Não vou assinar nada

1025 Words
Agora Nikole entendeu o que aconteceu, ela não poderia ter consumido os dois. - Ainda assim, você estava sóbrio Dom, não tem desculpa! - O efeito da droga era afrodisíaco, acredito que a culpa foi minha. - Meu Deus Nikole! Você não pode tomar mais essa medicação. - Eu sei vovó, já não tomo mais. As lágrimas desceram pela primeira vez na frente de pessoas estranhas. Desde a morte da mãe, ela chorava na solidão de seu quarto. Na casa do avô, ela realmente não se lembrava. - Desde que fiquei fora de mim, me dei conta do risco que corri, poderia ter morrido sem saber como. Desde então, suporto as crises de insônia sem tomar nada. - Sinto muito Nikole! Se não fosse por mim, isso não teria acontecido. - Não foi sua culpa vovó. Aconteceu no dia em que fez dois meses da morte da minha mãe. Eu estava muito abalada. Diante desse fato, para Dom era certo que o filho era dele. Lembrando de tudo o que falou para ela a pouco tempo, ele se arrependeu amargamente. Se fosse apontar um responsável, ele era o único culpado. - Nikole, precisamos conversar! - Não há nada a ser dito. Já decidi que vou criar meu filho ou filha sozinha. Não quero nada de você. - Nikole, pense bem. Você não tem que arcar com isso sozinha. Dom poderia ter evitado, ou melhor, devia ter evitado. É justo que arque com as consequências. - Não vou fugir das minhas responsabilidades, padrinho. Mesmo que Nikole não queira, também é meu filho. De repente, Dominico estava exultante por dentro. Agora Nikole não poderia afastá-lo com facilidade, um filho era um laço difícil de desatar. Também poderia ser a solução de seu problema com Catarina. Ela teria que aceitar o fim do noivado. - Assim espero, estou muito decepcionado com você Dominico. Não existe desculpa para o que aconteceu, não importa o que. - Essa discussão não vai nos levar a nada. Nikole está cansada e o médico pediu para ela desacelerar e descansar. Ela não teve um dia de paz e descanso. - Surya tem razão, vamos almoçar e por uma pedra nesse assunto. Os gêmeos logo vieram parabenizar nikole e se colocaram à disposição para o que precisasse. Arturo também se manifestou. - Parabéns Nikole. Eu nunca imaginei que viverei para ver um bisneto, devo isso a você. - Obrigada vovô! Após o almoço era hora de voltar para o trabalho e Nikole já estava para sair. - Eu te levo. - Não é necessário! Vou no meu carro, como já disse antes. - Vou levar você, precisamos conversar e já não pode ser adiado. - Não, vou no meu carro. Quero vir direto para casa mais tarde. - Entra no carro Nikole! Não me faça te levar nos braços. O padrinho já está chateado. Nikole observou que Arturo os olhava pela janela e não queria que ele presenciasse mais uma discussão. Entrou no carro e se sentou ereta sem faltar nada. Não demorou muito tempo para perceber que não iam em direção ao escritório. - Para onde está meu levando? - Para o hotel. Vamos conversar de uma vez por todas, não tem como fugir. Nikole entrou na suite do rapaz ainda em silêncio. - Porque não me avisou do bebê Nikole? - Não achei que iria se interessar. Afinal uma mulher que abre as pernas para qualquer um, não tem nenhuma credibilidade. O tapa na cara foi certeiro, mas Dominico pareceu não se importar. - Vamos nos casar o mais rápido possível. Seu avô tem razão, melhor antes da criança nascer. - Não vou me casar com você. Pode ir tirando essa ideia da cabeça. Além disso, você nem tem certeza se essa criança é sua. - Não brinque comigo Nikole! Você já era minha antes, agora então e que não abro mão de você. - Estou cansada desse papo, faça o que quiser. Agora vou trabalhar! Dom a puxou de volta antes que abrisse a porta. O médico disse para descansar, não tem que se matar trabalhando. Sou perfeitamente capaz de arcar com seu sustento e do nosso filho. De repente Nikole se sentiu cansada. Nada do que falava, ele levava a sério. - Não fale nosso filho. Esse bebê é meu e não quero você perto dele. Agora mais do que nunca eu pretendo trabalhar duro, não vou depender de você ou meu avô para sustentar meu filho. Sou perfeitamente capaz de fazê-lo. - Se estivesse pensando no bem estar dele, estaria descansando. Não seja teimosa, deixe o trabalho e se concentre no nosso bebê. - É o meu bebê! De um jeito ou de outro, vou me livrar de você. Então não perca seu tempo. Dessa vez ela conseguiu sair e para seu espanto, Dominico não a impediu. Mas assim que pisou na empresa, foi chamada por Carlos Ferraz. - Eu sinto muito Nikole, você precisa deixar a empresa. - O Sr não pode me demitir, estou grávida! - Por isso mesmo. Não posso desafiar o grupo Smiths, seria minha ruína. Nikole o encarou sem acreditar no que ouvia, Carlos Ferraz era um covarde. Depois de tudo que fez pela empresa, era dispensada de forma leviana. - Meu avó pediu? - Não! Todo mundo sabe que quem está a frente do grupo Smiths e o jovem Zaffari. Sua palavra tem tanto peso quanto a de Arturo Smiths. Pela primeira vez, Nikole entendeu a força do grupo Smiths, eles causavam medo nas pessoas. Mas ela não se importava com o status deles, seu pai tinha toda razão em incentivar para que fosse independente. Agora sabia exatamente o que seus pais passaram. - Não vou assinar nada, meu advogado entrará em contato. Saiu da empresa e não ficou surpresa ao ver o carro de Dominico por perto. Andou direto para ele com passos firmes. Quando Dom saiu do carro pronto para lhe abrir a porta, teve seu sorriso arrancado do rosto. - Eu sabia que não iria demorar. Nikole levantou a mão e deu um sonoro tapa em seu rosto. Sem se importar com as pessoas que olhavam chocadas. - Seu cretino!
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