Matteo
Olho no relógio e já são 16 horas.
Nem percebi o tempo passar.
Meu celular toca, e na tela aparece o nome Sr. Lorenzo.
Ligação on
— Boa tarde, Lorenzo.
— Boa tarde, Matteo. Como está?
— Tudo tranquilo. No que posso ajudar?
— Vou enviar alguns papéis para você assinar.
Preciso deles em mãos até amanhã, por volta deste mesmo horário.
— Tudo bem. Assim que estiver com eles, eu assino e lhe entrego.
— Ótimo. E já que falamos nisso, por que não aproveita e vem jantar conosco amanhã à noite? Assim juntamos o útil ao agradável.
— Perfeito, Lorenzo. Obrigado pelo convite.
— Até amanhã, então.
— Até.
Ligação off.
Volto a me concentrar nos papéis em minha mesa.
Preciso organizar tudo o quanto antes, está uma bagunça completa.
Logo, ouço duas batidas na porta.
— Entre!
— Senhor Matteo, a senhorita Pâmela està
aqui gostaria de falar com o senhor.
— Pode mandar entrar.
Iza sai, e alguns segundos depois, Pâmela surge na porta como sempre, impecável.
Vestido justo, perfume marcante e aquele olhar provocante que ela sabe usar como ninguém.
— Você passou a noite com alguma vagabunda, Matteo? — diz, cruzando os braços, visivelmente irritada.
Ergo uma sobrancelha, entediado.
— Vai querer dar uma de esposa agora? Achei que já tivéssemos deixado claro o que somos.
Você é meu passatempo, Pâmela. E eu fico com quem quiser. Sem precisar te dar satisfação. Está me ouvindo?
Ela suspira, abaixando o olhar.
— Desculpa, Matteo, É que eu não suporto te imaginar com outra mulher.
Não digo nada. Apenas volto aos meus papéis.
Ela se aproxima por trás, toca meus ombros e começa a massageá-los lentamente.
— Você parece tenso.
— E estou — respondo, com um meio sorriso. — Muito mais do que deveria.
Ela se inclina, deixando os lábios roçarem meu pescoço. O ar entre nós muda e fica denso, carregado de desejo e provocação.
Mas, antes que algo aconteça, a porta se abre de repente.
A filha do Sr. Lorenzo aparece parada no batente, com um maço de papéis nas mãos e o rosto completamente vermelho.
— Oh, meu Deus, me perdoem! Eu juro que bati!
Pâmela se afasta imediatamente, e eu fecho a expressão.
A jovem caminha até a porta, deixa os papéis no chão e murmura,
— Aqui estão os documentos, senhor Matteo.
Ela se vira rapidamente e desaparece, fechando a porta atrás de si.
Fico alguns segundos em silêncio, respirando fundo, tentando voltar tudo ao controle.
— Vista-se, Pâmela. E vá embora.
— Mas por quê? Vamos terminar o que começamos — ela sussurra, insistente.
— Não estou mais com cabeça pra isso.
Ela me encara, ofendida, mas entende o recado.
Recolhe a bolsa, ajeita o cabelo e caminha até a porta. Antes de sair, se vira e diz
— Você vai acabar se apaixonando por alguém um dia, Matteo. E vai odiar isso.
Não respondo. Apenas a observo sair.
Quando a porta se fecha, apoio os cotovelos na mesa e passo a mão no rosto.
O celular vibra , meu pai.
Respiro fundo e gravo um áudio.
— Pai, assim que eu sair da empresa, passo aí em casa. Precisamos conversar.
Envio a mensagem, encosto na cadeira e encaro a janela do escritório, pensando no quanto minha vida virou uma confusão que eu mesmo criei.