Tayhiung
Aos poucos eu conseguia corrigir os erros do meu irmão gêmeo, não parecia muito mas cada coisa que ele acabava criando conflitos era de ficar chocado. Eliza havia retornado a trabalhar, Fábio tinha recuperado tudo que Park tayung lhe tirou, tendo o mesmo ao meu lado me ajudando a manter a minha farsa como meu irmão gêmeo, tudo estava em ordem e isso era bom.
Quando minha esposa estava trabalhando eu dava um jeito de visitar minha mãe no hospital, contando a ela todas as novidades que eu tinha mantendo ela entretida, os médicos disseram que sua saúde estava melhor e que havia uma probabilidade de ela poder receber alta logo logo o que me deixava feliz e me permitindo ficar despreocupado.
Me despedi da minha mãe e assim voltei para “casa” onde Eliza não se fazia presente, provavelmente ainda estaria no local de trabalho então aproveitei a fazer as tarefas de casa para ela e depois começar a cozinhar para a janta, acreditando que estaria muito cansada após chegar em casa, preocupado com o dia de amanhã em que eu tomaria lugar do Park tayung na empresa e com medo de quem alguém perceber que eu não era ele.
Mais tarde durante o dia Eliza Martins chegou em casa, aparentava estar cansada como havia previsto, tinha acabado de terminar as tarefas de casa e recém havia chego na cozinha para começar a cozinhar quando ouvi a porta sendo aberta, a curiosidade da minha esposa querendo saber o que estava fazendo era engraçado além de fofo mas não podia deixá-la de ver e estragar a surpresa e assim que ela desistiu foi até o quarto tomar um banho, voltando de roupa trocada, cabelo que eram presos ao chegar agora estavam soltos vestindo um roupão para se manter aquecida.
A mesma sentou-se na mesa onde eu a servi e assim jantamos, sentindo que queria me falar algo porém parecia estar hesitando o que acordou a minha curiosidade mais ainda.
- Algo de bom para me contar?
Eliza se remexia muito de lá para cá parecendo uma criança que não conseguia manter segredo nenhum e apenas com um olhar, arqueando minha sobrancelha que minha esposa começou a contar tudo, como foi o dia dela, o retorno, a felicidade que tinha onde eu prestava atenção em cada palavras que saia da sua boca, tendo que me segurar para não rir ao ver o quanto ela estava toda empolgada.
- Não tenho muito noção do tempo, mas quanto tempo eu mantive você trancada nessa casa?
Essa pergunta não queria calar em minha mente e por isso não pude deixar de não perguntar torcendo que ela não percebesse que na verdade eu não era o Park tayung, Eliza Martins parecia estar um pouco pensativa com a minha pergunta, coçando de vez em quando a cabeça como se a lembrança iria retornar e após uns momentos de silêncio me olhou demonstrando não ter muitas certezas.
— Olha, eu acho que pelo menos uns seis meses, talvez…
Chocado ao ouvir isso eu tive que me segurar para fingir naturalidade mas de fato era algo muito difícil de se fazer, como uma pessoa era capaz de manter um ser humano trancado em uma jaula por seis meses? Caramba eu realmente não entendia meu irmão gêmeo e para ser sincero não queria entender, mas agora certas coisas ou atitudes da Eliza Martins começava a fazer sentido para mim, como essa felicidade toda por ter voltado a trabalhar que aparentemente eu teria pedido para ela desistir de trabalhar para focar a energia só em casa, como se eu seria capaz de fazer isso mas, fazer o que né…
Cada dia que se passava eu conseguia me aproximar um pouco mais da Eliza Martins, nosso relacionamento estava quase normal e estava muito feliz por isso, me lembrando o tanto que demoramos para chegar até aqui.
Tinha como perceber que a Eliza se sentia mais segura para se expressar ou pedir algo para mim que assim que cheguei não era nem um pouco assim, lembro quando falava algo comigo e se encolhia de medo, provavelmente Park tayung gritava com ele, o que de fato não me surpreenderia, sabendo da educação que infelizmente levou do nosso pai e hoje ela e eu conversamos sobre diversos assuntos o que de fato era muito agradável, pois ter a companhia dela ao meu lado era o melhor presente que alguém poderia me dado.
Estava sozinho em nosso quarto enquanto mexia em meu celular vendo que havia dez chamadas perdidas da Rosa que retornei logo a ligação assim que vi, sem demora a mesma atende com o mesmo papo de sempre. Sim! Eu fui traído também quanto a Eliza Martins mas o pior era com o meu ex melhor amigo, Rosa choramingava na ligação com as mesmas desculpas onde levantei da cama ao ouvir a porta de casa sendo aberta, achando a minha esposa adentrando em casa, sem prestar atenção a um piu que Rosa falava, afastei o celular da minha orelha, dando agora atenção para a minha mulher.
- Dia cheio de novo?
— Sim… Nossa hoje a nossa chefe pegou pesado…
- Que tal a gente sair jantar para não ter que cozinhar ou lavar nenhuma louça?
Eliza Martins: Gostei da ideia!
Rosa foi um erro , nunca deveria ter namorado ela ou ter qualquer relação com ela mas naquela época eu era um burro para não me chamar de outra coisa e assim sem mais nem menos eu desliguei a chamada na cara da Rosa, deixando o celular em modo avião carregando, troquei rapidamente de roupa e assim voltei para sala onde Eliza Martins estava esperando por mim, calcei meu sapato e uma vez pronto me viro em sua direção.
- Vamos?
— Vamos!
Saímos de casa indo até um restaurante que estava na esquina da nossa casa, sentamos chamando um garçom aguardando para sermos atendido e fazer nosso pedido, Sentindo- me agoniado com essa necessidade de lhe contar logo a verdade a respeito de quem eu realmente era, mas que eu tinha que aguentar só um pouquinho mais.