III. Baile do Batan

2071 Words
— ‘Tá de namorada nova? — Dalila perguntou para Yuri, rindo. Pintava as unhas enquanto ele vigiava, de pé, na porta. — Que namorada? — Ele estranhou, franzindo o cenho. — Soube que trouxe uma moça mais cedo… imaginei que fosse uma namoradinha. — Ela riu, maldosa. — Tsc… Não tenho porque envolver ninguém no meu drama — disse, em negativa, rindo da mera ideia. — Que bom… odiaria competição, sabe!? — ameaçou, fitando-o. “Porrä maluca do caralhö!”, pensou, ainda em negativa. — Hoje tem baile… não quer dar um rolé, não!? — Sugeriu, tentando fugir do infernal pernoite com ela. — ‘Tô pensando se devo ir… não sei bem… sabe!? — O pessoal ‘tava empolgado ‘pra festa… acho que ‘cê vai curtir. Chegou umas paradas que sei que ‘cê gosta. — O quanto ‘tá verde!? — Ela sorriu. — Falo com Naval ‘pra ele arrumar a mais pura! Terminando as unhas, Dalila o olhou e sorriu, exibindo o resultado. As unhas eram grandes, com corte quadrado, muito bem cutiladas. Ela apostou no esmalte de cor vermelho-sangue. — O que achou? — Sorriu. — Reflete o quanto é perigosa! — Yuri riu. — Hm, acho que fiquei molhada. — Sorriu, ladina, olhando para os lados, tapando a boca. “Putä que pariu!”, reclamou, respirando fundo. — Se não se apressar, a pura acaba… — Improvisou. — O baile! — A moça lembrou. — Verdade… Dalila subiu as escadas, correndo. Yuri arfou, encostando a cabeça na parede, extremamente aliviado por ter funcionado. Seguiu até a cozinha para tomar sua AR, que estava sobre a geladeira. De praxe, no dia-a-dia, preferia portar apenas as pistolas. Foi à porta e alguns dos soldados estavam do lado de fora. Em sua maioria, jovens. Ele pôs a grande arma no ombro e olhou por entre eles até um se aproximar. — ‘Tô saindo com a primeira-dama. Só quero cinco. ‘Pro baile! — Falo com Radin e ele espalha. Yuri apenas assentiu. Respirou fundo, pensando duas vezes se devia entrar, mas acabou entrando para evitar que qualquer um dos outros acabasse sendo chamado para dentro. Demorou para Dalila descer com um vestido azul, tomara-que-caia, bem curto, apertado em seu corpo, evidenciando as curvas. Yuri engoliu seco, sentindo o suor passeando em sua testa. — Bom? — Dalila perguntou, girando, ao se aproximar. Seu doce perfume se mistura ao cheiro de pólvora na sala. — Linda! — falou, breve. — ‘Bora!? Já ‘tá tudo esquematizado. Ela deu uma risada e se aproximou do jovem, descansando a mão em seu peito, acariciando-o e fitando seus olhos. — Hoje, deixou meu Espinho fugir de mim. — Encosta o lábio nos seus, enquanto fala. — Na próxima, eu sento muito! — Sim, senhora. — Ele fitou seus olhos, solene. Dalila deu um baixo gemido, somente para provocar. Seguiu à porta e o esperou abrir. Yuri abriu e saiu imediatamente atrás dela. O vento estava bem gelado dado o intenso calor em seu corpo. A noite já caíra e o som estava bem alto! Dalila já chegou dançando. Sempre foi festeira e rapidamente se perdeu na diversão. A encruzilhada ficava mais charmosa iluminada pelos leds. Vendo-os, os seis rapazes, destacados para ajudar na proteção de Dalila, gesticularam para Yuri, que apenas assentiu com a cabeça. As caixas de som estão dispostas no centro da extensa encruzilhada. A quantidade de pessoas já era bem grande, mesmo que ainda estivesse cedo. A boca ficava numa única esquina, de frente para a descida. Tinha uma pequena mesa, onde Naval estava sentado, com alguns dos papelotes à mão. A casa atrás era uma das sete casas de endolação do morro. Naval parecia bastante tranquilo. Uma moça se esfregava nele enquanto ele bebia sua cerveja, com um sorriso safado no rosto. — E aí, Espinho… — Cumprimentou. Deu um tapa na b***a da moça e ela não se demorou para sair, se insinuando para os dois. Yuri ainda parou para torcer o pescoço, observando-a sair rebolativa. É uma velha frequentadora. Não é tão esbelta, mas ostenta muita fartura no corpo… o que a torna uma das preferidas dos rapazes. — Dá um dois, puro, ‘pra primeira-dama. — Yuri pediu. Naval assentiu, tirando dois baseados de baixo da mesa. — Porrä, não podia demorar, não!? — Reclamou, rindo. — Gerência eficiente é fodä! — Naval gargalhou. — Vou dar o bagulho dela e vou subir — avisou, desconfortável. Naval apenas assente e ele segue a Dalila para entregar um dos baseados. Ela sorri de canto de boca, tomando-o. — Tem fogo!? Após vasculhar os bolsos, ele tirou um isqueiro e acendeu. Ela acendeu e baforou a densa fumaça em seu rosto. Em meio às luzes, fumaça e som alto, ele se permitiu arfar. Subiu a rua para entrar numa casa de dois andares, onde era possível ver o baile e até a pista da extensa janela do segundo andar. Não tardou para o som de salto alto soar no andar. Yuri ainda passou a mão na cabeça, preocupado de Dalila ser dona dos passos, mas, olhando na direção da porta, viu outra. Camila, outra assídua cliente, é dona dos passos. É morena, tem longos cabelos, sempre lisos; s***s fartos e olhos castanhos, muito bem acentuados pela maquiagem bem-feita. Usa short e regada de cores claras com um salto preto. Ela carrega uma garrafa de vodka e um copo. — Imaginei que teria sede… — disse ao se aproximar. — Naval te mandou? — Yuri ri, entregando o baseado para ela. — Avisou que tinha algo ‘pra mim. — Ela toma o baseado e põe na boca, manchando-o com o batom escuro. — É de chupar? — Duro ‘pra chupar já ‘tá! — Sibilou, sorrindo de canto de boca. — Boca de veludo ‘cê já tem — disse, mordiscando o lábio e descendo a mão para seu m****o. — Formou! Ela ajoelhou a sua frente, rindo. — Tem fogo? Yuri acendeu. Ela puxou, prendeu e soltou a fumaça em sua direção. Apesar de um pouco desestimulante, é difícil negar a forte ereção que já o acomete desde Dalila! Apressado, afoito, ele tirou seu m****o da bermuda, arfando. Ela tornou a puxar, prender e soltar a fumaça em seu rosto. Sua mão passeou em seu m****o, enquanto ela fitava seus olhos, com seu olhar de Esfinge, perfeitamente delineado. Os dedos do rapaz emaranharam-se nos lisos fios. — Chupä, porrä! — mandou, afoito. Ela abriu a boca e ele a guiou a engoli-lo. Gemeu quando sentiu sua pequena boca, úmida, quente. Soltou um pouco do cabelo apenas para segurá-lo sobre a cabeça, impedindo-o de atrapalhar a bela e excitante visão. Alternando entre chupär e baforar fumaça, inevitavelmente, a onda chegou em Yuri — extremamente incômoda, porém, inevitavelmente inibidora. — Caralhö! Com essa boca de veludo, eu gozö! — Riu, dando um leve tapa em seu rosto. — Então, me dá! — pediu, manhosa, abrindo a boca e pondo a língua para fora, tocando a glande. Ele arfou, se mastürbou sentindo sua língua tocando a cabeça. Gozöu enquanto ela fitava seus olhos. — Caralhö! — Arfou, relaxando seu corpo. Apesar de ainda ter muito t***o guardado, sua ereção simplesmente se perdeu: primeiro, porque a onde ficando mais forte o deixava muito mais desconfortável; segundo, não tinha camisinha, mesmo que aceitasse sexo oral sem camisinha, não ia além nunca! — Pode avisar ‘pro Naval que ‘tá tudo tranquilo na pista? — Yuri pediu, mera desculpa para dispensá-la, sempre funcionava quando seus olhos já estavam muito caídos. Ela assentiu, deixando a vodka e o copo, que ele não se aventurou a beber, recendo a piora de seu estado mental. A música agitada, as luzes, tudo é extremamente incômodo. Demora um pouco para as sensações diluírem. Observa Tito subindo o morro, ao chegar. Ele passou pelo baile, não tardando para seus passos serem audíveis dentro da casa. — Como ‘tá tudo? — O chefe perguntou ao chegar. — Naval ‘tá na boca, chefe! — Yuri disse, olhando-o. Ainda era uma surpresa vê-lo chegar tão cedo. — Eu sei. — Tito riu. — ‘Tá tudo suave… Não tivemos problemas. A primeira-dama ainda ‘tá rebolando no baile. O movimento ‘tá de boa no morro e, pelo pouco que vi, na pista também. — Reportou. — E Naval!? — Não saiu da boca ‘pra nada. Já ‘tava com tudo pronto, nem precisava. Não tenho nada ‘pra reportar… eu acho… — Franziu o cenho, desconfiado. — ‘Tá achando que ele arrumou treta, Tito? — Só neura, relaxa! — Tito arfou, saindo. Yuri seguiu imediatamente atrás, como era de praxe. Voltando ao baile, Dalila se acabava na pista. Louca de maconha, ela só queria dançar! Um jovem, próximo, olhava bastante, mas não se aproximou tanto. — Pode pegar. — Tito ordenou, seguindo até Dalila. Yuri apontou o jovem, discreto, e os cinco rapazes o cercaram, continuaram caminhando, tirando-o com a mesma discrição. O rapaz tinha cerca de vinte anos, magro com pinta de playboy. — Qual foi? — perguntou, fingindo não estar intimidado, deixando claro o quanto não pertencia àquele mundo. — Meu chefe mandou um presente. — Yuri sorriu. Os rapazes guiaram-no até uma das vielas, comumente usada para lidar com rapazes como ele. Uma perna de três, ensanguentada, estava escorada no muro. — Não é pessoal. — Yuri sorriu de canto de boca, entregando o AR na mão de um dos rapazes e pegando a perna de três. Seu gosto pelo trabalho ficou evidente quando o sorriso alargou em seu rosto, ao ouvir o som dos ossos da perna quebrando com o choque da rígida madeira. — Circula! — Yuri ordenou. Os rapazes de idade variada, entre quinze e dezoito anos, acataram a ordem e saíram. Apesar de já estarem nessa vida, Yuri presumia que poupá-los do contato com crimes violentos, poderia impedi-los de se tornarem criminosos violentos. O jovem rastejou, gritando e chorando pela dor. — Não pode correr! — ironizou, rindo. Segurou a madeira com ambas as mãos para acertar o braço que o rapaz usava para arrastar-se pelo sujo chão. A dor simplesmente levou seu corpo a colapsar. — Bom garoto. — Yuri disse, pegando-o pela camisa e arrastando-o até o barraco no alto do morro. Usou das vielas, que apenas traficantes e usuários tomam, são escuras, estreitas, perfeitas para se ocultar e, apesar de não ser lei, é parte do código social os cidadãos honestos não as usarem. No casebre, ele amarrou o garoto numa das camas; puxou as correntes para atestar o quanto as correntes ainda estavam boas. — Fura-olho na casinha — disse no rádio. Voltando ao baile, Tito estava sentado enquanto Dalila se esbaldava na dança. O rapaz com o AR passa por Yuri, devolvendo-o, sem falar nada, tornando a dissolver na aglomeração. — Vai ter festinha mais tarde… o baile vai até Deus parar! — Naval disse, quando Yuri sentou-se ao seu lado. — ‘Tô precisando. — Respirou fundo, descontentado. É uma noite tranquila. Yuri fez rondas, olhando os desconhecidos, apesar de poucos, é suficiente para aumentar o alerta. Ainda se esfregou em algumas das moças, mas nada realmente sério — apenas mais combustível para a insana luxúria que estava presa, suprimida pelas malditas drogas. Apenas quando Dalila cansou de dançar, Tito a tomou pela cintura para iniciar sua marcha de volta para casa. Yuri gesticulou, fazendo alguns círculos com o dedo indicador, e, como um cão de guarda, seguiu atrás do chefe. Chegando, o casal sobe e ele se senta à sala. Sebastião, vulgo Fino, bateu à porta, pontual. — Cheguei! — Avisou do outro lado. Ele é gordinho e baixinho. m*l como o p**a-p*u, como dizem. É pardo de olhos azuis-claros. Os cabelos são bem loiros, dada toda a amônia usada para “combinar” com seus olhos. Apesar do parecido parecer estar ligado ao seu peso, ele só o recebeu porque aperta o mais fino baseado do morro. Yuri abriu a porta e voltou a sentar no sofá, mais relaxado. — Dorme, cara. — Fino disse, percebendo um pouco de cansaço no rosto do amigo. — ‘Tá tranquilo… O movimento ‘tá suave! Yuri apenas assentiu, descansou o AR ao seu lado de fechou os olhos. Mesmo com o corpo muito agitado pela festa, conseguiu cair no sono mais rapidamente.
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