O avião começou a perder altitude quando Alicia abriu os olhos lentamente. O aviso de apertar os cintos soava pelos alto-falantes, e a voz do comandante informava a todos que em poucos minutos estariam aterrissando em Atenas.
Ela olhou pela janela e sentiu o aperto.
Uma fisgada funda no peito.
O azul intenso do mar Egeu, o contraste das construções claras espalhadas pela paisagem... Era tudo tão familiar. Ali, naquela cidade, seu destino tinha mudado para sempre — e agora, por ironia c***l, estava de volta. Só que, dessa vez, ao lado do filho do homem que jamais saiu da sua memória.
Sentiu o estômago embrulhar.
Roberto percebeu o olhar vago dela e tentou um contato suave, pousando a mão sobre a dela.
— Tá tudo bem, meu amor? — perguntou baixinho, com carinho na voz.
Mas Alicia m*l teve coragem de olhar para ele. Estava engolindo a própria culpa, os pensamentos embaralhados demais para reagir como deveria. Apenas assentiu devagar, forçando um sorriso sem vida.
— É só cansaço… — murmurou, como quem tenta convencer mais a si mesma do que ao outro.
Ele não insistiu. Só acariciou a mão dela por mais alguns segundos e depois se voltou para a janela, ansioso para começar aquela viagem que ele planejou com tanto carinho.
O avião pousou com suavidade. No aeroporto, as malas apareceram rapidamente na esteira. Um motorista educado, com um cartaz discreto com o sobrenome de Roberto, os aguardava do lado de fora, pronto para levá-los até o hotel reservado.
O trajeto pela cidade era digno de filme. O trânsito calmo, as vielas, o cheiro salgado da brisa marinha. Roberto falava animado, apontando lugares pela janela, lembrando detalhes que havia pesquisado para impressioná-la. Mas Alicia m*l escutava. A mente estava presa no passado, naquela noite, naqueles toques, no gosto proibido daquele homem que agora, cruelmente, tinha um nome: João.
Como encarar o próprio marido depois disso? Como deitar na mesma cama que o filho daquele homem sem se sentir a pior pessoa do mundo?
O hotel escolhido por Roberto era maravilhoso. Um resort de luxo, com vista privilegiada para o mar, piscinas de borda infinita, decoração elegante em tons claros e naturais. Um verdadeiro paraíso. Alicia respirou fundo, tentando encontrar alguma paz naquele lugar que, por dentro, estava desmoronando tudo o que ela conhecia de si mesma.
Ela devia isso a Roberto. Ele merecia essa lua de mel. Merecia mais do que ela tinha condições de oferecer, mas pelo menos tentaria.
À noite, após o jantar, ela decidiu agir.
Vestiu uma lingerie delicada, branca, rendada, deixando o robe escorregar pelos ombros. Ligou uma música baixa no celular, uma batida sensual misturada ao som do mar que entrava pela sacada aberta. Ela não sabia ao certo o que estava fazendo, mas precisava apagar aquela dor nem que fosse por alguns instantes. Precisava esquecer João, esquecer o erro, esquecer o acaso que agora a prendia numa teia c***l de destino.
Começou a dançar devagar, os pés descalços no tapete macio do quarto, os quadris se movendo num ritmo lento e provocante. O olhar preso no dele.
Roberto a observava com os olhos arregalados de desejo e surpresa. Aquela mulher era dele. Linda, entregue, perfeita.
— Ah, minha gata… — sussurrou, sorrindo enviesado, já tirando a camiseta pela cabeça, indo até ela como um predador sedento pela presa.
Ela deixou o robe cair, ficando nua diante dele. Sentia o coração disparado, mas também uma raiva crescente de si mesma por tudo aquilo que escondia. Ele não merecia a mentira, mas merecia o prazer. E era isso que ela tentaria dar.
Roberto a agarrou pela cintura, colando seus corpos. Passou as mãos pela pele dela como quem desenha um quadro, explorando cada centímetro devagar.
— Hoje vai rolar, né, minha gata? — provocou no ouvido dela, mordendo levemente o lóbulo. — Você tá me deixando louco.
As mãos dele desceram pelas curvas dela, segurando firme nas coxas, subindo pelas costas, trazendo arrepios por onde passava. Alicia fechou os olhos, tentando desligar a mente e se concentrar apenas no toque, no calor, no agora.
Mas por mais que tentasse, lá no fundo, a imagem de João surgia nítida. O jeito que ele a beijou naquela noite na praia. O toque firme, a pegada certa, os gemidos roucos que faziam seu corpo estremecer. O gosto proibido. O erro. A paixão.
Não, pensou. Não posso pensar nisso agora.
Roberto a virou de costas devagar, beijando a nuca, as costas, descendo até a curva da cintura. O corpo dela reagia por instinto, mas a mente... a mente gritava.
— Você tá tão linda... com essa pele gostosa, tão macia... — sussurrava, completamente entregue a ela.
Os beijos dele eram desesperados, carentes, apaixonados. As mãos firmes, possessivas, como se ele estivesse dizendo sem palavras: Você é minha. Só minha.
Alicia mordeu o lábio inferior, tentando conter o choro que teimava em querer vir. Era um conflito insuportável. Desejo e culpa misturados, rodopiando dentro dela como um furacão.
Ele deitou com ela na cama, cobrindo-a de beijos e carícias, percorrendo com a boca cada pedaço da sua pele.
Ela não respondeu à pergunta dele. Não disse que sim. Mas não o impediu também.
Estava tentando. Por ele. Por eles.
Mas a sombra de João ainda estava ali, invisível, entre os dois.
E ela sabia que aquele seria apenas o começo do tormento que viveria nos próximos dias. Porque mais cedo ou mais tarde, tudo aquilo viria à tona.
E ela não tinha a menor ideia de como sairia inteira dessa história.