitária. Se não fosse pela avó, realmente se sentiria sozinha no mundo.