Complexa.

1037 Words
A noite Maya estava no quarto, cuidava do seu corpo como sempre fazia todas as noites. Vicent não sabia da rotina de cuidados dela, por isso entrou no quarto sem bater na porta. Se deparou com Maya de toalha, com a perna apoiada em um poltrona passando hidratante. Virou-se rapidamente, não tinha a intenção de invadir o espaço dela, mas já havia invadido. --- Desculpe Maya, não imaginei que estivesse dessa forma. --- Não se preocupe, não é nada demais, somos casados de qualquer forma. --- Você é incrível, sabia? Fica com vergonha se falo palavras bonitas, mas nem pisca o olho se eu te vejo somente de toalha. Maya sorriu genuinamente, e Vicent pensou que estava totalmente perdido. Perdido naquele sorriso encantador, e tão genuíno que era capaz de desmontá-lo em um só segundo. Não foi intencional, mas passou a reparar no corpo de Maya, e havia algo que não passou batido aos seus olhos. Pelo corpo de Maya havia marcas, evidentes, se perguntava onde ela conseguiu se machucar tanto. --- O que houve com seu corpo? --- Não é atraente? --- Estou falando sério Maya, por que essas marcas? --- Eu vou contar a você, quando eu estiver preparada. --- Só me responda uma coisa. --- Sim, foi alguém que fez, eu não tenho elas por que fiz alguma coisa, ou por que eu mesma fiz. A respiração de Vicent pesou, sentiu seu coração pegando fogo, incendiado pelo tamanho ódio que sentia. Jamais pensou que poderia sentir tanto ódio em seu coração, mas nada era impossível nesse mundo. Não importa quem tenha feito aquelas marcas em Maya, tudo que desejava era arrancar cada parte do m****o de quem fez aquilo. E Maya percebeu isso, pegou uma camisola longa, se vestiu, sabia que se Vicent continuasse a procurar por mais marcas, ficaria ainda pior. Ainda não estava preparada para contar a ele tudo que havia acontecido no passado. Mas ainda assim, uma hora ou outra teria que contar, isso tinha plena certeza. Enquanto Vicent seguia para o banho, Maya foi dar uma olhada nas crianças. Depois de constatar que elas estavam dormindo como dois anjinhos, voltou para o quarto e se deitou na cama. Foi um dia de longas surpresas, precisava reunir forças para o dia seguinte. Antes de fechar os olhos ainda pôde ver Vicent passando somente de toalha, um estilo peculiar, e altamente atraente. Fechou seus olhos repreendendo seus próprios pensamentos, estava sendo uma pervertida isso sim. Balançou sua cabeça negativamente e fechou seus olhos, só precisava dormir para tirar aqueles pensamentos da sua cabeça. Vicent voltou do closet já vestido, olhou para Maya e viu que ela já dormia, deitou ali mesmo na cama. Pensou que talvez ela não poderia se importar com isso, afinal, não era algo de outro mundo dormir na mesma cama que alguém. Antes de se perder totalmente em seu sono, ainda pôde sentir o cheiro maravilhoso de Maya, aquele cheiro dava a sensação de lar. Foram anos sem que pudesse sentir aquela sensação, mas agora estava sentindo claramente. Quando abriu os olhos pela manhã, Maya não estava mais na cama, pensou que tinha acordado tarde demais. O que não parecia ser verdade já que olhando no relógio constatou que era muito cedo. Desceu as escadas, antes de se aproximar da cozinha sentiu o cheiro maravilhoso de café fresco. Adorava aquele cheiro mais que tudo em sua vida, só não apreciava o gosto do café. --- Bom dia, gosta de café? --- Não, eu gosto do cheiro. --- Latte? --- Sabe como fazer? --- Vai tomar o melhor Latte que já experimentou na vida. Maya pegou todos os ingredientes, não estava fazendo as vontades de Vicent, e nem obedecendo ordens dele. Na verdade, Maya era o tipo de mulher que gostava de agradar o marido, isso se o marido pudesse merecer. Não que Vicent estivesse merecendo, ainda assim, não fazia m*l preparar um Latte pra ele. Concentrou-se no que estava fazendo, precisava colocar seus esforços ali. Sorriu quando já estava pronto, colocou a xícara em cima do balcão, em frente a Vicent. Ele olhou com um sorriso genuíno para o Latte, isso gostava, não tinha como negar. Sentiu primeiramente o aroma incrível daquela bebida, e que aroma, nunca sentiu nada igual. Pegou a xícara, deu um gole, fechou os olhos tentando aproveitar o máximo que conseguiu. --- Então? --- Maya, esse é o melhor Latte que já experimentei em toda a minha existência. --- Eu disse que faria o melhor, mas não se acostuma. --- Deveria ter falado antes de eu ter tomado o primeiro gole. --- Vá acordar às meninas. --- Ok. Seguiu para o quarto delas, era a primeira vez que iria acordar suas filhas. O sentimento de nervosismo estava ali mais uma vez, apesar de ser uma tarefa tão simples quanto acordar duas crianças. Essa tarefa simples se tornava a mais complexa de todas, se nunca havia feito uma única vez na vida. Se aproximou primeiramente da cama de Audrey, sorriu ao olhar para ela. A última vez que havia apreciado sua filha com tanto amor foi quando ela ainda havia nascido, com o tempo foi se esquecendo de fazer isso. Ou melhor, foi deixando isso de lado, por outras coisas que só fez perder a verdadeira essência da vida. Deu um beijo castro na testa dela, Audrey logo despertou, estranhando aquele ato é claro. --- Bom dia querida, está na hora de acordar. --- Bom dia pai. Ao acordar Freya, percebeu que ela ficava desligada quando acordava, a pegou no colo. Antes que pudesse sair do quarto, Maya chegou, pegou Freya dos braços dele para dar banho nela. Era somente assim que ela despertava por completo, e Freya já havia se acostumado com o banho da manhã rotineiro. Como Audrey também foi para o banho, Vicent foi para a cozinha, chegando lá a mesa estava posta. Aquele era o café da manhã mais farto que já esteve em sua mesa. Se perguntava como poderia existir no mundo uma mulher como Maya, ela simplesmente era incrível. Estava cuidando das crianças tão bem, que nem eram sua filhas, muitas mulheres não fariam isso. E Maya estava fazendo por conta própria, assumindo uma responsabilidade que jamais foi dela.
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