O estrago já estava feito e Nikole não podia ficar brava com a avó. Alessa estava tão eufórica com o bisneto que não faria nada para prejudicar ela. Foi por excesso de cuidado que deixou escapar.
- Não se preocupe com seu avô, eu posso lidar com ele.
- Não estou preocupada, vamos pôr as cartas na mesa de uma vez.
A única preocupação dela era Dominico, agora que ele saiba não era preciso esconder de ninguém. Não se importava com a opinião de ninguém, muito menos do avô.
Ao entrar na sala, todos estavam olhando para elas, dava para ouvir até o capim nascendo, tamanho era o silêncio. Nikole andou até o meio das pessoas, Surya sempre ao seu lado.
- Como todos já devem saber, eu estou grávida!
Depois de olhar para ela por alguns minutos, Arturo perguntou;
- Não é grande coisa. Onde está o pai?
- Isso não é fundamental agora. Vamos deixar ele fora da conversa.
- Claro que é fundamental. Ele deve assumir a responsabilidade e se casar antes da criança nascer. Se ele tentar fugir a responsabilidade, eu te ajudo a enquadrar ele.
Nikole olhou surpresa para o avô. Não podia acreditar em suas palavras em pleno século vinte e um. Mas também sabia que ele era extremamente conservador. O fato de não reclamar, já era um grande passo.
- Não pretendo me casar, vou ser mãe solo.
- Besteira! Você não tem noção da responsabilidade de criar filhos. Você não precisa ter medo, não vou permitir que ele tire vantagem de você.
- Vovô, hoje em dia é normal ser mãe solo. Há mulheres que recorrem à inseminação para ter filhos e não se prendem a um casamento.
- Ou não sabem quem é o pai e vem com essa história.
A voz de Dominico veio de traz, fazendo Nikole ferver de raiva.
- Sr Zaffari, não estou interessada em sua opinião. Não tenho que lhe dar satisfação, por favor guarde sua opinião.
- Nikole, se for esse o caso não é aconselhável ter esse filho.
Olhando o rosto das pessoas a sua frente, Nikole se sentiu sozinha outra vez. Em nada eles pareciam sua família, somente Alessa e Zacary a olhavam com compreensão.
- Tudo bem, vou deixar claro para vocês.
Respirou fundo antes de continuar.
- Eu não sofri abuso, embora não tenha planejado e não era o melhor momento para engravidar, decidi ter e criar sozinha essa criança. Ela veio em um momento em que eu me sentia sozinha, quando descobri eu fiquei feliz. Não estou mais sozinha no mundo, esse bebê foi que me deu forças para continuar. Nada nem ninguém vai me separar dele.
Novamente o silêncio tomou conta da sala. Cada um preso em seus pensamentos como se estivessem ponderando grandes decisões.
- Para quando é o bebê?
Arturo finalmente quebrou o silêncio.
- Daqui a sete meses.
- Sente meses? Você engravidou quando estava na Grécia?
Arturo não era bobo, pouco mais de dois meses atrás, Nikole estava em sua casa. Olhou para os gêmeos e agitou sua bengala de madeira nobre.
- Qual de vocês foi o moleque?
Os rapazes olharam para ele e depois para Nikole, agitando as mãos em sinal de negação. Nikole achou estranho que Dominico não foi questionado, ele parecia estar acima de qualquer suspeita.
- Zacary, seu moleque!
- Tio não fiz nada! Porque aponta para mim?
- Zander tem namorada e Dominico é noivo. Você é o único que ficou para cima e para baixo com Nikole.
- Vovô, não são eles.
- Não precisa mentir! De qualquer forma, podemos fazer o DNA mais tarde.
De nenhuma forma Nikole estava preparada para o que ouviu a seguir, e menos ainda para a reação do avô.
- Não precisa padrinho. Se Nikole engravidou na Grécia, o filho é meu.
- Não é não!
Ela tentou negar ao mesmo tempo em que viu a bengala do avô atingir Dominico com força.
Com um grito de susto, Nikole protegeu a barriga com olhos arregalados e uma palidez cadavérica. A situação estava cada vez mais complicada, mas Nikole preferiu a verdade em vez de se livrar de Dominico de forma covarde.
- Seu moleque! Não esperava uma traição dessa debaixo do meu nariz e dentro da minha casa.
- Vovô, por favor mantenha a calma. A culpa foi minha!
- Não foi não! Esse sem vergonha se aproveitou de você em um momento em que estava fragilizada.
Novamente a bengala foi em direção a Dominico que não desviou, nem parecia se importar com os golpes. Foi Alessa quem entrou na frente e deu um fim na situação.
- Por favor Sr Arturo. Não vai repetir os mesmos erros do passado.
Depois de se acalmar, Arturo perguntou a Nikole:
- O que você quer fazer Nikole? Eu falhei em te proteger, mas não vou deixar ficar impune!
- Não posso dizer o que aconteceu. Eu não me lembro de nada.
- Como não lembra de nada?
Arturo estava no seu limite e Alessa chocada.
- Nikole, não precisa ter medo. Vou te apoiar no que for preciso.
- Vovó, eu realmente não sei dizer o que aconteceu. Eu estava tomando remédios para dormir, fazia uso desde a morte de minha mãe. Quando acordei no quarto de hóspedes, eu sabia que havia acontecido alguma coisa. Mas não me recordava de nada, sequer sabia como fui parar lá. Por isso parti naquele dia.
- Então foi por isso!
Os olhos de Arturo estavam vidrados de raiva.
- Que decepção Dominico!
- Vovô, eu não quero fazer nenhuma acusação injusta. Quando fui ao médico e disse que deu um branco e não lembrava mais de nada, ele me disse que se eu combinei com alguma coisa que contivesse álcool, eu ficaria praticamente drogada. Mas não me lembro de ter consumindo álcool.
Dominico se lembrou dela apagada no hotel e dos remédios no criado mudo, sabia que ela dizia a verdade.
- Eu te dei uma dose de rum. Você chorava tanto que pensei que ajudaria a te acalmar. Foi uma quantidade tão pequena que não supus que te fizesse m*l.