NARRATIVA PERFEITA

1165 Words
CAPÍTULO 8 : AQUELA CONVERSA ERA DESCONCERTANTE "ARIEL GOUVEIA" Eu sabia que nada na minha vida seria igual novamente. E, se eu já tivesse determinação suficiente para me levantar daquela cadeira naquele instante, ela teria dobrado. Porque enquanto eu estava ali, lamentando minha condição, tentando aceitar a limitação do meu próprio corpo… nos bastidores da empresa, a realidade era outra. Movimentos estratégicos. Reuniões ocultas. Interesses sendo alinhados. E no centro disso tudo… Pedro Gouveia. Meu primo. Aquele filho da Putta. Ambicioso... Calculista. Eu sempre soube que ele disputava silenciosamente o meu lugar. Sempre percebi o brilho competitivo no olhar dele quando meu pai anunciava que eu seria o sucessor. Mas agora era diferente. Agora eu tenho certeza. Ele estava por trás do meu acidente. E dessa vez, eu não ficaria apenas desconfiando. Eu encontraria provas. E iria muito mais fundo do que ele poderia imaginar. Respirei fundo e voltei ao assunto que ainda pairava pesado no escritório. — Pai… como eu vou me casar se eu nem tenho namorada? — minha voz saiu carregada de incredulidade. — Quem vai querer ficar comigo nessa situação? Passei a mão pelo cabelo, frustrado. — Você sabe que eu me tranquei nessa casa. Nunca mais me envolvi com nenhuma mulher. Minha expressão era de desconforto… quase impaciência. Ele me olhou com firmeza. — Eu sei disso, Ariel. Mas me diz uma coisa… já faz tanto tempo sem ninguém… você não consegue mais ter ereção? Eu fiquei estático. — O quê? — Você é homem, filho. E há coisas que não podemos evitar. — p***a, pai! — explodi. — O mundo está desabando na minha cabeça e o senhor vem me perguntar isso? Ele manteve a postura. — Eu sou seu pai. E também sou homem. Se você se casar, não vai ficar apenas olhando para a sua esposa. Eu preciso saber. Aquela conversa era desconcertante. Mas ele tinha um ponto. Respirei fundo, tentando manter o controle. — No começo… foi isso que mais me assustou quando eu ainda estava com a Bianca. Eu não conseguia… você sabe. Ele assentiu, atento. — Mas depois de um tempo… com fisioterapia, tratamento… eu estou conseguindo. Ainda não é como antes. Mas o Caio disse que tende a voltar ao normal. Meu pai ficou me observando por alguns segundos, avaliando cada palavra. — Certo, filho. Isso é bom. Eu estreitei os olhos. — Por que esse tipo de pergunta agora? Ele caminhou até a janela antes de responder. — Porque eu preciso te apresentar alguém, Ariel. Senti um peso no estômago. — Como assim? Ele virou-se lentamente. — Ela será sua esposa. Levantei o rosto rápido. — Que conversa é essa? — Não temos tempo para longos romances. Você não tem namorada. E a empresa precisa de estabilidade. Então eu resolvi essa parte. Eu fiquei em silêncio. Minha vida estava parecendo uma novela m*l escrita, sem final feliz. — Eu só espero que você colabore comigo. — O senhor está falando sério? — É um casamento contratual de quatro anos. Tudo estará nos termos legais. Separação de bens. Obrigações claras. Proteção para ambos os lados. Quatro anos. Um contrato. Uma mulher que eu nem conhecia. — Ela é ,bem preparada. Inteligente. De ,boa família. Simples, mas de princípios sólidos. Pode ser extremamente útil nesse processo. E… — ele fez uma pausa calculada — é muito bonita. Soltei uma risada curta, sem humor. — Então é isso? Uma aliança estratégica? — Exatamente. Passei a mão pelo rosto. Se fosse em outros tempos… eu teria recusado. Teria questionado. Teria imposto minha vontade. Mas agora? Eu estava vulnerável. A empresa está em risco. Minha posição ameaçada. E dependente dele. — Eu faço a minha parte — ele continuou. — O resto é com você. Olhei para ele por alguns segundos. — E eu tenho escolha? O silêncio respondeu por ele. Balancei a cabeça, um sorriso torto surgindo nos meus lábios. — O que eu posso fazer? Minha situação não me dava muitas opções. Se fosse antes do acidente, talvez eu enfrentasse tudo. Mas agora… Eu precisava da empresa. Precisava recuperar meu espaço. Precisava mostrar força. Mesmo que isso significasse aceitar um casamento por estratégia. Ergui o olhar, sentindo algo mudar dentro de mim. Pedro achava que eu estava fragilizado. Que eu estava acabado. Ele m*l sabia. Se isso era o começo de uma guerra… Então eu começaria a jogar. E, dessa vez, eu não teria piedade daquele desgraçado. Fiquei em silêncio por um momento, absorvendo tudo. O peso da decisão. O contrato. A estratégia. Respirei fundo antes de perguntar: — Posso pelo menos saber como ela é? Meu pai assentiu com naturalidade, como se já esperasse aquela pergunta. — Claro que pode. Ele caminhou até a mesa, abriu a gaveta inferior com calma e retirou uma pasta organizada, grossa o suficiente para mostrar que aquilo não era algo improvisado. — Aqui está. Tem tudo que você precisa saber sobre ela… e sobre a família. Ele estendeu a pasta na minha direção. Peguei devagar. Aquilo não era apenas um dossiê. Era, basicamente, o roteiro do meu futuro pelos próximos quatro anos. Abri. A primeira coisa que vi foi a fotografia. E, por alguns segundos, eu simplesmente fiquei olhando. Ela não era apenas bonita. Havia algo diferente no olhar. Sereno. Determinado. Inteligente. Não parecia o tipo de mulher deslumbrada por luxo ou poder. Virei a página. Formação impecável. Currículo sólido. Experiência profissional consistente. Recomendações excelentes. Ela não era apenas um rosto bonito para aparecer ao meu lado em eventos corporativos. Ela tinha preparo. Capacidade. Presença. — Ela é muito inteligente — meu pai comentou, observando minha reação. — E, pelo que levantei, é uma boa pessoa. Continuei analisando cada detalhe ,me encantava Sem contar o seu mestrado atual. em administração ,e ela ainda falava outros Idiomas. Aquilo, sim, era interessante. Eu precisava de alguém de confiança ao meu lado. Alguém que não fosse apenas uma figura decorativa, mas que pudesse caminhar comigo dentro da empresa. Alguém que sustentasse a imagem de estabilidade que o conselho exigia. Fechei a pasta por um instante e encarei a foto outra vez. Se era para ser… Eu faria dar certo. E faria bem feito. Nada de escândalos. Nada de desconfianças. Nada de brechas para Pedro usar contra mim. Seria um casamento estratégico. Elegante. Convincente. Eu sustentaria a narrativa perfeita. Aos olhos da sociedade, um homem que superou o acidente, que retomou o controle da empresa e que construiu uma nova fase ao lado de uma esposa exemplar. Por dentro? – Seria um acordo. Um pacto. Apenas quatro anos. Não parecia impossível. Manter a aparência. Respeito mútuo. Cada um cumprindo seu papel. Eu já tinha enfrentado coisa pior. Passei o polegar sobre a borda da foto, pensativo. — Certo — falei, finalmente, fechando a pasta com firmeza. — Se é para fazer… vamos fazer direito. Meu pai esboçou um leve sorriso satisfeito. E naquele momento, algo dentro de mim se alinhou. Eu não seria a vítima da própria história. Eu voltaria ao jogo.
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