Hannah
O carro para na porta da casa de Matteo e que casa! É muito linda.
Paro de frente à porta de entrada, respiro fundo algumas vezes e toco o interfone.
Depois de alguns segundos, a porta é aberta por uma senhora de mais ou menos 50 a 65 anos.
— Boa tarde. A senhorita é a Hannah?
— Sim, sou eu mesma. Prazer.
— Prazer, sou a Carina. Entre O senhor Matteo pediu que, assim que a senhorita chegasse, eu a levasse ao escritório. Ele está à sua espera.
Apenas confirmo com a cabeça e começo a segui-la até o escritório. Pelo caminho, vou admirando aquela enorme casa.
Carina bate na porta e logo Matteo responde com um “entre”.
Ela o avisa que eu já cheguei e, logo em seguida, me dá passagem. Entro, e ela pede licença e se retira.
— Sente-se — ele aponta para a cadeira da mesa do escritório.
Eu me sento, e ele me encara.
— Queria falar com você sobre algumas coisas.
— Ok.
— Achei melhor conversarmos sobre isso, só nós dois.
Meu coração dispara e começo a ficar nervosa.
— Como você pode ver, a casa é grande. Tem três quartos além do meu, então você pode escolher qualquer um deles. Os três são suítes e têm closet. Você pode decorar como quiser, inclusive com os móveis. Estão todos vazios.
— Eu vou ser bem direto: não gosto dessa história de casamento.
— Então, por que aceitou?
— Porque eu estudei e me formei para isso.
Não vou deixar qualquer um tomar conta dos negócios da minha família.
— Esse casamento é uma fachada mesmo, e não espere que eu seja fiel, porque não vou ser. E não haverá nada entre nós dois.
Eu também não vou te mandar em nada; não sou seu pai nem sua babá.
— Vou continuar com a minha vida de sempre. A única diferença é que, para todos, virei um homem casado.
— A Carina vai te ajudar com o que precisar. Eu já terminei. Pode ir.
Estou me controlando para não chorar. Levanto-me e saio sem dizer uma palavra.
Carina está na sala com as minhas malas todas à sua volta. Ajudo com as malas e subimos as escadas até o corredor dos quartos.
Ela me mostra os quartos, e decido ficar com o quarto de frente ao de Matteo. Começo a arrumar minhas roupas no closet.
Quando termino, resolvo ir tomar banho. Assim que termino, me visto e desço para jantar.
Ao descer as escadas, não vejo ninguém.
Vou até a cozinha e encontro Carina terminando o jantar.
— Oi, Dona Hannah. A senhorita quer jantar agora? O senhor Matteo pediu para avisar que não vai jantar.
— Então não precisa colocar a mesa. Jantarei com você aqui, se não se importar.
— De maneira alguma, mas a senhorita, jantar aqui na cozinha.
— Por que não? Assim você me faz companhia.
— Se a senhorita deseja assim.
Carina é um amor de pessoa. Ela me lembra muito a Mary, que trabalha na casa dos meus pais.
Fico conversando com ela na cozinha até ela terminar o jantar.
Assim que termina, ela me serve e se senta na mesa comigo.
— Carina, está magnífico o jantar. Parabéns!
— Obrigada, Dona Hannah.
— Por favor, sem o “Dona”. Só Hannah. — Sorrio.
Carina dá um pulo da cadeira, assustada, olhando para a porta.
— Senhor Matteo! O senhor precisa de alguma coisa? Quer jantar? Se quiser, coloco a mesa imediatamente.
— Não precisa, Carina.
Ele me encara e continua:
— Como você ainda não comprou os móveis do seu quarto, pode dormir no meu.
— Obrigada, mas não precisa.
Levanto-me e saio da cozinha, indo para o meu quarto.
Troco de roupa e coloco um baby doll preto de bolinhas brancas.
Logo depois, alguém bate na porta.
— Só um segundo!
Abro a porta — é Carina.
— A senhorita precisa de alguma coisa?
— Na verdade, pode me arrumar edredom e travesseiros?
— Quantos a senhorita precisa?
— Quantos você conseguir.
— m*l me pergunte, para que a senhora vai usá-los?
— Vou fazer uma cama.
— Certo, já volto.
Carina sai e, depois de algum tempo, volta com algumas almofadas grandes e dois edredons.
— São dos sofás. Acho que ficam melhores que os travesseiros.
— Com certeza, Carina. Obrigada. Se quiser ir descansar.
Ela me deseja boa noite e sai.
Pego as almofadas, faço a minha cama e cubro-as com um dos edredons. Ficou melhor do que eu imaginava.
Ouço batidas na porta novamente. Caminho até ela e a abro.
— Esqueceu o travesseiro, Carina?
Quando abro a porta, vejo Matteo com o travesseiro nas mãos.
Ele o estende e me entrega, sem dizer nenhuma palavra.
Pego o travesseiro da mão dele e falo:
— Obrigada.
Ele não responde, apenas me olha.
— Por que não dorme no meu quarto e para com essa palhaçada aí? Eu não vou dormir em casa mesmo.
— Não precisa, é só uma noite. Passa rápido.
Ele não diz nada e sai.
Deito-me e fico olhando para o teto até pegar no sono.