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AMOR DUVIDOSO NO MORRO

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Blurb

Helena aprendeu cedo que o amor pode doer.Desde muito nova, Helena vive aprisionada sob o domínio de VK, o homem que comanda o morro, temido por todos, c***l dentro de casa e intocável do lado de fora. Anos de agressões, silêncio e medo a transformam em alguém que só sobrevive, nunca vive de verdade.Preso a ela por poder — e por uma filha que carrega o sangue dele — VK acredita que nunca vai perdê-la.Mas uma noite, ela foge.Com a filha nos braços e nada além de coragem, Helena atravessa fronteiras perigosas e se esconde em um morro rival, onde ninguém conhece seu passado. Só que liberdade também cobra um preço. Sem dinheiro, sem proteção e com fome batendo à porta, ela toma uma decisão que jamais imagina: vender o próprio corpo para sobreviver.É nesse novo inferno que ela cruza o caminho dele.Caveira.O dono do morro rival.Frio, respeitado e tão perigoso quanto o homem de quem ela foge — ou talvez ainda mais. Só que, diferente do passado, ele não a enxerga como posse.E isso muda tudo.Entre desejo, medo e segredos que podem custar sua vida, Helena descobre que fugir é só o começo, porque o verdadeiro perigo pode não ser o homem que fica para trás.Mas o sentimento que nasce onde jamais deveria existir.

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CAPÍTULO 1
HELENA NARRANDO ​O som da chave girando na fechadura era o sinal para o meu coração disparar. Para qualquer outra mulher, poderia ser o som do marido chegando em casa; para mim, era o som da minha contagem regressiva. ​Terminei de colocar os pratos na mesa com as mãos trêmulas. Antes de me virar, puxei a gola alta do vestido, garantindo que a marca roxa no meu pescoço, a "lembrança" da última terça-feira, estivesse bem escondida. O cheiro do tempero que ele gostava preenchia a cozinha, mas, para mim, aquele aroma tinha cheiro de medo e sufocamento. ​— Papai! — O grito alegre de Maya quebrou o silêncio pesado da casa. ​Eu a vi correr pelo corredor, os cachinhos balançando. Victor, o homem que mantinha o morro sob seu punho de ferro e a mim sob sua vigilância constante, abriu um sorriso. Era um sorriso que nunca alcançava os olhos quando ele me olhava, mas que brilhava com uma ternura quase real para a nossa filha. ​Ele a pegou no colo, girando-a no ar. Por um segundo, se alguém olhasse pela fresta da janela, veria a imagem de uma família perfeita. Meu estômago revirou. ​— Trouxe o que eu pedi, papai? — Maya perguntou, os olhinhos brilhando de expectativa. ​— Claro, minha princesa. Tudo o que você quiser — ele respondeu com aquela voz mansa, tirando uma boneca nova da mochila. ​Ele beijou a testa dela e a colocou no chão. Foi então que o seu olhar se voltou para mim. A luz de pai carinhoso apagou-se instantaneamente, substituída por uma frieza que parecia drenar todo o oxigênio da sala. ​— O jantar está pronto — eu disse, minha voz m*l passando de um sussurro. Eu não conseguia encarar os olhos dele. Sabia que qualquer brilho de desafio ali seria o fim da minha paz. ​Victor sentou-se no lugar de sempre. Ele ficou observando o prato por longos segundos. O silêncio era uma tortura física; eu podia ouvir o tic-tac do relógio na parede batendo junto com a minha têmpora. ​— Está sem sal — ele disse, calmamente, sem sequer encostar no garfo. ​— Eu...eu segui a receita que você me pediu, Victor. Tentei deixar exatamente como... ​O estrondo do prato sendo empurrado contra a parede me fez saltar. Estilhaços de cerâmica e comida voaram pelo chão. Maya deu um pulo, o sorriso sumindo do rosto, mas Victor foi rápido. Ele colocou a mão sobre a cabeça dela, o toque suave contrastando com a violência do gesto anterior. ​— Vá para o seu quarto brincar com a boneca nova, Maya. O papai precisa conversar com a mamãe sobre as regras desta casa — ele disse, com uma calma que me dava mais náuseas do que qualquer grito. ​Olhei para a minha filha, implorando em pensamento para que ela saísse dali logo. Maya, já treinada por esses momentos que ele chamava de "conversas", obedeceu em silêncio, arrastando a boneca nova pelo chão. ​Assim que a porta do quarto dela bateu, a mão de Victor fechou-se no meu braço. Ele me puxou para perto com uma força bruta, o cheiro de uísque e poder emanando dele. ​— Quantas vezes eu tenho que te ensinar, Helena? — ele sibilou contra o meu ouvido.—Eu te dou tudo. Esta casa, segurança, o melhor para a nossa filha. E você não consegue nem acertar a porcaria de um jantar? ​— Me desculpa, Victor... por favor, não foi por m*l. ​— Desculpas não mudam o fato de que você é inútil sem mim — ele apertou meu braço até eu sentir que o osso poderia ceder. — Você não duraria um dia lá fora. Quem te protegeria? Quem cuidaria da Maya se você fosse embora? Ninguém. Você morreria na sarjeta em menos de uma hora. ​Ele me soltou com um empurrão. Enquanto eu caía de joelhos para limpar os restos do jantar quebrado, ouvi o choro baixo da Maya vindo do quarto ao lado. Aquilo me atingiu mais do que qualquer golpe. ​Victor subiu para o quarto com a arrogância de quem é dono do mundo. Eu fiquei ali, no chão frio, recolhendo os cacos da minha vida junto com os da porcelana. Olhei para a mochila de escola da Maya pendurada perto da porta. ​Ele estava certo: eu poderia morrer na sarjeta. Mas se ficássemos ali, morreríamos lentamente, um pedaço de alma por dia. Eu não sabia o que me esperava fora desse morro, além das histórias de guerra que ele contava para me assustar. Mas pela primeira vez em anos, o medo do desconhecido parecia muito mais doce do que a certeza daquela cela de luxo. ​Eu não estava apenas limpando o chão. A cada dia, planejava o nosso último rastro. CONTINUA...

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