Eu andava de um lado para o outro, tentei controlar o choro e olhava para Dom deitado na cama improvisada, largado como se fosse um bicho, sem um mínimo de cuidados. Cheguei perto inúmeras vezes, mas me recordei que agora somos os traidores. Então coloquei a mão na testa do ruivo deitado e notei a febre alta. — Não vão te dar medicamentos, vão? — falei baixinho, tirei uma mecha ruiva de cima do sangue e olhei seus olhos fracos. — Vão. — sussurrou devagar — Eu acho. — Você não estava levando a gente pra um lugar seguro, estava? — ele negou e eu enchi os olhos de água — Quando eu sair daqui, Dom… eu quero você longe de mim e da minha filha. Eu fui pra um canto, sentei pensativa, chorei um pouco mais e ninguém apareceu. O frio do lugar estava forte, Dom tentou levantar e só gemeu de dor.

