Na mansão, Arturo estava dando um duro sermão em seus sobrinhos.
- Nikole é minha única neta. Eu falhei com ela por acreditar em você Sofia, não vou tolerar mais nenhuma provocação contra ela.
- Desculpa tio!
- Não é comigo que você deve se desculpar. E bom se entender com Nikole ou as coisas vão ser diferentes.
O remorso e arrependimento estavam acabando com Arturo. E para piorar, Nikole sequer queria falar com ele.
Nikole havia tirado dez dias de férias, quatro já se passaram e ela precisava voltar para casa. No entanto, a saúde da avó a fez ficar em Milos.
- Vovó, vou ficar mais quatro dias com você e depois tenho que ir.
Era segunda-feira, dia em que ela iria embora. Alessa ficou exultante com a notícia.
- Eu fico feliz. Se dependesse de mim, você não sairia mais daqui.
- Vem comigo, não tem porque continuar aqui.
- Assim que me aposentar, eu vou morar com você.
Nikole passou a data de sua formatura, para ela se programar para ir.
- Vou te enviar as passagens. Não tem que se preocupar com nada.
- E o seu avô?
- Vovó, a Sra é a única parente que tenho nessa vida. Por favor, não dê meu endereço nem meu contato a ninguém. Não pretendo voltar aqui ou ter qualquer interação com essas pessoas.
- Eu sinto muito, Seria bom se vocês se acertassem. Seu avô não é uma pessoa r**m.
- Não vou me iludir, eu até tentei mas ele não me pareceu sincero. Melhor esquecer que estive aqui.
Dominico foi embora tarde da noite e como estava trabalhando fora da ilha, só iria voltar no dia seguinte. Sem saber porque, Nikole se pegava pensando nele, sentindo sua falta como se o conhecesse a anos.
Na manhã de terça-feira, Alessa teve alta e Nikole se sentiu perdida.
- Vovó, acho que teremos que nos despedir aqui.
- Você não vem comigo?
- Eu não posso.
Sem coragem de encarar a avó, ela arrumava as malas das duas de cabeça baixa.
- Você disse que ficaria por mais quatro dias.
- Eu sei! Só que não posso ir até a mansão. Estou proibida de entrar lá.
- Isso é ridículo. O Sr Smiths não vai te explusar de lá, acho que era sobre isso que queria falar com você.
- Eu não quero ir. Vou ficar em um hotel hoje e amanhã volto para casa.
- Por favor, não vá ainda. Fique comigo mais um pouco.
O choro da avó lhe partiu o coração e ela não disse não, não teve coragem.
- Está bem. Vou ficar com a Sra de dia. Mas não vou entrar na casa, a noite eu vou para um hotel.
A edícula dos funcionários era totalmente independente da casa, o que deixou Nikole um pouco mais tranquila. Poderia entrar e sair sem precisar encontrar com a família.
O telefone do quarto tocou nesse exato momento e ela teve que parar para atender.
- Alô Nikole, estou mandando um carro para pegar vocês.
Era Dominico.
- Como soube?
- O hospital me ligou.
- Certo, já estou terminando de arrumar as nossas coisas.
Desligou feliz por não precisar entrar em contato com ninguém.
- Vovó, vou verificar sua alta e deixar a minha bagagem lá embaixo.
Na verdade, ela já havia verificado um hotel ali por perto e rapidamente alugou um quarto, deixou suas coisas e saiu para acompanhar Alessa.
- Demorou filha. O motorista saiu para te procurar.
- Já estamos prontas. Vou chamar alguém para ajudar a Sra com a cadeira de rodas e podemos ir.
Nem se preocupou em olhar a conta do hospital, tinha certeza que Dominico havia cuidado de tudo.
Na edícula da mansão Smiths, acomodou a avó e teve que ir a cozinha preparar o almoço para ela. Era impressionante como ninguém cozinhava adequadamente em uma casa de família tão próspera.
- Bem vinda de volta Nikole!
- Obrigada Ivana.
- Seu avô quer falar com você. ele está no escritório.
- Não quero ser grosseira Ivana. Vou apenas arrumar algo para minha avó comer e estou de saída. Diga a ele para não se preocupar.
- Por favor, ele está muito ansioso para falar com você.
Querendo ou não, a casa era dele, certo? Então teria que fazer esse sacrifício.
- Certo. Vou cuidar da vovó e falo com ele após o almoço.
Ivana saiu para informar Arturo e Nelly ficou agitada com ela na cozinha.
- Que bom que veio Srta Smiths. Ninguém está acertando cozinhar para a família. Os únicos que não reclamam são os gêmeos. O resto, ninguém gostou da comida.
- Não vim cozinhar para eles, só estou aqui pela minha avó.
- Mas não custa tentar. Quem sabe seu tempero não agrada?
Nikole bufou e não respondeu. Era só o que faltava, agora ela ter que tomar o lugar da avó na cozinha.
Fez alguns pratos e uma salada grega. Serviu uma bandeja para ela e a avó e voltou para a edícula.
Depois de alimentar e medicar a avó, era hora de falar com Arturo.
Encontrou a família reunida na sala em um clima um tanto constrangido.
- Boa tarde! O Sr quer falar comigo?
Arturo apontou com a bengala para o sofá em frente.
- Sente-se Nikole!
- Estou bem aqui. Vamos terminar logo, sei que não deveria estar aqui. Sairei o mais rápido possível.
- Desculpe, Nikole. Sei que fui muito rude com você da outra vez. Sofia vai se desculpar com você, ela entendeu que não agiu corretamente.
Nikole olhou de um para o outro com descrença. Por mais que alegassem que ela era jovem, o comportamento da moça era inaceitável.
- Me desculpa Nikole, sei que estava errada.
- Você acha que basta se desculpar e tudo ficará bem? Você agrediu e machucou uma pessoa gratuitamente,
Sofia abaixou a cabeça sem responder, claramente ela não estava se desculpando por vontade própria.
- O que espera que se faça Nikole?
- Sr Smiths, Sofia já não é mais criança, ela tem que arcar com as consequências.
- Não posso deixar a polícia se envolver nesse caso.
- Ela tem que ser penalizada de alguma forma ou vai continuar a fazer. A impunidade faz com que se sinta superior a outras pessoas.
- O que você quer fazer?
Sofia dessa vez parecia assustada, seu corpo tremendo e a cor de seu rosto era pálida.