Aysha calcorreava pela rua saltitante, com seu belo girassol em mãos. Nunca ganhara uma flor antes, todos viam a alegria que estampava em seu rosto à medida que andava pelas ruas.
Mas, na vida em que vivemos, nem sempre é um mar de rosas, não é mesmo?
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Caminhava-se distraidamente por uma erma e deserta viela. O sol, que a pouco iluminava as copas das árvores e as cobertas das casas, não estava presente naquela via despavimentada. A garota m*l importou-se por onde andara, estava aclare e jubilante. Também havia regalias ao andar por esta senda, pois chegaria em casa para as festividades, com sua mãe rapidamente.
Dando-se como um sobressalto, de repente, ouviu-se um calcar de passos pesados atrás de si. Era a figura de um homem alto e robusto, que a seguia com passos atravessados, e chamando atenção. Ayla, agora em alerta, apressou o passo, ligeiramente adentrando numa cavernosa ruela, infestada de um odor desagradável e sombrio, talvez até de restos mortais, ela presumira.
O estômago de Ayla embrulhou, quando se viu em agruras. Que no momento, dois indivÃduos surgiram como sombras ao seu encalço, com vestes negras e faces mascaradas de bronze bruto. Cada um com um tipo de pedra preciosa incrustada.
- Perdida, garotinha? - inquiriu um deles, sua máscara ornamentada com ametistas.
Ayla, mantendo sua coragem inabalada, permaneceu em silêncio, encarando a máscara do homem sem deixar transparecer qualquer sinal de medo.
- A garotinha fala? - Insistiu o de ametista num tom malicioso, abaixando-se mais para perto da garotinha à sua frente.
- Oras, estás a assustar a garotinha com essa face horrenda, Oscar - o outro mascarado com uma máscara adornada com rubis zombou, desencadeando risadas abafadas. Oscar amarrou a cara, e o outro continuou a rir.
- Qual é o acontecimento tão hilário, para vós, gozar de tanto divertimento, Ronelyn? - uma voz áspera, cortante como lâminas afiadas, cortou o ar. O riso de Ronelyn cessou imediatamente quando o lÃder se aproximou, e os mascarados abriram caminho para ele passar. Ayla sentiu um arrepio percorrer sua espinha enquanto o homem que a seguia estava à sua frente.
Seu rosto estava oculto por uma máscara de ouro adornada com esmeraldas, que exibia padrões de redemoinhos e folhas. Ela permitia que apenas a mandÃbula, o maxilar e seus olhos verdes escuros ficassem à mostra.
Aysha baixou os olhos rapidamente, encarando seus próprios pés, esperando a hora de correr.
- Nenhum acontecimento importante, senhor - respondeu o mascarado de ametistas ao seu superior. O homem assentiu com a cabeça, seus ombros erguidos e coluna ereta, como um lÃder deveras ser. Ele fixou seus olhos verdes penetrantes na garotinha agora à sua frente.
- Estás perdida? Por que andas sozinha por esta propriedade? - questionou numa expressão rÃgida - Pode ser perigoso, pequenina - acrescentou, num sorriso mordaz.
- Como chamas? - questionara ele mais uma vez.
- Sinto muito. Mas minha mãe me ensinou que não devo falar com estranhos - Aysha respondeu cerrando o punho que estava segurando seu girassol, como se alguém quisera tirar-lhe sua flor. Percebeu, também, que os asseclas riram de sua intervenção.
- Nossa, que falta de educação a minha, não é mesmo? - reconheceu ele rindo.
Os embustes do de esmeraldas riram mais ainda. Ele deu um olhar de tanta fereza sob a máscara para os dois mascarados, que lhes calou naquele mesmo instante. Então, relaxou a expressão quando novamente fitou a garotinha que ainda mirava o chão.
- Me chamo Enon. Enon Evla, princesinha - apresentou-se numa reverência para ela, com um sorriso distorcido e tirânico. Ele não a vendo demonstrar emoção alguma, além de incômodo, abaixou-se para olhar a face da garotinha.
- Bem, agora não sou mais um estranho, estou errado? - Perguntou ele risonho.
- És desprovido de sabedoria? Ainda és um estranho para mim - disse ela, num tom de rispidez. Como se toda a disciplina que possuÃa tivesse se esvaÃdo naquele momento. Percebeu novamente os homens de Evla em gargalhadas, pareiam meio bobos.
- Ora, como ousas? Sua.. - tentou redarguir, mas teve que mudar a atenção para os seus homens novamente para que parassem de rir.
- Ora, creio que irás ficar bastante tempo conosco para nos conhecermos melhor, pequenina.
O som da curta risada dele era perversa e distorcida em sadismo. Um som que parecia pertencer a um ser indecoroso, desprovido de humanidade e clemência. A facção de seus servos aparvalhados riram também, acompanhando sua mesma risada de despotismo.
- Rapazes - Enon assentiu para os seus num sorriso ladino. Transmitido um sinal para que pegassem a garotinha.
Oscar agarrou celeremente a garotinha prendendo seus braços para que não fugisse.
- Solte-me! - ela vociferou, debatendo-se e contorcendo-se numa ânsia desenfreada de escapar do implacável aperto que a enlaçava.
Evla, por sua vez, soltou um riso de satisfação, ao vislumbrar Ronelyn emergindo mais uma vez na estreita e sinuosa ruela, trazendo consigo uma saca em mãos.
- Não! - Aysha soltou brado de desafio, se debatendo de forma frenética, e, com uma determinação férrea, afundou seus pequenos, mas incisivos dentes na carne do homem que a agarrara. Uma lancinante agonia consumiu-o, forçando um grito de dor a escapar de seus lábios enquanto Ayla caiu ao chão, libertando-se de seu aperto.
Em um fugaz instante, a figura outrora destemida de Ronelyn lançou-se em direção a Ayla, movendo-se com a determinação de depositá-la com exatidão no alforje que ele trazia consigo. No entanto, a velocidade do seu gesto não foi suficiente para superar a tenacidade de Ayla, que desencadeou um ato de resistência incrÃvel.
Seu mero pingente de girassol, tão delicado quanto a própria luz do sol, encontrou sua mira com destreza surpreendente e cravou-se habilmente na perna do panaca.
Como o outro t**o que ousara desafiá-la, ele retorceu-se em agonia, caindo no chão em choramingo como uma criança. E então Ayla correu, e em um lampejo ela se lançou para fora da ruela, estugando os passos correbdo tão rápido quanto seus pés poderiam suportar.
- Peguem-na agora! Seus parvos inúteis! - Rugiu Enon, sua fúria transbordando devido à ineficácia de seus homens. Estes, saÃram da ruela na tentativa de alcançar Ayla, suas vozes ecoando com murmúrios de dor e desconforto. Oscar queixava-se da intensa ardência causada pela mordida, enquanto Ronelyn com a perna em um corte não tão profundo, mas que dramatizava uma falsa coxeadura, transferia a maioria do esforço de corrida para Oscar.
Os palermas já tinham a perdido de vista quando contornaram a curva, perderam o rastro da garotinha. E isso não era nada bom. Eles regressaram ao seu senhor com as mãos vazias, temerosos. Cientes de que seriam submetidos à tortura, ou talvez até, à desfiguração.
Enquanto isso, Aysha continuava sua corrida frenética, e adentrando numa outra curva sinuosa para longe daquele lugar, colidiu fortemente com uma superfÃcie rÃgida.