--- Você teve a oportunidade de recomeçar quando se divorciou de Astrid, está tendo mais uma oportunidade agora que se casou com uma mulher que será uma ótima mãe, e que deseja ser uma ótima esposa, mas está desperdiçando essa chance.
--- Não é nada disso, eu só não quero outra vida e muito menos uma esposa Enoch.
--- Será mesmo que não? Em todos esses anos você falou diversas vezes sobre essa mulher, e em nenhuma das vezes eu vi você falar isso sem que seus olhos brilhassem.
--- Está brincando comigo, é claro que meus olhos não brilhavam quando eu falava dela.
--- Você mesmo está se enganando mais uma vez Vicent, e dessa vez, se perder ela, a perderá para sempre.
Enoch não estava falando aquilo para colocar medo em Vicent, só era a mais pura verdade.
Tudo que queria era ver seu irmão se tornar um pai tão bom quanto era bom em seu trabalho.
E além disso, queria também que ele se tornasse um marido e fosse feliz.
Recomeço, era isso que desejava para o seu irmão, mas não parecia ser bem isso que Vicent queria.
Convencer Vicent a fazer algo muitas das vezes era perda de tempo, Enoch o conhecia muito bem.
Sabia que não existia nada no mundo que fosse tão cabeça oca quanto Vicent.
--- Tá, você não vai mesmo me escutar de qualquer forma, então apenas continue a fazer exatamente o que está fazendo, assim perderá ela ainda mais rápido.
--- Eu nem a tenho, como posso perder?
--- Não que ela seja um objeto, mas você está tendo a chance de não só conquistar o coração dela, mas viver uma vida longa e feliz ao seu lado, e pelo que vejo, irá jogar essa grande oportunidade fora.
--- Ela vai se cansar e vai desistir, acredito que não tem como esperar por alguém tanto tempo, não vou tentar conquistar o coração dela, não preciso disso.
--- Tudo bem, se você está dizendo.
Deixou Vicent para lá, não precisava mas discutir com ele sobre esse assunto, ao que parecia ele estava decidido.
Maya estava indo para casa dos pais de Vicent, queria conhecer os dois já que nunca tinha os visto.
Seria uma péssima nora se não fosse nem mesmo visitar seus sogros para conhecer.
Ainda que Vicent não visse aquele casamento como real, para ela era mais real que nunca.
Levava Audrey e Freya, não deixaria as duas ali sozinhas, não era uma pessoa tão r**m assim.
Além disso já via as duas como suas filhas, na verdade já sentia isso desde que passou a morar com elas.
A cada dia que passava se sentia ainda mais feliz por estar com elas, apesar de não da forma que desejava.
Desejava mesmo era estar com Vicent também todos os dias, mas isso ainda não era possível.
O motorista as deixou em frente a casa de Elena e Omar, ficou analisando um bom tempo o local.
Ao que parecia eles moravam em um condomínio, não tão luxuoso quanto o que Vicent morava.
Tocou a campainha e esperou pacientemente, logo a porta foi aberta antes que pudesse respirar.
Quem abriu foi Elena com um sorriso gigante e amigável, Maya se sentiu acolhida somente naquele ato.
--- Maya, eu estava esperando por você a dias.
Recebeu um abraço ainda mais acolhedor, seu coração não demorou a se aquecer.
Elena deu um abraço apertado em suas netas, sentiu enorme falta delas, fazia tempo que não as via.
--- Entre, e fique a vontade.
Maya entrou foi com Elena para uma área, foi servido duas xicaras de chá para elas.
O que percebeu ao entrar na casa foi que ali parecia um ambiente materno e caloroso.
Algo que somente os filhos sentiam ao entrar na casa de uma mãe, Maya sentiu exatamente isso.
--- Gostou da decoração?
--- Me dei conta de que quero minha casa com cores mais claras.
--- Claro, posso te recomendar um arquiteto incrível.
--- Irei mesmo precisar.
--- Parece que se dá muito bem com as duas, Audrey veio sem reclamar.
--- Não dei escolha a ela, enquanto eu for casada com Vicent eu serei responsável por ela.
--- Você é bem decidida quanto ao que quer, eu gosto disso.
--- Audrey tem um gênio difícil por conta da falta de amor e cuidado da parte dos pais, terei que ensina-la como ser uma criança.
--- E vai ter um trabalho árduo, eu ate tentei fazer alguma coisa, mas como bem já percebeu, Audrey se parece muito com o pai nesse quesito.
--- Realmente, nem sei como é possível se parecerem tanto assim.
Audrey tinha totalmente as características do pai, as ruins é claro não poderiam ser boas.
Já Freya não se parecia tanto nem com o pai e muito menos com a mãe, mas com a tia.
Clair era a filha mais nova de Elena e Omar, tiveram somente três filhos, o número ideal para eles.
--- A senhora vê seus filhos com frequência?
--- Sim, excluindo Vicent é claro, eu nem tenho que explicar.
--- Entendo, Vicent é a pessoa mais difícil que já conheci, não entendo como ele pôde ser assim com pais tão amorosos.
Maya falou isso enquanto olhava para Omar brincando com Freya e fazendo palhaçadas a Audrey.
Só em olhar para eles conseguia sentir em seu coração que eles eram os melhores pais do mundo.
Era inacreditável que com um exemplo de pais tão incríveis, Vicent tenha se tornado o pior pai do mundo.
Mas se bem que entendia, o exemplo importava, mas o interesse em levar o exemplo para a vida também era importante.
--- A senhora é uma ótima mãe, Vicent que não é um bom filho e pai.
--- E acha que não sei disso?
--- Não seria tão incrível se não soubesse o seu valor.
--- Exatamente assim que penso, e sei que você é assim também, não planeja ficar indo a empresa atrás de Vicent certo?
--- Não senhora, quero trabalhar lá, mas porque é um sonho pessoal, e além disso, Vicent é adulto, quando ele estiver decidido virá até mim.
--- Exato, ele nem mesmo merecia ter uma esposa tão incrível quanto você.
--- Não sou tão incrível assim.
--- Só em estar com Vicent você já é incrível, não é qualquer pessoa que seja capaz de suportar ele.