Capítulo 12

1129 Words
O relógio marcava pouco mais de três da madrugada quando João acordou mais uma vez com o corpo inteiro em chamas. Estava suado, arfando, a pele fervendo como se tivesse acabado de sair de uma maratona. A mesma cena dos últimos dias — ou melhor, das últimas noites. O mesmo sonho. A mesma mulher. Aquela mulher da Grécia. Ele fechou os olhos com força, apertando os punhos contra o colchão. Seu corpo estava em desespero. A ereção era dolorida, intensa, pulsando com uma fome que parecia impossível de ser saciada. O lençol estava amarrotado, grudando na pele suada, e a cabeça latejava — e não era de dor, era desejo. Levantou, respirando fundo. Caminhou até o banheiro no escuro, como se seus pés já soubessem o caminho. Abriu o chuveiro no mais gelado que conseguiu suportar. A água despencou sobre sua cabeça, costas e peito, mas nem assim a rigidez no meio das pernas cedia. Pelo contrário, parecia que o frio só fazia seu corpo reagir ainda mais, como se o instinto quisesse provar que era mais forte do que qualquer tentativa de controle. Encostou a testa na parede de azulejos e apertou os olhos. — c*****o… — sussurrou para si mesmo. O problema não era apenas físico. Era mental. Era emocional. Era aquela mulher. Aquela mulher que ele só viu uma vez na vida. E, mesmo assim, tomava conta dos seus pensamentos, dos seus sonhos, dos seus desejos mais íntimos e incontroláveis. Ela tinha se tornado uma obsessão silenciosa — algo que ele não sabia como começou, nem como controlar. A lembrança dela era mais viva do que qualquer memória recente. O cheiro, o gosto da pele, os olhos que queimavam como brasa, e, principalmente, a forma como ela se entregou para ele naquela noite. Era mais do que sexo. Era algo diferente. Algo que ele nunca viveu antes — e nunca mais conseguiu viver. Desligou o chuveiro, jogou a toalha de qualquer jeito sobre os ombros, mas não conseguiu ir direto pra cama. Seu corpo pedia por alívio. Não dava mais pra lutar contra aquilo. Caminhou até o quarto, sentou-se na cama e pegou o controle remoto. Ligou a TV no canal pornô — não que precisasse muito de estímulo, mas qualquer coisa parecia justificar aquela necessidade absurda. As imagens na tela até se moviam, mas ele m*l as enxergava. Sua mente já tinha o próprio filme. Seus olhos fecharam lentamente. A mão envolveu seu m****o, já completamente duro, rígido, com as veias saltadas e a cabeça úmida, brilhando sob a luz azulada da TV. Era impossível pensar em qualquer outra coisa. Na sua mente, ela aparecia perfeita — do mesmo jeito que estava naquela noite. Cabelos bagunçados pelo vento da praia, sorriso malicioso no canto da boca, olhos brilhando como se fosse perigoso se aproximar, mas ainda assim, impossível não se render. A pele macia, quente, o cheiro inebriante. Ele apertou a base, subindo a mão devagar, puxando a pele até descobrir completamente a glande, sentindo aquela sensibilidade c***l. Um gemido rouco escapou da garganta. — p***a… — arfou, apertando os olhos. A mente voltou automaticamente àquela cena. As mãos dela percorrendo seu peito, as unhas riscando suas costas, os gemidos manhosos dela em seu ouvido. O jeito que ela o olhava — como se ele fosse o único homem do mundo. Ele nem sabia o nome dela. Na verdade, não sabia absolutamente nada sobre ela. Nem sobrenome, nem cidade, nem país. Só sabia que falava português, mas isso não queria dizer que fosse brasileira. Podia ser portuguesa. Podia ser de qualquer canto. E essa incerteza só fazia tudo ser ainda mais enlouquecedor. A mão começou a acelerar. Os músculos da coxa se retesaram, o abdômen encolheu. A respiração ficou mais rápida, mais pesada. Aquele desejo acumulado, reprimido há meses, desde o início da pandemia, agora parecia explodir em cada célula do seu corpo. Ele mordeu o lábio inferior, segurando, tentando prolongar o máximo que podia, mas não aguentava mais. Sentiu o líquido quente se acumulando, pressionando, prestes a escapar. As veias pulsavam, e com um último movimento forte, ele puxou a pele até o limite. — Ahhh… — gemeu, sentindo o jato quente escapar, sujando sua mão, sua barriga, seu peito. Mais forte do que esperava. Mais intenso do que imaginava. Ficou alguns segundos ali, de olhos fechados, sentindo o corpo inteiro relaxar, quase tremendo. Depois respirou fundo, levantou e voltou pro banheiro. Ligou novamente o chuveiro, dessa vez na temperatura morna. Lavou-se em silêncio, tentando, mais uma vez, se livrar dela. Mas não conseguiu. Quando voltou pro quarto, vestiu uma bermuda de moletom, uma camiseta, pegou seu notebook e seguiu pro escritório improvisado no canto da sala. O home office já fazia parte da sua vida há meses. A pandemia virou tudo de cabeça pra baixo. O mundo lá fora estava em pausa, mas as responsabilidades continuavam. Roberto, seu filho, era quem mais tentava manter a normalidade. Enquanto João fazia home office, Roberto seguia com os atendimentos presenciais e os planos de casamento. Estava prestes a se casar com a mulher dos sonhos dele — e João, como pai, não podia estar mais feliz por isso. Roberto era um grande homem. Um orgulho. Mas João… João também queria viver algo assim. Não queria mais noites vazias, nem sonhos que acordavam com mais força do que a própria realidade. Ele queria aquela mulher. Aquela que ficou cravada em sua memória, como tatuagem na alma. O problema era: como encontrá-la? Não sabia o nome. Não sabia onde morava. Não tinha telefone, não tinha nenhuma pista. Só o rosto dela gravado na memória. O sorriso, os olhos, o cheiro. A pele quente. A forma como dizia coisas no ouvido dele. A forma como gemia. Será que ela pensava nele também? Será que, assim como ele, ela acordava no meio da noite com o corpo em chamas, sentindo falta de algo que viveu apenas uma vez? Ou, para ela, aquilo foi só uma aventura? Um caso de viagem, daqueles que a gente guarda no fundo da memória e deixa lá, como lembrança bonita de dias felizes? Ele queria acreditar que não. Que ela também se conectou. Que ela também sentiu aquele algo diferente que ele não sabia nem descrever. Porque aquilo não foi só sexo. Aquilo foi um encontro de almas, de corpos, de energia. E ele não estava disposto a deixar aquilo se perder no tempo. Assim que a pandemia terminasse, assim que o mundo se abrisse novamente, João sabia exatamente o que faria. Ele iria procurá-la. Nem sabia por onde começar, mas não ia desistir. Afinal, no fundo do peito, ele carregava a certeza: esse sentimento não pode ser em vão. E se o universo os cruzou uma vez… pode muito bem fazer isso de novo.
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