Quando Alessa desceu com sua bagagem, Surya e Leandro já haviam partido. Dominico sabia como espantar as pessoas.
- Vamos indo, vovó. A senhora deve estar cansada.
Ela queria muito se livrar logo de Dominico, por mais que negasse, sua atração por ele era forte e tinha medo de se deixar levar.
Dominico dirigiu como se conhecesse bem a cidade. Em nenhum momento perguntou que caminho seguir. Menos de meia hora estavam na porta da casa de Nikole.
- Obrigada por nos trazer.
- Quero falar com você, Nikole.
Ela olhou as horas e até tentou se livrar dele.
- Já é tarde, melhor deixar para depois.
- Só preciso de dez minutos. Por favor Alessa, se puder nos dar um momento.
Como viu que não iria se livrar dele tão fácil, virou para abrir a porta para a avó.
- Espere lá dentro, não me demoro.
Tão logo fechou a porta sentiu os braços de Dominico em sua cintura.
- O que pensa que está fazendo?
- Esperei por toda noite, está me evitando Nikole?
- Não tenho porque te evitar, também não quero ficar perto de você.
- O que está planejando, Nikole?
- Do que você está falando?
Ela realmente não entendeu qual era o ponto.
- Vejo que você tem se preparado para algo grande. Nunca acreditei que você apareceu em Milos por coincidência.
Nikole estava cansada de tudo, primeira ele a acusou de ser uma impostora. Agora ela sequer conseguiu adivinhar de que ele estava falando.
- Devia procurar um psiquiatra Sr Zaffari. Sua mente vai além da imaginação.
- Você escondeu que era formada em administração. O padrinho pode ter engolido sua história, eu não.
- Certo! Então, me explique o que você supõe que estou fazendo?
- Para mim, claramente você se preparou para assumir o grupo Smiths.
Chocada era pouco para descrever o estado de Nikole. Ela sequer sabia da existência de Arturo Smiths até ser manobrada por sua mãe.
- Eu vou entrar e descansar, nada que eu disser é crível para você.
- Estou de olho em você! Não pense que as coisas vão ser tão fáceis.
- Faça o que quiser, sua opinião não me interessa.
- Eu posso te dar uma boa vida, não precisa se esforçar tanto, nem usar de artimanhas para conseguir o que quer.
Nikole já estava exasperada com tanta desconfiança.
- Boa noite Sr Zaffari.
Seu braço foi puxado no momento em que se virava para entrar em casa.
- Ainda não terminamos!
- Não tenho mais nada a falar com você e não estou interessada em seus delírios de...
Antes que terminasse, foi tomada em um beijo urgente. Dominico tinha o dom de não deixar espaço para ela escapar.
- Nikole, não tem noção do inferno que tem sido sem você.
- Para com isso! Inferno foi os dias que passei, sendo intimidada por você.
- Você gostou tanto quanto eu. Não tente negar.
- Você é muito descarado. Não estou interessada em nada que tenha para falar. Agora se me der licença, minha avó está me esperando.
- Você é minha baby, não vai escapar de novo.
- Você é maluco. Não vai conseguir me obrigar a fazer o que não quero.
- Seu corpo não fala a mesma língua que você. Ele reage rápido a quer cada toque meu, porque resistir ao inevitável?
Nikole estava sem palavras. O jeito arrogante e possessivo dele a deixava muito irritada.
- Estou cansada Dominico, se não tem mais nada a dizer, vou dormir agora.
- Vamos ter essa conversa mais cedo ou tarde, não adianta fugir.
Nikole não respondeu nem se despediu. Abriu a porta, entrou e trancou na cara dele dando a noite por encerrada.
- Desculpa vovó.
Falou para Alessa que estava sentada paciente no sofá da pequena sala.
- Não se preocupe querida, Estou bem e feliz de estar com você.
Alessa já tinha corrido os olhos pela parte de baixo da casa. Esse tinha sido o lar de sua filha até alguns meses atrás, ela estava emocionada.
- Sua casa e muito bonita, Nikole.
Apesar de ter poucos cômodos, tinha uma estética bonita. A sala de jantar, conjugada com jantar, a cozinha, lavanderia, banheiro, uma pequena área gourmet e a garagem compunha o primeiro andar. Já o segundo eram duas suítes e uma varanda. A casa era toda branca por fora e os espaços internos tinham cores destintas.
- Obrigada vovó. Gosto dessa casa. Quando mudamos para cá, meus pais me deixaram escolher parte da mobília e decoração.
Eram lembranças dos dias felizes com os pais, na época não imaginaria que seis anos depois nenhum dos dois estariam alí.
- Venha, vou mostrar os quartos.
Subiram as escadas e Alessa não se segurou mais.
- E o bebê Nikole, para quando é?
- Estou com pouco mais de dois meses de gravidez. no meio do ano que vem ele deve nascer.
- É o pai? Vocês vão se casar?
Era compreensível a preocupação da avó, um tanto conservadora, para ela filhos tinham que ser gerados dentro do casamento.
- Não vovó! Esse bebê não foi planejado. Pretendo criar ele sozinha.
- É muito difícil criar uma criança sozinha. Eu fiquei viúva cedo, sua mãe só tinha onze anos. Não é fácil.
- Eu sei vovó. Por outro lado, estou feliz com a chegada dele, já não me sinto tão sozinha nesse mundo. Eu, a senhora e o bebê somos uma família. Vocês são tudo que tenho nesse mundo e vou dar o melhor para que sejamos felizes.
Alessa queria saber quem era o pai. Mas, preferiu não insistir, ela deixou claro que o pai não estava incluído no pacote família.
- E seu avô Arturo? Ele está feliz com sua chegada e um bisneto será uma grande alegria para ele.
- Vovó, eu não tenho raiva do avô. Mas não vou negar que tenho uma mágoa. A forma como tratou meus pais não foi correta, não vou deixar espaço para fazer o mesmo comigo ou com meu bebê.
- Eu não entendo filha. Você parece aceitar ele bem atualmente.
- Vamos manter os pés no chão, no primeiro problema que tivemos, ele me mandou sair de sua casa. Sequer me perguntou o que aconteceu, não quero e nem preciso passar por isso.