Pequeno detalhe?

1064 Words
Sofrer nas mãos de um maníaco não era o desejo e nenhuma mulher. E apesar de nunca ter desejado isso, Maya sentiu na pele como era ser pisada, humilhada e espancada. Durante anos ela sofreu o pão que o d***o amassou, sem nem ter a chance de se defender. Ao passar de todos aqueles anos, não houve um único dia em que ela não tenha desejado se livrar. Queria liberdade, viver a sua vida do modo que queria, e realizar seus sonhos. A primeira vez que Felicia falou sobre escolher se livrar daquele inferno, a chama da esperança se ascendeu em seu coração. E quase desistiu de escolher sua liberdade por conta do medo que sentiu. Nunca tinha estado ali na casa de Vicent, era a primeira vez que pisava os pés ali. Mas ao executar essa ação, sentiu como se aquele ali fosse o seu lar a muito tempo. O sentimento de acolhimento mesmo sem ter sido recebida por ninguém, habitava seu coração. Maverick nem mesmo teve tempo de entrar com Maya dentro da casa, estava atrasado. Conhecia Vicent muito bem para saber que ele não saberia o que fazer se não estivesse lá. Maya respirou fundo antes de adentrar a porta principal da casa, sua vida estava recomeçando naquele momento. Girou a maçaneta da porta, a primeira impressão que teve era que aquela casa era detalhista. Ou melhor, quem a decorou era detalhista, tudo era muito bem organizado. Sentiu a harmonia nas cores, objetos móveis, antes que pudesse aprofundar sua visão, ouviu algo. Forçando um pouco a ouvir o que estava escutando, percebeu ser um choro de criança. Sorriu ao se lembrar que ali naquela casa habitavam duas crianças, foi em direção ao som do choro. A porta estava entreaberta, parou ali e ficou analisando, ficou encantada com as duas. Audrey que era a mais velha, segurava Freya em seu colo, ela chorava sem cessar, como se estivesse sentido algo. Não demorou muito para que Audrey percebesse que estava sendo observada. Se agarrou a Freya com mais força, como se estivesse tentando proteger ela de algo. Maya abriu a porta lentamente, sorriu enquanto olhava para as duas, Freya parou de chorar. --- Quem é você? O que está fazendo aqui? Eu já disse que não aceitarei uma babá. --- Muito prazer, você deve ser a Audrey, e você a Freya, meu nome é Maya. --- Por que está aqui? --- O pai de vocês não conversou sobre isso? --- O nosso pai não nos ver a meses. Maya ficou horrorizada, Vicent era ainda pior que quando o conheceu a anos atrás. Pensou que depois do divórcio ele poderia ter mudado, talvez prestado mais atenção na vida pessoal. Isso estava muito longe da realidade, agora precisava encontrar uma maneira de conversar com elas. Antes de qualquer coisa Maya queria primeiramente descobrir porque Freya estava chorando tanto quando chegou. --- Pode me dizer porque sua irmã está chorando? --- Não, nós não conhecemos você. --- Estou com fome. Audrey colocou a mão sobre a boca de Freya, Maya sorriu, ao menos ela cuidava bem da irmã mais nova. --- Audrey, sua irmã é um bebê, não pode deixá-la com fome. --- Eu não posso mexer com o fogão, e não tem nada que não seja feito sem levar ao fogo. --- Eu posso preparar, pode confiar em mim para fazer essa tarefa? Maya não recebeu um sim como resposta, apenas saiu andando e ouviu os passos delas a seguindo. A cozinha estava bem organizada, mas não tinha muitos ingredientes ou comida que pudesse preparar. Ficava imaginando como poderia existir um pai tão h******l a ponto de não cuidar das próprias filhas. Preparou o que pôde com o que havia encontrado ali, com certeza precisariam fazer compras com urgência. Colocou os pratos com a refeição em frente as duas, Freya foi a primeira a comer estava faminta. Comeram tanto, Maya pensou que as duas deviam ter ficado muito tempo sem uma boa comida. Quando tivesse a oportunidade de falar com Vicent daria um jeito naquele problema entre eles. --- Sabem que horas o pai de vocês chega em casa? --- Nosso pai não vem em casa. --- Como assim Freya? --- Ele não tem tempo para doar as suas filhas, é isso que Freya quer dizer. --- Audrey, Vicent não dorme em casa, nem almoça, janta, ou toma café da manhã? --- Não, as vezes ele só aparece tarde da noite e vai para empresa na madrugada. --- Vocês duas ficam aqui sozinhas? --- Sim. Maya pegou seu celular, ligou imediatamente para Maverick, não estava acreditando em tudo aquilo. Pensou que iria se casar com alguém e teria a oportunidade de ser feliz e até viver o que sempre desejou. Porém a realidade não chegava nem perto do que havia esperado, com certeza mataria Maverick. Felicia também tinha culpa nisso, não deixaria que esse detalhe passasse despercebido de maneira alguma. Após atender a ligação de Maya, Maverick foi até ela, segundo Maya não serviria se fosse por celular. Logo que abriu a porta principal percebeu o olhar matador de Maya, sorriu tentando amenizar o clima. O sorriso não resolveu, por isso decidiu se sentar e esperar as reclamações vindas dela. --- Não me contou que isso era pra ser um casamento de fachada Maverick. --- Pois é, acho que me esqueci de compartilhar esse pequeno detalhe. --- Pequeno? Chama isso de pequeno detalhe? --- Isso é só um detalhe, pense pelo lado bom, você já tem o marido só precisa fazer as devidas modificações nele. --- Ele não é um robô Maverick, tem noção do problema em que você me envolveu? --- Que isso, você consegue, e aliás, quando conhecer ele, saberá que Vicent é bem pior que um robô. --- Felicia sabia disso? --- Sim, e ela me disse que você poderia fazer isso. --- Vocês dois realmente se merecem. Maya se jogou no sofá, seu dia foi cheio de grandes emoções, e ao que parece não pararia ali. As grandes emoções na vida de Maya estavam apenas começando, aquele só era o início do grande problema. --- Arrependida? --- Decepcionada, pensei que daqui pra frente eu teria uma vida tranquila e sem muitos problemas. --- Desculpe ter te colocado nisso, mas somente você seria a mulher ideal para Vicent. --- E porque eu? --- Quando ele estiver preparado para te contar você saberá.
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