CAPÍTULO 9

876 Words
Hannah Tomo um banho bem quente e gostoso, mas não demorado. Hidrato-me com meus cremes. Saio do banheiro para decidir o que vou usar para o jantar. Opto por um vestido longo, florido, uma sandália simples de salto curto na cor nude, com uma make leve e batom nude. Olho o celular e já são quase 20 horas. Mary já deve ter servido o jantar, é melhor eu me apressar. Dou mais uma olhada no espelho e fico satisfeita comigo mesma. Saio do quarto e desço as escadas. Na sala estão papai, Seu Teodoro e Matteo. Só de vê-lo, já fico vermelha de vergonha e acabo apenas o admirando da escada. Os três estão com copos de uísque nas mãos. Mamãe aparece na sala e avisa que o jantar será servido em 10 minutos. Vou direto para a sala de jantar, onde mamãe e Dona Carla já estão. — Você está linda, Hannah. — Obrigada, Dona Carla — digo sorrindo. Puxo a cadeira e me sento ao lado de mamãe. Depois de alguns minutos, os três aparecem. Papai se senta na ponta da mesa; Seu Teodoro e Matteo se sentam ao lado de Dona Carla, que está de frente para mim e mamãe. O jantar é servido e todos estão em silêncio, apenas comendo, até Dona Carla acabar com o silêncio. — O jantar está maravilhoso! Parabéns, Hannah, pela escolha dos pratos. — Obrigada, Dona Carla. — Mas me diga, Hannah, como vai a vida? Os estudos? Qual curso está fazendo? E os namorados? — pergunta Dona Carla, divertida. Todos param de jantar e me encaram, até Matteo. Minhas bochechas estão ardendo; devo estar vermelha que nem um pimentão. — Eu não tenho namorado e ainda não estou fazendo faculdade. — Mas por que ainda não está fazendo faculdade, querida? — pergunta Seu Teodoro. — Ainda não terminei o colegial. É a última semana de aula, e estou terminando o restante do semestre em casa. Também ainda não tenho idade para fazer faculdade. — Quantos anos você tem? — pergunta Dona Carla, me encarando. — Eu tenho 17 anos. — Você não parece ter essa idade. — Mas, Hannah, se me permite, queria te fazer uma proposta. — Pois não, Dona Carla. Pode dizer. Todos nós olhamos atentamente. — Você aceita casar com o Matteo? — Oi?! — a pergunta me deixa confusa. Matteo se engasga com o vinho, e Seu Teodoro começa a bater de leve em suas costas. Com muito custo, Matteo volta ao normal, e todos ficam em silêncio na mesa. — Está tudo bem com você, Matteo? — pergunta Dona Carla. — Está. A senhora está ficando doida, mãe? — responde ele, irritado. — Que bom que você está bem. Como eu estava dizendo, Hannah, você quer se casar com o Matteo. — Mas, Dona Carla. — Eu vou lhe explicar o que está acontecendo, Hannah. — Matteo está sendo irresponsável, entre outras coisas, principalmente com a empresa. Os sócios disseram que, se Matteo não se casar, ou se Teodoro não encontrar outra pessoa para representá-los, eles vão desfazer os negócios com a empresa. Ela diz isso com uma expressão de decepção no rosto. Todos continuam me olhando. Matteo se levanta da mesa e começa a sair da sala de jantar. — Matteo, eu não terminei! — diz Dona Carla. — Eu só vou pegar uma coisa — responde ele, saindo. Dona Carla volta a falar: — Então, Hannah, Teodoro treinou Matteo por anos para assumir seu lugar na empresa. Como vamos achar alguém assim da noite para o dia? É praticamente impossível. — É impossível — diz papai, me olhando. Matteo volta e se senta à mesa, com um copo de uísque e gelo em uma mão e a garrafa na outra. Apenas o olho e volto a encarar Dona Carla, que continua, — E, para ele se casar, tem que ser com uma pessoa de respeito, de família, de caráter e você é tudo isso. Apesar da pouca idade, isso não muda nada. — Pelo amor de Deus, ela é uma criança ainda, mãe! Quer que eu vire babá agora? — diz Matteo. — Eu não sou criança e muito menos preciso de babá — ainda mais sendo você. — Você não sabe nada da vida. — Eu sei mais do que você imagina. E, por favor, largue essa garrafa de uísque e resolva alguma coisa da sua vida sem essa porcaria na mão. Ele me olha com raiva nos olhos. Sei que ele está pronto para a briga — e eu também estou. — Carla, isso não vai dar certo. Acho melhor a gente ir — diz Seu Teodoro. Papai e mamãe não dizem nada, apenas observam tudo. — Eu aceito. Todos me olham surpresos. — Eu não vou deixar a empresa que meu pai tanto lutou para construir, que tanto batalhou para colocá-la onde está, acabar por irresponsabilidade de alguém. — Só que eu tenho uns pedidos a fazer. — Claro, Hannah, qualquer coisa — diz Dona Carla, com o maior sorriso no rosto. — Acho que amanhã é melhor para resolver isso, não acham? — diz mamãe, nos olhando. — A gente já vai indo, então. Até amanhã. Todos foram embora, inclusive Matteo, que saiu quase correndo.
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