⊱☀Sun☀⊰

1164 Words
A superfície rígida que ela colidira, era um garoto. A colisão, qual sinfonia improvável, fez com que ela perdesse o equilíbrio e num instante fugaz se encontrasse derrubada ao chão, e as suas mãos acabando raladas, na tentativa de se segurar do impacto. Rapidamente, o garoto, cujos olhos verdes lembravam esmeraldas majestosas, aproximou-se com uma expressão de urgência. - Perdoe-me! - disse o garoto - Ah, não, machucou? - perguntou com profunda preocupação, pegando a mãozinha da menina e examinando-a com cuidado. Percebendo a mão ralada e o sangue misturado com terra, ele soltou um sopro suave na mão da garotinha na tentativa de remover as partículas de sujeira. - Ai! - ela resmungou retirando a mão com um pequeno sobressalto. - Desculpe. Aysha, agora fitando o que a havia derrubado, notou que trajava vestes simples, tingidas de tons terrosos, que emolduravam sua figura franzina e infantil. Seus cabelos eram loiros, e tinha olhos verdes que pareciam abrigar duas esmeraldas esbeltas, uma visão que a deixou simultaneamente intrigada e irritada. O que ele fazia ali? Ela estava sendo perseguida por malfeitores! Como outra criança poderia passear pelo mesmo lugar tão tranquilamente enquanto a outra corria perigo? Ela pensava inconformada. - Porque não olhava por onde anda? - perguntou Ayla com revolta - Olha só a minha mão! - disse assoprando a mão na tentativa de amenizar a dor. - Mas quem corria não era eu - defendeu-se. - Eu estava sendo perseguida por sequestradores! - Disse exasperada - Como que eu não iria correr? - Sua pergunta carregava uma certa dose de indignação, como se a resposta fosse óbvia. O garoto ficou momentaneamente atônito, sem saber como reagir à revelação. Ele próprio era uma nota fora do tom, e as circunstâncias o haviam surpreendido. - Sinto muito - disse ele em forma de consolo. Ele não conseguia entender o porquê das ruas pacíficas da cidade que estavam se transformando em locais perigosos. Todos viviam em paz e harmonia naquela cidade. Por que agora seria diferente? - Já sei! - exclamou ele de repente com uma ideia reluzindo em sua mente - Venha comigo - O garoto levantou-se do chão e estendeu as mãos com um gesto amigável, oferecendo ajuda para que ela se erguesse. - Para onde? - Perguntou ela com certa desconfiança. - Minha casa. Posso cuidar da sua mão ferida - explicou ele, tirando a poeira de suas vestes. - Obrigada, mas dispenso. - Tens medo? - riu de leve o garoto - Oras, não vou roubar-te. Ele disse segurando suavemente o pulso da menina para ajudá-la a se erguer. A menina, ao levantar-se do chão, retira folhas secas que se encontravam no seu vestido florido. - Medo? Eu? - ela riu - o medo é apenas uma sombra fugidia, pronta para se dissipar diante do nosso riso. - Então, vamos! - Cheio de entusiasmo, ele estendeu a mão sutilmente, tomando amigavelmente e com delicadeza a mão ilesa de Ayla, e os dois começaram a caminhar lado a lado, rumo a casa do menino. - Como chamas? - Com um desejo sincero de construir amizade, ele perguntou com um sorriso acolhedor iluminando seu rosto - Me chamo Apollo Elênio Misae. Mas pode chamar-me de Pollo - disse, revelando um apelido que soava afetuosamente em seus lábios. - Sou Ayla Aysha Allanane - revelou com suavidade, antes de acrescentar com um toque de autenticidade - Mas prefiro que me chamem de Ayla. - É um belo nome. Prazer em conhecê-la, Ayla. Em resposta ao elogio, Ayla acolheu o caloroso cumprimento do garotinho com um sorriso. - O prazer é todo meu - respondeu. ?⊱☀⊰? Os dois caminharam juntos por poucos minutos e logo se depararam com uma casa modesta, mas de beleza singular que surgia na paisagem. Seus muros, pintados de um branco imaculado, abraçavam um jardim exuberante, adornado com um caleidoscópio de flores, cada pétala sussurrando que chegara a primavera. Ao chegarem ao alpendre, Ayla observava cada mínimo detalhe da bela casa do menino. O chão de madeira maciça rangia levemente sob seus pés. Ela olhou para o jardim, que continha rosas e flores de todos os tipos, assim como vira as flores do jardim que o seu amigo, Eliek cuidava. O menino, com um sorriso, abriu a porta com a maçaneta de ferro polido, e ela adentrou timidamente. O interior revelou-se um verdadeiro santuário de aconchego, o chão de madeira de carvalho-branco exalava o aroma inconfundível da natureza. Uma lareira aconchegante ocupava o centro da sala, com um quadro acima dela retratando uma paisagem idílica de um campo florido. Nas paredes brancas também continha mais quadros esplendorosos e janelas com cortinas de renda onde a luz dourada do sol derramava-se sobre o chão de tábuas de carvalho, criando um tapete de sombras e luz. Toda a casa estava decorada com móveis rústicos que pareciam da era de reis e rainhas. Pollo, com cuidado meticuloso, colocou um banquinho de madeira esculpido com minúcia diante da garotinha. Cada movimento era coreografado como uma dança silenciosa, uma reverência à sua nobre missão de fazer a garotinha se sentir confortável. Ela se acomodou com graça, seus olhos observando atentamente cada gesto do garoto enquanto ele entrava na cozinha e voltara segundos depois trazendo uma jarra de barro com água e um pote de um líquido amarelo-esverdeado. Ele ajoelhou-se gentilmente aos pés de Ayla, e segurou sua mão com suavidade e um cuidado meticuloso. O garoto ergueu a mãozinha de Aysha, como se estivesse segurando uma pétala de rosa frágil, e acomodou-a em seu colo. Sua voz, suave como a brisa de primavera que sussurra nas copas das árvores, ofereceu consolo e calma à garotinha: - Vou limpá-la, está bem? - ele perguntou, e Ayla assentiu com uma pequena expressão de concordância. Pollo pegou um pano limpo e umedeceu-o com água da jarra rústica, e começou a limpar a mão da garota. A sujeira e os vestígios de sangue logo se dissolvem sob seus cuidados, ela sentia uma sensação de ardor e desconforto, mas suportou em silêncio. Então, ele pegou o frasco amarelo-esverdeado e o abriu, explicando que poderia arder um pouco. Ayla assentiu mais uma vez, mas com uma expressão um pouco apreensiva, pois possivelmente tinha medo de remédios medicinais. Com suavidade, o menino despejou o líquido na palma da mão da garotinha, com precisão. O líquido deslizou pela mão delicada da mesma como um riacho serpenteante e, instantaneamente, uma sensação de ardor a envolveu. Ela contorceu seu rosto em uma careta adoravelmente cômica, um reflexo dos efeitos inesperados do líquido sobre sua mão. O garoto soltou uma risada e soprou novamente sobre a mãozinha dela, transformando a ardência em um doce frescor que acariciava sua pele. - Amanhã, a dor será apenas uma lembrança - afirmou ele num sorriso, como se soubesse que a dor do momento se transformaria em uma cicatriz, que contaria a história da coragem de Ayla e da amizade que floresceu entre eles, impulsionada por um simples empurrão do destino.
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