Omar sorriu, bem que estava prevendo Vicent ficar como um bobinho apaixonado por Maya.
Isso não era r**m, mas era hilário, ele pisou o pé tantas vezes e afirmou que não estava interessado em Maya, o que não foi verdade.
Não tinha mais volta, ele estava apaixonado por Maya, tanto que poderia ver nos olhos dele naquele momento.
--- Do que o senhor está rindo pai?
--- Do fato de ter dito muitas vezes que não tinha interesse em Maya.
--- Isso é passado pai, eu não sabia o que estava falando.
--- Claro, só por que é passado quer esquecer certo? Mas não se esqueça disso, em memória ao esforço de Maya, não foi fácil pra ela ter que esperar sua boa vontade e interesse.
--- Parece até que Maya é filha de vocês e não eu.
Vicent disse isso olhando para a mãe conversando com Maya alegremente, as duas já eram grandes amigas.
Omar adorava a presença de Maya naquela casa, Elena ficava feliz, automaticamente ele também ficava muito feliz.
Sem contar que agora suas netas o visitavam com mais frequência, esse era um ponto muito positivo.
Maya realmente tinha feito muitas mudanças depois que chegou na vida de Vicent.
Na verdade, a mudança tinha acontecido desde que Vicent se encontrou com ela a alguns anos atrás.
--- Estão planejando ter outro filho?
--- Maya disse que não pode ser mãe.
--- Por que não?
--- Eu não me informei muito bem, mas ela disse que descobriu ainda na adolescência.
--- Ah, estou me recordando, Maverick contou que Maya não pode ter filhos.
--- Claro que ele já sabia pai, caso contrário, como poderia lutar tanto para que eu me casasse justo com ela.
--- Maverick é um grande amigo, se eu fosse você daria mais valor a essa amizade, não é todos os dias que encontramos pessoas dispostas a fazer tanto por nós.
--- Eu sei que sim pai.
É claro que Vicent sabia, antes ele não dava tanta atenção a esses detalhes, agora as coisas eram diferentes.
Estavam se importando mais com as coisas que não podia enxergar se não desse a devida atenção.
Os tempos eram diferentes, sua mentalidade havia amadurecido juntamente com o seu recomeço.
Elena e Omar não abriram mão de ter Maya e Vicent ali naquela noite, os dois não conseguiram ir embora.
Passariam a noite ali e só no dia seguinte iriam para casa, Audrey e Freya adoraram a ideia de passar mais algum tempo na casa dos avós.
Elena estava com Maya na área de lazer, tomavam chá enquanto apreciavam a brisa noturna.
O ar fresco e o balançar das árvores deixava o clima leve e tranquilo.
Era também por aquele motivo que Maya gostava tanto de visitar a casa de Elena e Omar.
--- Eu gostaria de morar em um lugar que tivesse ao menos um pequeno pedaço da natureza.
--- Me esqueci do fato de que na casa de Vicent não tem nada que lembre a natureza, foi uma casa muito m*l elaborada.
--- Um dia eu irei mudar muita coisa naquela casa.
--- Tem o meu total apoio, acho que aquele lugar está precisando de uma repaginada.
Pensando em repaginada, Maya pensou que sua vida estava também precisando de uma.
Na verdade, nem era a vida em si, mas o seu estilo, cabelo, modo que se vestia, queria mudar um pouco.
Não falava muito sobre o assunto, mas às vezes batia a insegurança, uma hora se achava linda, mas quando via suas marcas, as coisas mudavam.
Queria sumir com aquelas marcas do seu corpo, esquecer completamente que viveu anos tão dolorosos.
O que não era fácil, nem sabia se era possível se livrar de todas as marcas que tinha.
--- Como se sente agora que Vicent mudou totalmente.
--- Medo.
--- Medo do que?
--- De que isso seja apenas um sonho e que eu possa acordar, ainda é difícil acreditar que aquele homem arrogante e bipolar se tornou o Vicent que eu vejo agora.
--- Dá pra imaginar, você acabou de conhecê-lo, não julgo você, mas para mim que sabia a verdadeira essência dele, não é bem uma surpresa.
--- Ele já era assim?
--- Alguns anos antes de conseguir criar a empresa Vicent era exatamente como é agora, o que mudou ele foi a obsessão pelo trabalho.
--- Entendo, talvez uma nova empresa tenha colocado na mente dele que ele precisava ser um grande CEO.
--- E ele realmente se tornou um, mas isso custou caro, muito caro.
--- Está tudo bem agora, ele mudou, isso já é um ótimo começo para quem vivia pelo trabalho e só.
--- Isso é mais que um começo querida.
Maya conseguia entender Elena, passou uma situação parecida quando Audrey começou a mudar.
Sentiu seu mundo ser renovado quando ela finalmente passou a agir como uma criança de verdade.
Ver Audrey com uma personalidade diferente e vivendo a vida como deveria era a grande alegria de Maya.
Sua vida estava ótima como estava, e isso também causava medo, deixava seu coração assustado.
Aquela tranquilidade toda causava um grande alvoroço em seu coração.
Tudo estava muito bom para ser verdade, tinha medo que algo acontecesse a qualquer momento.
Sabia que ele poderia surgir dos mortos a qualquer momento, se encontrar com ele ainda não estava em seus planos.
Iria acabar estragando a grande alegria da sua vida se ele aparecesse repentinamente.
Seria perfeito se nunca o encontrasse, mas não era como se pudesse decidir isso.
--- Algo te preocupa Maya, espero que algum dia possa compartilhar isso com alguém.
--- Quero criar coragem e contar a Vicent, mas tenho medo de como ele possa reagir.
--- Querida, se não está se sentindo segura não o faça, tem liberdade para fazer quando quiser, mas quando o fardo pesar demais, conte a Vicent o que sente, ele saberá o que fazer.
--- A senhora acha que ele me consolaria?
--- Eu não diria isso, ou melhor, dependeria da situação pela qual você passou, Vicent costuma ser explosivo se algo é extremamente desumano.
Naquele momento Maya sentiu seu coração acelerar, não tinha mais certeza se deveria contar tudo que passou a Vicent.
Sua vida estava sempre a colocando contra a parede, fazendo com ela faça escolhas importantes e decisivas.
Pensar no mar de incertezas que era sua vida, deixava sua mente frustrada.
Mal dormia direito a noite, não parava de pensar que uma hora, sua vida poderia ser virada do avesso com a aparição dele.