Capítulo 9

711 Words
  Elena claramente não esperava uma resistência tão firme.   Ela congelou por um instante — e então rompeu em choro ainda mais alto.   "Você está tentando m***r sua irmã?!" gritou, a voz cortante de acusação. "Se não fosse pela família Thompson, você nem estaria viva hoje! A Serena teve outra crise, e você — ainda não cede? Como pode ser tão dura?!"   Claire a encarou, o rosto inexpressivo, os olhos frios.   Houve um tempo — muito tempo atrás — em que ela ainda nutria um fio de esperança.   Afinal, chamara aquela mulher de "mãe" por vinte anos.   Talvez, quem sabe, os Thompson tivessem passado a se importar com ela também. Mesmo que só um pouco.   Mas agora, era dolorosamente claro — ela apenas se iludira.   A garganta apertou. Engoliu em seco, mas mesmo assim a pergunta escapou.   "E se algo de verdade tivesse acontecido comigo hoje?" perguntou, baixinho. "E se eu tivesse sido violada?"   Elena piscou, pega de surpresa. Então o rosto endureceu.   "Mas não foi, né?" rebateu. "Nada aconteceu! Então por que não pode simplesmente deixar pra lá? Você é a irmã mais velha — não pode ter um pouco mais de compreensão? A Serena está doente! Ela não fez por m*l! Por que você guarda tudo? É tão mesquinha!"   O coração de Claire ficava mais frio a cada palavra.   "Tudo que eu queria," ela disse, a voz sumindo para um sussurro, "era um pedido de desculpas."   "Tá bom!" Elena cuspiu, estreitando os olhos.   "Quer uma desculpa? Então toma." A voz vinha carregada de desprezo. "Eu, Elena — sua mãe adotiva — peço desculpas. Sinto muito por não ter te criado direito. Sinto muito por você ter se sentido prejudicada. Mas, Claire, se não fosse por você, a Serena teria acabado assim?!"   Lágrimas escorriam pelo rosto enquanto puxava Serena para o colo, como se o mundo inteiro tivesse maltratado sua preciosa filha.   "Você tomou o lugar dela nesta família todos esses anos. Você arruinou ela! E ainda não sente nenhuma culpa? Nenhuma gratidão? Eu devia estar cega naquela época. Some! Não apareça mais aqui. Para mim, nunca criei você. Os Thompson não têm lugar pra você."   A sala mergulhou em um silêncio pasmo.   Os convidados observavam, com uma mistura m*l disfarçada de fascínio e pena.   Expulsa da família Thompson — que futuro poderia ter alguém como Claire?   Mas ela mantinha a postura, diante de todos. Não iria — não poderia — recuar agora.   Todos os olhos estavam fixos nela, à espera.   Claire abriu a boca —   Mas antes que pudesse falar, Nelson avançou e colocou-se à frente dela.   "Elena," disse ele, a voz baixa mas firme, "entendemos que a Serena não está bem. Mas a Claire passou por muito hoje. É normal amar mais um filho — mas seja justa, pelo menos. E não vamos esquecer: os Cooper e os Thompson estão unidos pelo casamento. Claire é minha esposa. Romper com ela assim — não fica bem para nenhuma das famílias."   Atrás dele, Claire falou, com tom uniforme.   "Sr. Cooper… os papéis do divórcio já estão assinados. Legalmente, não sou mais sua esposa."   As palavras caíram como uma bomba.   Os convidados — já chocados com a intervenção de Nelson — congelaram de novo.   É verdade.   Eles já estavam divorciados.   Até Serena, encolhida no chão, parou de chorar.   Nelson virou-se para olhar Claire, os olhos sombrios, mas não disse nada.   Claire não esperou. Pegou a bolsa.   "O casamento acabou," disse. "Não tenho mais nada a ver com os Cooper. E quanto à Sra. Thompson —"   Ela fez uma pausa, então olhou diretamente para Elena.   "Mensagem recebida. Está claro."   Ela respirou fundo.   Depois, deu um passo à frente — apenas um — e inclinou a cabeça em uma reverência rara e deliberada.   Não foi dramático. Não foi teatral. Foi silencioso, composto e definitivo.   "Obrigada, Elena," disse, a voz firme. "Por me criar todos esses anos."   Mesmo que o amor fosse unilateral — mesmo que o afeto já estivesse apodrecido — ela fora criada sob aquele teto.   Gratidão e traição — ela se lembrava de ambos.   Os olhares de desprezo na sala começaram a mudar, só um pouco.   Mas Claire não se importou.   Ela se endireitou, calma e serena, pronta para ir embora.   Então —   "Espera!"   A voz de Elena ecoou atrás dela.
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