Não basta se desculpar

1076 Words
Na mansão, Arturo estava dando um duro sermão em seus sobrinhos. - Nikole é minha única neta. Eu falhei com ela por acreditar em você Sofia, não vou tolerar mais nenhuma provocação contra ela. - Desculpa tio! - Não é comigo que você deve se desculpar. E bom se entender com Nikole ou as coisas vão ser diferentes. O remorso e arrependimento estavam acabando com Arturo. E para piorar, Nikole sequer queria falar com ele. Nikole havia tirado dez dias de férias, quatro já se passaram e ela precisava voltar para casa. No entanto, a saúde da avó a fez ficar em Milos. - Vovó, vou ficar mais quatro dias com você e depois tenho que ir. Era segunda-feira, dia em que ela iria embora. Alessa ficou exultante com a notícia. - Eu fico feliz. Se dependesse de mim, você não sairia mais daqui. - Vem comigo, não tem porque continuar aqui. - Assim que me aposentar, eu vou morar com você. Nikole passou a data de sua formatura, para ela se programar para ir. - Vou te enviar as passagens. Não tem que se preocupar com nada. - E o seu avô? - Vovó, a Sra é a única parente que tenho nessa vida. Por favor, não dê meu endereço nem meu contato a ninguém. Não pretendo voltar aqui ou ter qualquer interação com essas pessoas. - Eu sinto muito, Seria bom se vocês se acertassem. Seu avô não é uma pessoa r**m. - Não vou me iludir, eu até tentei mas ele não me pareceu sincero. Melhor esquecer que estive aqui. Dominico foi embora tarde da noite e como estava trabalhando fora da ilha, só iria voltar no dia seguinte. Sem saber porque, Nikole se pegava pensando nele, sentindo sua falta como se o conhecesse a anos. Na manhã de terça-feira, Alessa teve alta e Nikole se sentiu perdida. - Vovó, acho que teremos que nos despedir aqui. - Você não vem comigo? - Eu não posso. Sem coragem de encarar a avó, ela arrumava as malas das duas de cabeça baixa. - Você disse que ficaria por mais quatro dias. - Eu sei! Só que não posso ir até a mansão. Estou proibida de entrar lá. - Isso é ridículo. O Sr Smiths não vai te explusar de lá, acho que era sobre isso que queria falar com você. - Eu não quero ir. Vou ficar em um hotel hoje e amanhã volto para casa. - Por favor, não vá ainda. Fique comigo mais um pouco. O choro da avó lhe partiu o coração e ela não disse não, não teve coragem. - Está bem. Vou ficar com a Sra de dia. Mas não vou entrar na casa, a noite eu vou para um hotel. A edícula dos funcionários era totalmente independente da casa, o que deixou Nikole um pouco mais tranquila. Poderia entrar e sair sem precisar encontrar com a família. O telefone do quarto tocou nesse exato momento e ela teve que parar para atender. - Alô Nikole, estou mandando um carro para pegar vocês. Era Dominico. - Como soube? - O hospital me ligou. - Certo, já estou terminando de arrumar as nossas coisas. Desligou feliz por não precisar entrar em contato com ninguém. - Vovó, vou verificar sua alta e deixar a minha bagagem lá embaixo. Na verdade, ela já havia verificado um hotel ali por perto e rapidamente alugou um quarto, deixou suas coisas e saiu para acompanhar Alessa. - Demorou filha. O motorista saiu para te procurar. - Já estamos prontas. Vou chamar alguém para ajudar a Sra com a cadeira de rodas e podemos ir. Nem se preocupou em olhar a conta do hospital, tinha certeza que Dominico havia cuidado de tudo. Na edícula da mansão Smiths, acomodou a avó e teve que ir a cozinha preparar o almoço para ela. Era impressionante como ninguém cozinhava adequadamente em uma casa de família tão próspera. - Bem vinda de volta Nikole! - Obrigada Ivana. - Seu avô quer falar com você. ele está no escritório. - Não quero ser grosseira Ivana. Vou apenas arrumar algo para minha avó comer e estou de saída. Diga a ele para não se preocupar. - Por favor, ele está muito ansioso para falar com você. Querendo ou não, a casa era dele, certo? Então teria que fazer esse sacrifício. - Certo. Vou cuidar da vovó e falo com ele após o almoço. Ivana saiu para informar Arturo e Nelly ficou agitada com ela na cozinha. - Que bom que veio Srta Smiths. Ninguém está acertando cozinhar para a família. Os únicos que não reclamam são os gêmeos. O resto, ninguém gostou da comida. - Não vim cozinhar para eles, só estou aqui pela minha avó. - Mas não custa tentar. Quem sabe seu tempero não agrada? Nikole bufou e não respondeu. Era só o que faltava, agora ela ter que tomar o lugar da avó na cozinha. Fez alguns pratos e uma salada grega. Serviu uma bandeja para ela e a avó e voltou para a edícula. Depois de alimentar e medicar a avó, era hora de falar com Arturo. Encontrou a família reunida na sala em um clima um tanto constrangido. - Boa tarde! O Sr quer falar comigo? Arturo apontou com a bengala para o sofá em frente. - Sente-se Nikole! - Estou bem aqui. Vamos terminar logo, sei que não deveria estar aqui. Sairei o mais rápido possível. - Desculpe, Nikole. Sei que fui muito rude com você da outra vez. Sofia vai se desculpar com você, ela entendeu que não agiu corretamente. Nikole olhou de um para o outro com descrença. Por mais que alegassem que ela era jovem, o comportamento da moça era inaceitável. - Me desculpa Nikole, sei que estava errada. - Você acha que basta se desculpar e tudo ficará bem? Você agrediu e machucou uma pessoa gratuitamente, Sofia abaixou a cabeça sem responder, claramente ela não estava se desculpando por vontade própria. - O que espera que se faça Nikole? - Sr Smiths, Sofia já não é mais criança, ela tem que arcar com as consequências. - Não posso deixar a polícia se envolver nesse caso. - Ela tem que ser penalizada de alguma forma ou vai continuar a fazer. A impunidade faz com que se sinta superior a outras pessoas. - O que você quer fazer? Sofia dessa vez parecia assustada, seu corpo tremendo e a cor de seu rosto era pálida.
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