Só tenho uma casa

1067 Words
De volta ao quarto da avó, Nikole estava inquieta. Era tudo muito novo para ela e não sabia como lidar com a situação. Seu instinto lhe dizia que isso não iria terminar bem. - Hora da sua medicação vovó! Ajudou a avó a se acomodar e lhe serviu água para tomar os remédios. Na sequência, aplicou hidratante nos braços e pernas dela, penteou seus cabelos e fez massagem em algumas partes do corpo. Dominico observava admirado ela cuidar de Alessa. Quando o almoço veio não foi diferente, com paciência Nikole alimentou a avó que tinha o braço direito imobilizado. Terminando a tarefa, era hora dela almoçar e ele bateu na porta antes de entrar. - Nikole, podemos almoçar no restaurante do hotel? - Vou pedir para enviar aqui mesmo. Obrigada! - Vá lá filha, é bom que você se distrai um pouco. Nikole só mudou de ideia para não deixar a avó preocupada. Mas, ainda não tinha concluído sua reflexão sobre ela e Dominico. - Está bem, não me demoro. - Pode almoçar com calma, não tenha pressa. Na saída do hospital, Dominico a levou em direção ao carro. - Não vamos ao restaurante do hospital! - Tem um ótimo restaurante aqui perto. Você vai gostar! O motivo dele escolher outro restaurante ficou claro assim que eles entraram. - Eu reservei uma sala privada, Dominico Zaffari. - Por aqui, vou levar vocês até seu reservado. A sala era ampla e bem iluminada. Pela janela do terceiro andar era possível avistar uma parte da ilha e do mar, Era uma visão de tirar o fôlego. Ao ouvir um clique atrás de si, Nikole virou e se deparou com Dom tirando fotos. - O que você está fazendo? Com um sorriso nos lábios ele virou a tela, de costas para ele, com o mar à sua frente, a foto ficou muito boa. - Eternizando esse momento. Está tão linda que não resisti! - Você me assustou. - Não era minha intenção. Tirou outra foto com ela agora de perfil. Não tinha se dado conta de que ela era tão fotogênica. - Você tem um bom ângulo para fotos. Falou próximo ao seu ouvido, a mão pousando levemente em sua cintura. Arrepiando com o toque, Nikole tentou se afastar. - Ok! Agora chega. - Não fuja Nikole, admita que também sente atração por mim. - Você me atrai tanto quanto dor de cabeça. - Há é? Lábios famintos cobriram os seus, mãos atrevidas exploravam seu corpo com maestria. Por mais que sua boca negasse, seu corpo dizia o contrário. - Temos que parar com isso. - Relaxa Nikole, não é nenhum pecado sentir desejo. Somos adultos capazes de lidar com isso. - E depois? Ao lembrar a forma como ele a tratou nos últimos dois dias, ela se obrigou a ser cautelosa. - Não vou te forçar a nada. Mas não n**o que quero muito te levar para a cama. Nikole ficou vermelha com o jeito dele falar. Não era uma mulher inexperiente, aos vinte e dois anos, teve alguns namorados na faculdade e se relacionou sexualmente com dois deles. Porém, não evoluiu tão rápido quanto agora. Dominico era bem direto e ousado, ela sabia que tinha que ser prudente. Não estava interessada em um caso de final de semana. - Não vai rolar. É melhor parar por aqui. - Qual é Nikole? Sei que quer tanto quanto eu te quero. - Não podemos ter tudo que queremos, não é mesmo? Pegando o cardápio, ela leu com uma concentração fingida, tinha que manter os olhos longe dele ou estaria perdida. - Vou querer Moussaka e uma salada. - Boa escolha, vou querer o mesmo! A Moussaka feita com carne de cordeiro e berinjela era atrativo ao paladar de Nikole. Era a primeira vez que comeria o prato preferido de seu pai em sua terra natal. Essa lembrança, fez com que seu olhar desse uma entristecida. Isso não passou despercebido a Dominico. - O que foi? - Não é nada! Nikole se recusava a falar de seus pais com ele, ou qualquer outra pessoa da família Smiths. Parecia estar traindo a memória de seus amados pais. Dominico por outro lado, parecia ler seus pensamentos e não insistiu. - O que quer beber? - Um suco natural. Pode escolher qualquer um, vou ao banheiro e já volto. Sem esperar resposta, saiu da sala e procurou a indicação dos sanitários nas placas pelo corredor. Pouco depois entrava no banheiro, sua cabeça estava uma bagunça e ela precisava de um momento sozinha. Após se acalmar, lavou o rosto e voltou para a sala onde os pedidos já estão sendo entregues. - Venha, vamos comer antes que esfrie. Dom puxou a cadeira para ela se sentar. O cheiro agradável da Moussaka preenchendo o ar. A aparência era boa, mas o sabor era sem igual. Nikole que não comia tão bem há dias, Não resistiu ao delicioso prato e não se fez de rogada, devorou até a última porção. - Obrigada por me trazer aqui, estava realmente delicioso o almoço. Claro que Dominico já havia percebido que ela comeu bem. - Fico feliz que tenha gostado Passou as costas das mãos delicadamente pelo seu rosto e ela fechou os olhos, se permitindo relaxar por um momento. - Devia ir descansar em casa, você deve estar exausta. - Minha casa está a quilômetros, vou passar um tempo com a vovó antes de voltar. - Você entendeu o que eu quis dizer! - Só tenho uma casa, e não é aqui. - Vamos buscar uma solução satisfatória. Seu avô está muito sentido com essa situação. - Não quero mais me envolver com o Sr Smiths. Assim como meu pai, vou seguir em frente. - E eu, Nikole? Você voltaria por mim? Com a voz baixa e a puxando para seus braços, Nikole estava desamada. - Eu fui expulsa daquela casa, escurrassada como um cachorro. Esqueceu? - Foi um m*l entendido, o padrinho estava sobre efeito dos remédios e não pensou muito ao dizer aquelas coisas. - Já ficou claro que não represento nada para ele. Entre mim e Sofia, eu não mereço sequer ser ouvida. - Não é verdade! O problema é que Sofia foi criada por ele e é natural que a proteja. Essas palavras não acalmaram Nikole, fez com que ela se sentisse mais solitária. Se não fosse pela avó, realmente se sentiria sozinha no mundo.
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