Era hora de ir embora Maya organizou as coisas de Audrey e Freya.
As duas faziam uma enorme bagunça, e sempre espalhavam suas coisas.
Não que elas não organizassem depois, Maya as ensinou a sempre organizarem a própria bagunça.
Isso fazia a diferença na vida de uma criança, assim elas já saberiam o que deveriam fazer.
Para Maya era super tranquilo cuidar de duas crianças, elas eram obedientes.
E além disso nunca faziam nada sem antes perguntar a Maya se podiam.
Estavam aprendendo aos poucos como era ter um adulto para se responsabilizar por suas vidas.
Elena parou na porta observando ela organizar a bagunça das crianças sorrindo.
Nem tinha como negar, ela era realmente uma mulher incrível, isso era inegável.
--- Podia ter deixado do jeito que estava, eu pediria a faxineira para organizar.
--- Nem pensar Elena, já passamos um fim de semana inteiro aqui, como eu poderia deixar bagunça para trás?
--- Tudo bem, me esqueci que você é esse tipo de pessoa maravilhosa.
--- Sinto muito se atrapalhei o momento de vocês.
--- Ei, quem disse a você que atrapalhou alguma coisa?
--- Vicent não ficou a vontade comigo aqui, desse modo vocês não puderam aproveitar como sempre fizeram.
--- Maya, agora você também é da família, posso aceitar você como minha filha o que acha?
--- Isso não mudaria o fato de que Vicent fica desconfortável comigo por perto.
O pensamento de Maya estava cheio de preocupações, e parte delas era relacionadas a Vicent.
Não pensou que sua vida ficaria tão complicada com o desconforto dele em relação a sua presença.
Agora não sabia como fazer para mudar aquela situação, se bem que sabia sim o que fazer.
Porém, estava pensativa, não queria ter que fazer aquilo, mas não tinha saída.
Olhando para Maya, Elena percebeu que ela estava pensativa demais e indecisa.
Se aproximou dela, pegou em sua mão, levou ela e se sentaram na cama, fez carinho na mão dela.
--- Querida, o que tanto te preocupa?
--- Eu quero um casamento feliz Elena, mas Vicent foge de mim como se eu fosse a pior pessoa do mundo, e me evita, como se eu tivesse uma doença infecciosa.
--- Sabe o que mais importa aqui?
--- O que?
--- Que seja feliz, viva bem Maya, deseje um casamento feliz com Vicent, mas não permita que esse pensamento te preocupe tanto assim.
--- Eu vou tentar, mas é tão difícil.
--- Jamais se esqueça que você tem livre arbítrio.
--- Não vou me esquecer.
Ter livre arbítrio era uma grande novidade para Maya, ainda não havia se acostumado com essa ideia.
Era complicado para alguém que havia passado anos vivendo o pior inferno de todos.
Não seria fácil para nenhuma pessoa e com Maya não poderia ser diferente, estava se acostumando.
Com tudo devidamente organizado saiu do quarto acompanhada de Elena, as crianças já esperavam.
Audrey aprendeu a gostar de passar o dia na casa de seus avós, afinal não tinha nem escolha.
Maya deixou bem claro que as duas deveriam ir sempre na casa dos avós, mesmo que ela não fosse.
As duas já haviam passado muito tempo longe do convívio de outras pessoas.
A tarefa de Maya agora era fazer com que as duas se socializassem o máximo que pudessem.
Se despediu de todos, e seguiram para casa, no dia seguinte voltavam a rotina.
Vicent ficou na casa de Elena, observando o carro sumir na rua, sentindo algo inexplicável.
--- Viu as suas filhas irem embora e nem mesmo se despediu Vicent?
--- Eu não posso mãe, se eu começar a mudar com elas agora, com certeza irão sentir falta se eu não tiver tempo para fazer isso.
--- Não ter tempo Vicent? É isso que tanto preocupa você?
--- Como não mãe, eu tenho a maior empresa no mundo em todos os quesitos.
--- No momento você tem todo o tempo do mundo meu filho, tem uma família, e sua empresa está muito bem, mas amanhã será um outro dia.
--- Do que a senhora está tentando falar mãe?
--- De que o seu tempo pode acabar a qualquer momento Vicent, em um estalar de dedos isso pode acabar, e ai não será essa grande empresa que vai fazer sua vida ter valido a pena.
Aquele era o pior choque de realidade que uma mãe poderia dar em um filho, Elena não se importava.
Foram as palavras mais duras que já disse a seu filho, mas tinha que ter dito isso.
E Vicent viu toda a sua vida passar em sua memória em um piscar de olhos, como um filme.
Tudo que havia feito nos últimos anos, das coisas simples as mais complexas.
O casamento fracassado de anos que teve, que não valeu absolutamente nada.
Mas se lembrou também que foi desse casamento fracassado que conseguiu algo precioso.
Duas maiores preciosidades da sua vida veio daquele casamento, por isso era muito grato.
Suas filhas, as filhas que sempre deveria dar amor, carinho, cuidado, p******o, doar todo o seu tempo.
Eram elas, as duas eram mais importantes que todas as empresas do mundo juntas.
Filhos não poderiam jamais serem substituídos, mas Vicent ocultou esse fato por muito tempo.
Maya, ela era a mulher dos sonhos de qualquer homem no mundo, a mais perfeita que já existiu.
Também a mais perfeita das que viriam a existir, não tinha como haver no mundo alguém como ela.
Sonhou com ela por anos, desejou vê-la uma única vez para m***r a saudade.
Agora estava casado com ela e tinha a oportunidade de vê-la todos os dias.
Oportunidade essa que estava sendo jogada fora, como algo sem importância.
Vicent sorriu, não poderia mais permitir que sua vida continuasse daquele jeito.
Correu para o carro, saiu como um louco do condomínio que os pais moravam.
Enoch sorriu vendo o irmão ir embora, já poderia prever o que aconteceria a partir daquele momento.
Foi um fim de semana intenso, estava mesmo merecendo uma grande reviravolta como aquela.
Balançou sua cabeça negativamente sorrindo, seu irmão não era um caso tão perdido assim.
Por todo o caminho, Vicent não parava de pensar em tudo que já havia falado.
As coisa ruins que falou para Maya precisava concertar tudo aquilo.
Desceu do carro aos tropeços, encontrou Maya no quarto com as crianças.
A expressão de dúvida era evidente do rosto de Maya, aquele momento era inesperado.