Ponto de Vista: Greco O amanhecer sobre a favela trouxe uma névoa fria que subia da baía e se entranhava pelas ruelas de paralelo. No quarto principal, a luz acinzentada da manhã filtrava-se pelas cortinas de veludo, desenhando o perfil de Pietra adormecida ao meu lado. A pele dela, ainda marcada pelo calor e pela intensidade da noite anterior, contrastava com os lençóis escuros. Passei os dedos suavemente pelo contorno da sua cintura, sentindo a sua respiração calma e ritmada contra a minha mão. Por alguns minutos, o mundo lá fora parecia não existir. Não havia o som dos rádio-comunicadores, não havia a cobrança das rotas, nem a sombra iminente do conselho do asfalto. Mas a paz na linha de frente é uma ilusão curta. Um toque triplo e discreto na madeira pesada da porta do quarto que

