ELA

653 Words
Caçar era um exercício de paciência, demandava tempo, perfeição para não perder a presa, para não ser descoberto por ela. E era por isso que parada no lugar a minutos demais, a minha carne começava a reclamar, querendo o movimento que eu não lhe daria. A dor era bem vinda. Me relembrava da fragilidade da minha vida mesmo que eu me sentisse imortal. O sangue correndo em meus ouvidos, me obrigava a ficar mais atenta e foi graças a isso que eu pude ouvir a metros de mim o som de galhos se quebrando, secos e pisados pela minha presa que era barulhenta demais para seu próprio azar. Não destravei o meu revólver, eu não carregava um apesar de todos os pedidos de Luigi. Ele confiava em minha cimitarra — uma espada de ponta curvada e corte letal — e no modo que eu a manuseava. Me deu de presente quando eu quis algo mais divertido para caçar, mas insistia que eu carregasse comigo uma arma de fogo para qualquer eventualidade. Não lhe dei ouvidos. Eu não precisava dela. Gostava de os fazer sangrar e gritar quando eu dividia seus órgãos ao meio. Era música para mim, do tipo mais delicioso e viciante possível. Ergui os olhos, girando os pés devagar quando minha presa passou por mim, bem ao meu lado, perdida e pouco consciente da própria morte que lhe cercava, encurralava e me levantando devagar, o segui por poucos metros até ele parar, me notando pela primeira vez. Girou os pés e me encarou de cima, como se fosse digno. — Que surpresa ele mandar a garotinha para fazer o trabalho sujo. — O homem que tentou enganar meu pai e fugiu para o meio da nossa mata sorriu em minha direção, prepotente. Ele era o tipo mais podre que existia, mais do que nós e foi por isso que decidi que ele deveria morrer. Eu gostava de ser a policial, a juíza e a executora. Nessas terras, eu era a lei. Eu decidia quem vivia e morria. Matav4 com minhas próprias mãos. Luigi deixou que eu ficasse com ele como um presente seu. Abaixei os olhos, movendo a cabeça lentamente e sem dizer uma palavra, tirei minha cimitarra do cinto, o som do ferro sendo deslizado soou alto entre nós, sozinhos no silêncio que só as árvores altas a nossa volta proporcionava. —Eu vou beber o seu sangue. E vou acabar com seu sofrimento. Ele riu. Abriu a boca num sorriso incrédulo e riu. Com gosto. Dois passos para frente e um giro no ar, o acertei de forma certeira no peito. Seus olhos se arregalaram e pela forma que seu sangue escorria pelo metal e sujava minhas mãos, sabia que seu coração batia rápido. — Você é fraco e covarde. Fácil de m***r assim como foi fácil descobrir suas mentiras. Não merece paz. Merece o inferno. A resposta que tive foi seu engasgo. O próprio sangue o deixava sem ar, tampando as vias aéreas que o deixavam vivo. Puxei minha espada de volta para mim e ele desmoronou no chão, levando a mão ao peito, como se pudesse evitar a morte certeira que o embalava. Que acariciava seus cabelos enquanto sorria para mim. Me abaixei ao seu lado e enfiando a mão no r***o em seu peito, sujei-me com seu sangue e em seguida, os levei até minha testa, marcando minha pele com runas. A prova que eu tinha acabado com meu inimigo. E quando acabei, fiz o que prometi a ele que faria: bebi seu sangue. Com gosto. Com sede. Molhei meus dedos vezes demais enquanto levava aos meus lábios o líquido vermelho com gosto forte e doce. Antes de sua alma ir, eu sorri para ele. O dei uma última visão de sua assassina. Sua b***a. Seu bicho-papão embaixo da cama, que agarrou seus pés e o puxou até o inferno. Por aqui, eu comandava a morte.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD