CAPÍTULO 3

528 Words
Bônus Teodoro Miller Acabo de sair da empresa e vou direto para casa. Preciso conversar com Carla sobre o nosso filho, para resolver mais uma vez o problema que Matteo me arrumou e, dessa vez, mais sério ainda. Passo a mão pelo cabelo enquanto dirijo, querendo chegar em casa o quanto antes. Desço do carro com a minha pasta em mãos e vou direto para a sala. Quando entro, vejo Carla sentada no sofá com um livro em mãos e uma xícara na mesinha de centro. Tenho que admitir que o tempo faz bem a ela, cada vez mais. Afasto esses pensamentos e a chamo. — Carla? — Oi, Teodoro. Chegou cedo do trabalho hoje. Aconteceu alguma coisa? — Sim, aconteceu. E precisamos conversar. — É muito sério, Teodoro? — Vamos conversar lá no escritório, é melhor. Saímos da sala e fomos para o escritório. Vou direto ao mini-bar, me sirvo um copo de uísque, dou a volta na mesa e me sento na cadeira de frente para Carla, que me olha atentamente. Afrouxo o nó da gravata e começo a falar. — Carla, é o Matteo. — O que ele fez desta vez, Teodoro? — ela pergunta, me olhando apreensiva. — Alguns dos sócios vieram falar comigo sobre o Matteo. Já estou afastado da empresa e, daqui a alguns meses, irei me afastar definitivamente. Mas os sócios acham que Matteo não está à altura para representar a nossa parte — a nossa família. — E por que não? Você o ensinou para isso — diz ela, arqueando uma sobrancelha. — Sim, Carla. Mas Matteo está chegando atrasado na empresa, de ressaca quase todos os dias. Tem sempre uma mulher diferente o procurando lá. Não participa das reuniões. Estamos perdendo cada vez mais investidores. Carla se levanta e senta no sofá do escritório, com as mãos no rosto. — Teodoro, eu não sei o que fazer com Matteo. Ele se tornou outra pessoa desde quando aconteceu aquilo tudo com ele e Isabel. — Ele se tornou frio, arrogante, imaturo se afastou de todo mundo, vive em um mundo só dele, e agora ficou um irresponsável — diz ela, olhando para mim com os olhos marejados e uma expressão de decepção no rosto. Continuo olhando e bebo mais um gole do meu uísque. — Os sócios estão me pressionando — digo, soltando um suspiro longo. — Como assim? Eles vão desfazer a sociedade? — Sim, se eu não decidir uma das propostas feitas por eles. — E quais são essas propostas? — Matteo deve tomar jeito e casar com uma pessoa de respeito, de família honesta, para ser um sócio de postura familiar. Ou tenho que achar alguém para assumir o posto de Matteo. Carla me olha apreensiva. — Mas são opções quase impossíveis, Teodoro! Como vamos arrumar alguém que queira casar com Matteo ainda mais tão rápido assim e pior, ele querer? E quem pode substituir Matteo? Ele está naquele cargo há anos, sabe de tudo naquela empresa. Isso tudo é uma loucura! — É uma loucura, sim, Carla. Mas temos que resolver isso de um jeito ou de outro. Daí, vamos ver qual é a melhor opção.
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