Matteo
Acordo com um barulho irritante de alguém cantando.
Abro os olhos e vejo uma bela loira, de corpo escultural, cantarolando uma música qualquer pelo quarto.
— Ainda bem que você serve pro gasto pra f*der, porque pra cantar, nem naqueles botecos de rodovia você serviria.
Ela me olha incrédula.
— Como você é grosso, seu babaca!
Dou de ombros, me levanto e vou ao banheiro fazer minha higiene pessoal.
Saio do banheiro e a loira ainda está deitada na cama, com o telefone em mãos, apenas de lingerie amarela.
Termino de me vestir e olho meu celular: tem mais de 90 mensagens e 22 chamadas perdidas.
— Mas que merda o dia m*l começou e já tenho mais de mil e um problemas pra resolver.
— Qual é mesmo o seu nome?
— É Malu.
Ela responde sem tirar os olhos do telefone.
— Acho que você está meio perdido no tempo, lindinho. Já passa das 11h30.
Olho para a tela do celular sem acreditar no que acabo de ouvir.
Como o tempo passou assim e eu não percebi?
Guardo o celular no bolso, pego a chave do carro e confiro pra ver se não está faltando nada.
Me viro e vejo Malu ainda deitada com o telefone em mãos.
Me viro novamente e rumo à porta.
— Você já vai? Que dia vamos nos ver de novo?
— Nunca mais.
— Mas por quê? — ela pergunta, meio confusa.
— Não gosto de comer a mesma coisa duas vezes — digo, piscando pra ela e começando a sair do quarto.
— Vai para o inferno, seu i*****l!
Não preciso de você mesmo, tem muitos me querendo! Inclusive, daqui a pouco Raul deve estar chegando aqui.
Mesmo você sendo grosso comigo, se quiser pode ficar e participar com a gente da nossa festinha particular.
— Eu tenho pena de você. Só prova que é uma vagabunda barata, igual a todas as outras.
— Você é um desgraçado!
Saio do quarto e deixo ela me xingando sozinha.
Não sou obrigado a ficar ouvindo essas baixarias.
Já estou com problemas demais e paciência de menos pra ouvir chiliques dela.
Vou até meu carro, destranco a porta, entro e vou direto para a empresa já estou mais do que atrasado.
Mas, antes, resolvo passar em casa e tomar um banho rápido. Troco de roupa, pego o que preciso e agora sim, vou pra empresa.
Chego à empresa, estaciono o carro no estacionamento e vou para o elevador.
Subo até o meu andar, passo pela minha secretária e vou direto para a minha sala.
Me sento na cadeira e começo a organizar uns papéis para ler.
Ouço duas batidas na porta.
— Entre!
— Bom dia, Sr. Matteo.
O senhor perdeu duas reuniões hoje de manhã.
Esses papéis aqui precisam de sua assinatura.
O Sr. Teodoro Miller pediu que, assim que o senhor chegasse, ele fosse avisado.
Mas ele já foi embora — disse Iza, minha secretária.
— Ligue para o meu pai e avise que já estou aqui. Volte a remarcar as reuniões.
— Mas, Sr. Matteo, essa é a terceira vez que eu remarco essas reuniões.
O Sr. Miller representou o senhor nelas.
— Tudo bem, pode ir.
— Com licença.
Meu pai veio para as reuniões?
Como ele soube?
Eu não disse nada a ele sobre isso tem alguma coisa errada.
Afasto esses pensamentos e começo a ler os papéis em minha mesa.