CAPÍTULO 5

557 Words
Matteo Olho no relógio e já são 16 horas. Nem percebi o tempo passar. Meu celular toca, e na tela aparece o nome Sr. Lorenzo. Ligação on — Boa tarde, Lorenzo. — Boa tarde, Matteo. Como está? — Tudo tranquilo. No que posso ajudar? — Vou enviar alguns papéis para você assinar. Preciso deles em mãos até amanhã, por volta deste mesmo horário. — Tudo bem. Assim que estiver com eles, eu assino e lhe entrego. — Ótimo. E já que falamos nisso, por que não aproveita e vem jantar conosco amanhã à noite? Assim juntamos o útil ao agradável. — Perfeito, Lorenzo. Obrigado pelo convite. — Até amanhã, então. — Até. Ligação off. Volto a me concentrar nos papéis em minha mesa. Preciso organizar tudo o quanto antes, está uma bagunça completa. Logo, ouço duas batidas na porta. — Entre! — Senhor Matteo, a senhorita Pâmela està aqui gostaria de falar com o senhor. — Pode mandar entrar. Iza sai, e alguns segundos depois, Pâmela surge na porta como sempre, impecável. Vestido justo, perfume marcante e aquele olhar provocante que ela sabe usar como ninguém. — Você passou a noite com alguma vagabunda, Matteo? — diz, cruzando os braços, visivelmente irritada. Ergo uma sobrancelha, entediado. — Vai querer dar uma de esposa agora? Achei que já tivéssemos deixado claro o que somos. Você é meu passatempo, Pâmela. E eu fico com quem quiser. Sem precisar te dar satisfação. Está me ouvindo? Ela suspira, abaixando o olhar. — Desculpa, Matteo, É que eu não suporto te imaginar com outra mulher. Não digo nada. Apenas volto aos meus papéis. Ela se aproxima por trás, toca meus ombros e começa a massageá-los lentamente. — Você parece tenso. — E estou — respondo, com um meio sorriso. — Muito mais do que deveria. Ela se inclina, deixando os lábios roçarem meu pescoço. O ar entre nós muda e fica denso, carregado de desejo e provocação. Mas, antes que algo aconteça, a porta se abre de repente. A filha do Sr. Lorenzo aparece parada no batente, com um maço de papéis nas mãos e o rosto completamente vermelho. — Oh, meu Deus, me perdoem! Eu juro que bati! Pâmela se afasta imediatamente, e eu fecho a expressão. A jovem caminha até a porta, deixa os papéis no chão e murmura, — Aqui estão os documentos, senhor Matteo. Ela se vira rapidamente e desaparece, fechando a porta atrás de si. Fico alguns segundos em silêncio, respirando fundo, tentando voltar tudo ao controle. — Vista-se, Pâmela. E vá embora. — Mas por quê? Vamos terminar o que começamos — ela sussurra, insistente. — Não estou mais com cabeça pra isso. Ela me encara, ofendida, mas entende o recado. Recolhe a bolsa, ajeita o cabelo e caminha até a porta. Antes de sair, se vira e diz — Você vai acabar se apaixonando por alguém um dia, Matteo. E vai odiar isso. Não respondo. Apenas a observo sair. Quando a porta se fecha, apoio os cotovelos na mesa e passo a mão no rosto. O celular vibra , meu pai. Respiro fundo e gravo um áudio. — Pai, assim que eu sair da empresa, passo aí em casa. Precisamos conversar. Envio a mensagem, encosto na cadeira e encaro a janela do escritório, pensando no quanto minha vida virou uma confusão que eu mesmo criei.
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