Hannah
Praticamente não dormi nada à noite. Levanto-me, faço minha higiene pessoal e vou tomar café, já que não são nem 8h30 minutos.
Desço, papai e mamãe já estão acordados tomando café.
— Bom dia.
— Sua bênção, papai. Sua bênção, mamãe.
— Deus a abençoe, minha filha — dizem em um único som.
Sento-me e começo a tomar meu café. Coloco café com leite em uma xícara, pego uma torrada e também um pedaço de bolo de arroz, que por sinal está super fofinho.
Termino meu café e me levanto, mas papai me interrompe:
— Gostaríamos de conversar com você lá no escritório, filha.
— Tudo bem.
Levanto-me e vou rumo ao escritório. Entro e me sento.
Depois de alguns minutos, papai e mamãe entram e fecham a porta.
Papai e mamãe estão um ao lado do outro, de frente para mim. Eu os olho atenta e curiosa. Papai então diz:
— Hannah, a gente te chamou aqui para conversarmos sobre a proposta de Carla, que você aceitou de imediato, m*l pensou, querida, antes de responder.
A gente não quer que você sacrifique sua vida, seu futuro, por causa dos outros, nem da gente e nem por coisas materiais.
O que importa é ver você bem, minha filha. Só você.
— Papai, muito obrigada mesmo pela preocupação, mas eu pensei sim, e muito, essa noite. Minha resposta não mudou e nem vai mudar.
— Não vou deixar a empresa acabar por irresponsabilidade. Uma empresa pela qual o senhor praticamente deu o seu sangue.
Ela é a vida do senhor. Se ela fechar, Deus me livre, eu não vou me perdoar por saber que tive a chance de não deixar isso acontecer.
— Mas, Hannah, Matteo já é um homem feito, já tem uma vida.
Ele tem 31 anos e já viveu muita coisa.
Você, agora com 17, está praticamente começando a viver.
— E acho que você mesma já viu que ele não é uma pessoa muito fácil — diz papai, suspirando fundo.
— Não quero que você estrague sua vida, minha filha.
— Papai, eu só tenho 17 anos, mas sei bem o que quero. E não se preocupe, eu sei me cuidar.
— Mas, Hannah...
— Lorenzo, por favor — diz mamãe.
— A Hannah já tomou sua decisão.
Ela está crescida e sabe o que é melhorar para ela.
A vida é dela, então as escolhas também têm que ser dela, Mas só uma coisa.
— Minha filha, toda escolha geralmente tem uma consequência — mamãe diz, olhando para mim.
Ouvimos duas batidas na porta.
— Entre!
— Com licença. Seu Teodoro e Dona Carla acabaram de chegar.
— Por favor, peça que venham até aqui, Mary.
— Sim, senhor. Com licença.
Mamãe vem até mim, senta-se ao meu lado, me abraça e pergunta baixinho, para papai não ouvir.
— Tem certeza de que é isso que você quer?
Vocês dois morando juntos, você gostando dele e ele não, Pense bem, meu amor.
— É isso que eu quero, mamãe, Quem sabe as coisas mudam entre mim e ele.
— Só cuidado pra não machucar esse coração até lá, minha princesa — diz, beijando minha testa.
Seu Teodoro e Dona Carla entram no escritório, fazendo mamãe mudar de assunto.
Eles nos cumprimentam e se sentam um ao lado do outro em um dos sofás do escritório.
Papai e mamãe se sentam no outro, e eu estou ao lado da mesa do escritório.
— Bom dia!
— Bom dia!
— Fala Matteo, da porta do escritório, fazendo todos nós olharmos para ele.
Ele passa cumprimentando papai e mamãe.
Apenas me olha e acena com a cabeça, sentando-se ao meu lado, na outra cadeira perto da mesa.
Babaca.
— Então, Hannah, quais são as suas condições? Desculpe ir tão direto ao assunto.
— Imagina, Dona Carla, a senhora está mais que certa.
Todos me olham, e sei que estou corada de vergonha.
— Eu também tenho algumas condições pra essa palhaçada toda — diz Matteo.
— Eu acho que você não está em um momento favorável para exigir condições, Matteo , fala Seu Teodoro, com a cara de poucos amigos.
— Tudo bem, Seu Teodoro. Já que vamos nos casar, as condições têm que ser dos dois lados, mesmo que eu não tenha muito direito.
— Bom, eu não quero me casar na igreja.
Acho que isso é muito sério, já que só se pode casar uma única vez na igreja. Quero que seja somente no civil, Não quero festa.
— Kkkk! Você ainda acredita em amor verdadeiro e essas coisas todas?
Por isso não quer casar na igreja?
Meu Deus, eu vou me casar com uma criança!
Você não está vendo, mãe, que isso é burrice?
— Matteo, chega! — diz Dona Carla, bastante brava.
— Se estamos aqui hoje, com essa situação vergonhosa, é por sua causa, pelo irresponsável que você se tornou!
— E não quero mais ouvir suas gracinhas.
A Hannah está fazendo um sacrifício da vida dela pra nos ajudar.
— Se você não está satisfeito, então pode ir embora, que vamos treinar alguém pra ficar no seu lugar.
— Mas ouça bem, Matteo, a partir da hora que você passar por aquela porta, pode esquecer, ouviu bem? Esquecer quem eu sou.