Hannah
Tomo um banho bem quente e gostoso, mas não demorado. Hidrato-me com meus cremes.
Saio do banheiro para decidir o que vou usar para o jantar.
Opto por um vestido longo, florido, uma sandália simples de salto curto na cor nude, com uma make leve e batom nude.
Olho o celular e já são quase 20 horas. Mary já deve ter servido o jantar, é melhor eu me apressar.
Dou mais uma olhada no espelho e fico satisfeita comigo mesma.
Saio do quarto e desço as escadas. Na sala estão papai, Seu Teodoro e Matteo.
Só de vê-lo, já fico vermelha de vergonha e acabo apenas o admirando da escada.
Os três estão com copos de uísque nas mãos.
Mamãe aparece na sala e avisa que o jantar será servido em 10 minutos.
Vou direto para a sala de jantar, onde mamãe e Dona Carla já estão.
— Você está linda, Hannah.
— Obrigada, Dona Carla — digo sorrindo.
Puxo a cadeira e me sento ao lado de mamãe. Depois de alguns minutos, os três aparecem.
Papai se senta na ponta da mesa; Seu Teodoro e Matteo se sentam ao lado de Dona Carla, que está de frente para mim e mamãe.
O jantar é servido e todos estão em silêncio, apenas comendo, até Dona Carla acabar com o silêncio.
— O jantar está maravilhoso! Parabéns, Hannah, pela escolha dos pratos.
— Obrigada, Dona Carla.
— Mas me diga, Hannah, como vai a vida? Os estudos? Qual curso está fazendo? E os namorados? — pergunta Dona Carla, divertida.
Todos param de jantar e me encaram, até Matteo.
Minhas bochechas estão ardendo; devo estar vermelha que nem um pimentão.
— Eu não tenho namorado e ainda não estou fazendo faculdade.
— Mas por que ainda não está fazendo faculdade, querida? — pergunta Seu Teodoro.
— Ainda não terminei o colegial. É a última semana de aula, e estou terminando o restante do semestre em casa.
Também ainda não tenho idade para fazer faculdade.
— Quantos anos você tem? — pergunta Dona Carla, me encarando.
— Eu tenho 17 anos.
— Você não parece ter essa idade.
— Mas, Hannah, se me permite, queria te fazer uma proposta.
— Pois não, Dona Carla. Pode dizer.
Todos nós olhamos atentamente.
— Você aceita casar com o Matteo?
— Oi?! — a pergunta me deixa confusa.
Matteo se engasga com o vinho, e Seu Teodoro começa a bater de leve em suas costas.
Com muito custo, Matteo volta ao normal, e todos ficam em silêncio na mesa.
— Está tudo bem com você, Matteo? — pergunta Dona Carla.
— Está. A senhora está ficando doida, mãe? — responde ele, irritado.
— Que bom que você está bem. Como eu estava dizendo, Hannah, você quer se casar com o Matteo.
— Mas, Dona Carla.
— Eu vou lhe explicar o que está acontecendo, Hannah.
— Matteo está sendo irresponsável, entre outras coisas, principalmente com a empresa.
Os sócios disseram que, se Matteo não se casar, ou se Teodoro não encontrar outra pessoa para representá-los, eles vão desfazer os negócios com a empresa.
Ela diz isso com uma expressão de decepção no rosto.
Todos continuam me olhando. Matteo se levanta da mesa e começa a sair da sala de jantar.
— Matteo, eu não terminei! — diz Dona Carla.
— Eu só vou pegar uma coisa — responde ele, saindo.
Dona Carla volta a falar:
— Então, Hannah, Teodoro treinou Matteo por anos para assumir seu lugar na empresa.
Como vamos achar alguém assim da noite para o dia? É praticamente impossível.
— É impossível — diz papai, me olhando.
Matteo volta e se senta à mesa, com um copo de uísque e gelo em uma mão e a garrafa na outra.
Apenas o olho e volto a encarar Dona Carla, que continua,
— E, para ele se casar, tem que ser com uma pessoa de respeito, de família, de caráter e você é tudo isso.
Apesar da pouca idade, isso não muda nada.
— Pelo amor de Deus, ela é uma criança ainda, mãe! Quer que eu vire babá agora?
— diz Matteo.
— Eu não sou criança e muito menos preciso de babá — ainda mais sendo você.
— Você não sabe nada da vida.
— Eu sei mais do que você imagina.
E, por favor, largue essa garrafa de uísque e resolva alguma coisa da sua vida sem essa porcaria na mão.
Ele me olha com raiva nos olhos. Sei que ele está pronto para a briga — e eu também estou.
— Carla, isso não vai dar certo. Acho melhor a gente ir — diz Seu Teodoro.
Papai e mamãe não dizem nada, apenas observam tudo.
— Eu aceito.
Todos me olham surpresos.
— Eu não vou deixar a empresa que meu pai tanto lutou para construir, que tanto batalhou para colocá-la onde está, acabar por irresponsabilidade de alguém.
— Só que eu tenho uns pedidos a fazer.
— Claro, Hannah, qualquer coisa — diz Dona Carla, com o maior sorriso no rosto.
— Acho que amanhã é melhor para resolver isso, não acham? — diz mamãe, nos olhando.
— A gente já vai indo, então. Até amanhã.
Todos foram embora, inclusive Matteo, que saiu quase correndo.