CAPÍTULO 11

576 Words
Hannah Matteo não disse uma palavra, e todos nós estamos calados. Levanto-me, saio do escritório e vou até a cozinha. Peço à Mary que faça um chá e leve até a gente. Quem sabe assim nos acalmamos. Quando chego novamente ao escritório, Dona Carla está quase chorando, de cabeça baixa. Nenhum som se ouve. — Quem sabe um chá não nos acalme e conseguimos conversar melhor? — digo, quebrando o silêncio e o clima estranho que está no ar. — Achei que você tivesse mudado de ideia, Hannah — diz Dona Carla, com os olhos brilhando. — Imagina, Dona Carla, jamais volto atrás em uma palavra minha. Mary pede licença e entra no escritório, servindo o chá. Matteo não quis. Aquilo me irritou. Deposito minha xícara na mesa, levanto-me, vou até o mini bar e pego um copo com gelo em uma mão e, na outra, a garrafa de uísque. Vou até Matteo, coloco o copo ao seu lado na mesa, abro a garrafa e despejo o líquido até a metade. Coloco a garrafa sobre a mesa, pego o copo e entrego a ele, que pega com uma cara de desentendido. Ninguém diz nada, apenas observa tudo. — Acho que agora podemos continuar... e sem gracinhas, por favor — digo, olhando para Matteo. — Como já disse, o casamento será apenas no civil, sem festa. Apenas uma reunião para os sócios da empresa, parentes e pessoas mais próximas. Daqui a um ano, nos divorciamos. Para as pessoas de fora, seremos um belo casal... Mas entre a gente aqui, não precisaremos disso. É somente isso: minhas condições. — Mas só isso? — pergunta Dona Carla, surpresa. — Sim. — Ótimo, concordo com todas as suas condições — fala Matteo. — Você não tinha condições também? Estamos esperando. — Acho que você leu meus pensamentos. Assinaremos os papéis no sábado, e levarei minhas coisas hoje à tarde, para ir me acostumando e organizando os detalhes até lá. — Mas hoje já é quinta, Matteo, consegue organizar tudo até sábado? — Sim, mamãe. Me esforçarei para conseguir. Peço licença a todos, subo para o meu quarto e começo a arrumar minhas coisas. Será só um ano. Levarei apenas minhas roupas, sapatos e maquiagens. Termino de arrumar tudo e olho as horas no celular. Como passou rápido, já são 14h. Resolvo não descer para almoçar. Olho em volta, para as minhas sete malas. Kkk! Estou levando praticamente tudo. Pode ser exagero, mas estou separando todo tipo de roupa, para todas as ocasiões. Desço e peço que o nosso motorista coloque as malas no carro. — Mary, sabe onde estão meus pais? — O senhor Teodoro está no escritório, e Dona Carla está na biblioteca. — Obrigada, Mary. Vou até o escritório e me despeço de papai. — Vá com Deus e venha visitar a gente sempre. Ainda acho que você devia pensar mais — fala, todo emocionado. — Meu amor, está precisando de algo? — Vim me despedir, já estou indo. — Vá com Deus, minha filha. E qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, eu estou aqui. Boa sorte nessa nova fase da sua vida. — Tá bom, mamãe. Te amo muito. Saio da biblioteca e dou uma última olhada na casa onde passei minha vida toda. Suspiro fundo, abro a porta do carro e entro. Agora vai ser outra vida, novos hábitos. E, mesmo que seja apenas por um ano, muita coisa pode acontecer, assim como muita coisa pode mudar.
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