Maya estava na empresa, a entrevista estava marcada para aquele dia.
Estava um pouco nervosa, afinal era uma entrevista na empresa que sempre quis trabalhar.
Desejou aquilo desde que havia se formado na universidade, estava realizando um sonho.
Ou melhor, parte dele, já que não estava nada decidido, só saberia após a entrevista.
Balançava sua perna insistentemente, o que sempre fazia quando estava nervosa.
Maverick viu o quanto ela estava nervosa, se aproximou para acalmar o coração dela.
--- Está muito nervosa, o que houve?
--- Só que estou fazendo uma entrevista de emprego para uma empresa que sempre sonhei trabalhar.
--- Bom, não digo que esse possa ser o melhor sonho de todos, eu não desejaria trabalhar aqui se soubesse como é realmente trabalhar aqui.
--- Maverick, não é tão r**m assim, a parte r**m é que você trabalha diretamente com Vicent, não coloque a culpa na empresa.
--- Tudo bem, eu não irei mais dizer que é péssimo trabalhar aqui.
Com aquela conversa Maya conseguiu se distrai, sorriu com a conversa de Maverick.
Próximo a eles Vicent os observava, estreitou os olhos para aquela cena em que parecia um casal romântico.
Maverick estava mesmo merecendo uma boa surra, faria isso quando tivesse uma oportunidade.
Pensou em sair dali, se virou para ir embora, mas seu braço foi segurado por mãos femininas.
Primeiramente olhou para as mãos, depois para o rosto, Maya estava ali com um sorriso no rosto.
Não sabia o motivo do sorriso mas estava curioso para saber o que exatamente se tratava.
Também não deixou de notar que aquele era o sorriso mais lindo que já havia visto em toda a sua vida.
--- Por que está me encarando assim? Acha que tenho o sorriso mais encantador que já viu?
--- Não coloque palavras em minha boca.
--- Fiz apenas duas perguntas.
Vicent olhou para as mãos de Maya que ainda estavam em seu braço, levantou uma sobrancelha.
Estava esperando que ela soltasse por vontade própria mas isso não aconteceu, ela apenas o encarou de volta.
Aquilo se tornou uma briga intensa de olhares, uma disputa para quem encarava mais.
--- Não vai soltar o meu braço?
--- Eu poderia, mas é a primeira vez que estou tocando em você, a sensação é ótima.
Pela primeira vez na vida Vicent se sentiu envergonhado, por pouco não ficou vermelho.
--- Você é sincera demais, sempre fala o que deseja.
--- Não gosto de rodeios, nunca gostei, e se é relacionado a você eu não gosto menos ainda.
--- A entrevista ainda não aconteceu?
--- Não, outros candidatos estão lá dentro, quer se livrar de mim?
Vicent não respondeu, não tinha coragem de dizer que queria se ver livre dela.
E nem era por que não tinha coragem, ele não queria isso de modo algum, nunca desejou isso.
--- Você não vai me responder, acho que ainda não deseja falar nada para mim, mas ainda posso esperar.
--- Já disse para não fazer isso.
--- Acho que você não manda em mim, e já que sequer deseja me ver por perto, por que eu ouviria você?
Maya deu um sorriso doce e gentil, uma grande farsa comparado ao modo ameaçador que ela falou.
Ela se virou e foi para sala de entrevistas, percebeu ao olhar para a mulher que fazia a entrevista, ela não era amigável.
Hiana era uma das funcionarias mais rígidas da empresa, por isso era ela quem fazia entrevistas.
Por ser a mais rígida ela era também a que mais escolhia os melhores funcionários.
A personalidade dela real, na verdade, não era tão rígida assim, ela só assumia a pose rígida nas entrevistas.
Maya porém não sabia desse detalhe, mas iria descobrir em pouco tempo.
Isso se tivesse a oportunidade de conhecê-la que não fosse na entrevista.
--- Por que deseja trabalhar aqui?
--- É um sonho.
--- Sonho? Acha que poderá fazer o seu trabalho bem se tratar isso como um simples sonho?
--- E por que não? Por acaso não seria eu que determinaria isso?
Naquele momento estava parecendo uma batalha, batalha essa que estava indo bem.
Na verdade, Maya não via aquilo somente como um sonho, ela queria trabalhar ali também porque era uma boa profissional.
Aquela empresa simplesmente contratava os melhores funcionários do mercado, e Maya era uma.
Difícil seria provar para ela que era uma excelente profissional.
--- Uma semana de teste, um trabalho vai ser designado a você e espero que termine em uma semana, se der tudo certo e provar o seu potencial, veremos o que pode ser feito.
--- Fechado.
Selaram o acordo com um aperto de mão, na verdade Hiana sabia sim do potencial de Maya.
Antes que ela chegasse para a entrevista, pesquisou minuciosamente sobre o trabalho dela.
Descobriu que ali na empresa jamais entraria uma designer tão habilidosa quanto ela.
Precisava mesmo era testar se ela suportaria trabalhar ali na empresa, trabalhar ali era o sonho de muitas pessoas.
E mais da metade dessas pessoas que sonhavam em trabalhar ali não aguentavam um dia.
O ritmo de trabalho era insano, todos estavam sempre irritados e fazendo tudo às pressas, mas com perfeição, claro.
Não era de se esperar menos com um CEO maníaco por trabalho, cada detalhe tinha que sair perfeito.
Maya passou no departamento de designer da empresa, conversou com alguns que em breve seriam seus colegas.
Sua tarefa seria criar personagens para um jogo de extrema importância.
Seriam personagens novos, para trazer uma versão mais atrativa para os jogadores.
Desse modo, nas mãos de Maya estava o primeiro trabalho tão importante que lhe foi entregue.
Balançou sua cabeça positivamente, faria aquele trabalho com toda a sua habilidade que foi guardada por anos.
Fazia um bom tempo que não trabalhava em sua área, e isso seria um desafio ainda maior.
Encontrar personagens atrativos em sua imaginação não seria nada fácil, mas precisava tentar.
Habilidades tinha de sobra, o problema seria encontrar em sua imaginação algo que pudesse ser extraordinário.
Não bastava apenas ser bom, tinha que ser o melhor possível tinha que provar o seu valor.
Mostraria a Hiana quem realmente era, e que poderia ser uma ótima funcionária para a empresa.