A sua companhia basta

1189 Words
HOSPITAL 🏥 🏥 🏥 🏥 🏥 09:30 AM.- Consultório. Pov's Megan. Arremesso o papel sobre a mesa, e o estalo da minha mão causa um barulho. — O que significa isso?— o confronto. Dr. Dylan está na cadeira giratória, de costas, sem verbalizar uma palavra. Ele gira no assento, mantendo a postura neutra. Seus olhos mantém-se indiferentes, enquanto analisa o meu comportamento. — Como assim me suspender por 3 dias?— gesticulou os braços, indignada.— Meus residentes não podem ficarem sem orientações. Sem mim, a emergência não funciona. — Pensasse bem, antes de agir fora da ética. — Como se o chefe, nunca tivesse feito nada de errado nessa vida. — jogo a indireta.— Todo mundo comete erros, estamos propício a isso. — Retire-se!— ele manda, apontando para porta.— Imediatamente. Não lhe dou o direito que invada a minha sala, e me ensine como devo trabalhar, dra.Megan. O tom arrogante percorre. Respiro fundo, arrancando o papel da sua mesa e saindo. Bato a porta de com força. ■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■ Às pressas, ando. Resolvo ir até meu consultório. Pego a minha bolsa e retiro o jaleco, levando comigo também as chaves do carro na mão, para ir embora. É frustrante andar pelo corredor do hospital e ouvir cochichos no fundo, nessas horas a notícia já se espalhou. Tanto que recebo alguns olhares de enfermeiras e médicos que estão de plantão. Chego a perceber o quanto meus colegas de trabalho estão me olhando torto. Saio, cabisbaixa, indo até o estacionamento. Destravo o carro e sento no banco do motorista, colocando uma música. Ponho a mão no rosto, fechando os olhos. Dou longos suspiros fundos, antes de ligar o veículo. Quando vou dá partida, alguém interrompe, dando batidas de leves. Assim que olho: — Ah, não! — murmuro, abaixando o vidro.— O que é agora, dr. Dylan? Não se preocupe, já estou indo embora. Antes de dá ré, o médico prepotente me impede que eu acelere o veículo. — Sua sogra chegou no hospital e está na UTI. — E você resolveu vim me avisar pessoalmente? Rebato, fazendo-o engolir em seco, e virar o rosto. Lhe observo de canto de olho, desconfiada. — Me acompanhe, já fiz o diagnóstico. — Rápido, assim? Retiro o cinto de segurança, saindo do veículo. Vou atrás dele, tentando alcançar os seus passos. ■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■ Sala cirúrgica. Ele é o cirurgião-chefe. Na tela é mostrado um slide, Dr. Dylan explica minuciosamente para toda equipe como deve ser realizado o procedimento. Assisto tudo, de pernas cruzadas. — Estou aqui como médica, ou como responsável?— interrogo, e logo vem o silêncio ensurdecedor. — Os dois.— ele me responde, sério. — A retirada do tumor celebral, pode ocasionar algumas sequelas na paciente. — Eu sei dos riscos. — disparo, num tom de afronta.— Tanto que eu não autorizo a minha sogra a realizar o procedimento. — Como assim não permite? O médico se frustra na hora, mudando o semblante. Seus olhos me fitam incrédulos. — A retirada do tumor pode até dar alguns meses de vida a avó dos meus filhos, mas isso poderá gerar a ela perda da visão, ficar até em estado vegetativo. Acho inaceitável viver nessas condições. — Você está sendo egoísta, dra. Megan. Prefere que ela morra? Capto o quanto ele fica nervoso e alterado naquele momento. — Não, eu prefiro que ela viva, Dr. Dylan— declaro.— Porém, eu conheço a minha sogra. Dona Matilde é uma mulher humilde, simples, passou a vida inteira trabalhando na fazenda, ela sempre caminhou com as próprias pernas. Eu não vou colocá-la numa situação, onde ela vai preferir morrer, do que viver. Se me derem licença, estou de saída. Pego a minha bolsa e saio daquela reunião, deixando o cirurgião com a cara de tacho e envergonhado perante a sua equipe. ■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■ 10:30 AM. Vou andando distraída pelo corredor. Até que entro na UTI, observando através da vidraça a minha sogra inconsciente, sob efeito de sedativo. Fico pensando: se Ryan estivesse vivo, ele estaria desesperado. Me retiro, antes de ser flagrada por algum dos enfermeiros e levar outro esporro do Dr. Dylan. Meus olhos são tampados inesperadamente, no meio do corredor. Sorrio, ao reconhecer o cheiro daquele perfume. — Advinha quem é.... O tom rouco sussurra no canto do meu ouvido. Dou uma gargalhada, me virando. — Que diabos faz aqui, Richard? — Surpresaaaa! O loiro abre os braços, todo feliz. Minha empolgação é tanta em reencontrá-lo, que o abraço. Uma coisa que imediatamente reparo é vê-lo de jaleco branco. O analiso, dos pés a cabeça. — Desde de quando você terminou a medicina, Richard? — Na verdade eu fui reprovado 5 vezes na residência, essa é a sexta vez que estou tentando. Depois dessa, eu desisto se eu não passar. Caio na risada. — Ah meu Deus! Você não toma jeito. — balanço a cabeça. — Acho que você vai ser a minha chefe. Richard me mostra o papel, que contém o meu nome. —Nao me diga...— miro.— Não é porque eu te conheço, que irei pegar leve com você, seu engraçadinho. O empurro de leve, e damos gargalhadas juntos. Fico o olhando, e ao mesmo tempo, o admirando. — Está afim de tomar um drink hoje comigo, Megan? Ouço o convite e lhe entreolho de relance. – Você sabe que eu não bebo. — A sua companhia basta. Richard insiste, enquanto me acompanha. Sinto aquela indireta, e imediatamente o corto: — Eu sou a esposa do seu irmão. Inclusive você era o namorado da minha irmã, mesmo a Natalie sendo chata pra caramba, os dois não merecem isso. — Eles estão mortos. — Existe uma coisa chamada: respeito, Richard. — Não estou dizendo que vamos namorar, Megan, só estou te convidando para sair. — ele fica tão sem graça, que m*l consegue me olhar.— Mas se não quer, tudo bem. Esqueça o que eu acabei de falar. — Eu aceito sair com você.— afirmo, vendo a reação de surpresa do novo residente. — Está falando sério? – seu tom soa em choque. — Uhum.— assinto.— Me pegue às 20:00 horas, não se atrase, está aqui o meu endereço. Eu vou levar também as crianças, não há problema nisso né? – Nenhum. Até porque não estamos tendo um encontro, Megan. — Não podemos confundir as coisas. Até mais! Passo por ele, e olho para trás um pouco balançada. É como se meu coração batesse de uma forma diferente, depois de tanto tempo.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD