JULIA FERNANDEZ Termino meu banho, envolta na toalha, e começo a me secar quando ouço a porta da casa sendo aberta com força. — Heitor? Onde você... — Julia, agora não. — ele diz seco, passando reto pelo corredor, como se minha presença fosse invisível. Fico parada, atônita. Algo está errado. Muito errado. Termino de me vestir às pressas, o coração acelerado e a mente tentando entender o que está acontecendo. Vou até a cozinha, decido preparar algo pra comermos. Talvez um café resolva. Talvez um gesto simples diminua essa tensão. Mas assim que ele entra na cozinha, percebo: não há gesto que resolva um coração em ruínas. — Oi... — digo baixinho, tentando soar tranquila. — Oi. — responde sem emoção. Respiro fundo. Está na hora. — Heitor... a gente precisa conversar. — digo firme,

