HOSPITAL 🏥 🏥 🏥 🏥 🏥
09:30 AM.- ConsultĂłrio.
Pov's Megan.
Arremesso o papel sobre a mesa, e o estalo da minha mĂŁo causa um barulho.
— O que significa isso?— o confronto.
Dr. Dylan está na cadeira giratória, de costas, sem verbalizar uma palavra.
Ele gira no assento, mantendo a postura neutra. Seus olhos mantém-se indiferentes, enquanto analisa o meu comportamento.
— Como assim me suspender por 3 dias?— gesticulou os braços, indignada.— Meus residentes não podem ficarem sem orientações. Sem mim, a emergência não funciona.
— Pensasse bem, antes de agir fora da ética.
— Como se o chefe, nunca tivesse feito nada de errado nessa vida. — jogo a indireta.— Todo mundo comete erros, estamos propĂcio a isso.
— Retire-se!— ele manda, apontando para porta.— Imediatamente. Não lhe dou o direito que invada a minha sala, e me ensine como devo trabalhar, dra.Megan.
O tom arrogante percorre. Respiro fundo, arrancando o papel da sua mesa e saindo.
Bato a porta de com força.
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Ă€s pressas, ando.
Resolvo ir até meu consultório. Pego a minha bolsa e retiro o jaleco, levando comigo também as chaves do carro na mão, para ir embora.
É frustrante andar pelo corredor do hospital e ouvir cochichos no fundo, nessas horas a notĂcia já se espalhou.
Tanto que recebo alguns olhares de enfermeiras e médicos que estão de plantão. Chego a perceber o quanto meus colegas de trabalho estão me olhando torto.
Saio, cabisbaixa, indo até o estacionamento.
Destravo o carro e sento no banco do motorista, colocando uma mĂşsica. Ponho a mĂŁo no rosto, fechando os olhos.
Dou longos suspiros fundos, antes de ligar o veĂculo.
Quando vou dá partida, alguém interrompe, dando batidas de leves. Assim que olho:
— Ah, não! — murmuro, abaixando o vidro.— O que é agora, dr. Dylan? Não se preocupe, já estou indo embora.
Antes de dá rĂ©, o mĂ©dico prepotente me impede que eu acelere o veĂculo.
— Sua sogra chegou no hospital e está na UTI.
— E você resolveu vim me avisar pessoalmente?
Rebato, fazendo-o engolir em seco, e virar o rosto. Lhe observo de canto de olho, desconfiada.
— Me acompanhe, já fiz o diagnóstico.
— Rápido, assim?
Retiro o cinto de segurança, saindo do veĂculo. Vou atrás dele, tentando alcançar os seus passos.
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Sala cirĂşrgica.
Ele Ă© o cirurgiĂŁo-chefe.
Na tela Ă© mostrado um slide, Dr. Dylan explica minuciosamente para toda equipe como deve ser realizado o procedimento.
Assisto tudo, de pernas cruzadas.
— Estou aqui como médica, ou como responsável?— interrogo, e logo vem o silêncio ensurdecedor.
— Os dois.— ele me responde, sério. — A retirada do tumor celebral, pode ocasionar algumas sequelas na paciente.
— Eu sei dos riscos. — disparo, num tom de afronta.— Tanto que eu não autorizo a minha sogra a realizar o procedimento.
— Como assim não permite?
O médico se frustra na hora, mudando o semblante. Seus olhos me fitam incrédulos.
— A retirada do tumor pode até dar alguns meses de vida a avó dos meus filhos, mas isso poderá gerar a ela perda da visão, ficar até em estado vegetativo. Acho inaceitável viver nessas condições.
— VocĂŞ está sendo egoĂsta, dra. Megan. Prefere que ela morra?
Capto o quanto ele fica nervoso e alterado naquele momento.
— NĂŁo, eu prefiro que ela viva, Dr. Dylan— declaro.— PorĂ©m, eu conheço a minha sogra. Dona Matilde Ă© uma mulher humilde, simples, passou a vida inteira trabalhando na fazenda, ela sempre caminhou com as prĂłprias pernas. Eu nĂŁo vou colocá-la numa situação, onde ela vai preferir morrer, do que viver. Se me derem licença, estou de saĂda.
Pego a minha bolsa e saio daquela reuniĂŁo, deixando o cirurgiĂŁo com a cara de tacho e envergonhado perante a sua equipe.
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10:30 AM.
Vou andando distraĂda pelo corredor. AtĂ© que entro na UTI, observando atravĂ©s da vidraça a minha sogra inconsciente, sob efeito de sedativo.
Fico pensando: se Ryan estivesse vivo, ele estaria desesperado.
Me retiro, antes de ser flagrada por algum dos enfermeiros e levar outro esporro do Dr. Dylan.
Meus olhos sĂŁo tampados inesperadamente, no meio do corredor. Sorrio, ao reconhecer o cheiro daquele perfume.
— Advinha quem é....
O tom rouco sussurra no canto do meu ouvido. Dou uma gargalhada, me virando.
— Que diabos faz aqui, Richard?
— Surpresaaaa!
O loiro abre os braços, todo feliz. Minha empolgação é tanta em reencontrá-lo, que o abraço.
Uma coisa que imediatamente reparo é vê-lo de jaleco branco. O analiso, dos pés a cabeça.
— Desde de quando você terminou a medicina, Richard?
— Na verdade eu fui reprovado 5 vezes na residência, essa é a sexta vez que estou tentando. Depois dessa, eu desisto se eu não passar.
Caio na risada.
— Ah meu Deus! Você não toma jeito. — balanço a cabeça.
— Acho que você vai ser a minha chefe.
Richard me mostra o papel, que contém o meu nome.
—Nao me diga...— miro.— Não é porque eu te conheço, que irei pegar leve com você, seu engraçadinho.
O empurro de leve, e damos gargalhadas juntos. Fico o olhando, e ao mesmo tempo, o admirando.
— Está afim de tomar um drink hoje comigo, Megan?
Ouço o convite e lhe entreolho de relance.
– Você sabe que eu não bebo.
— A sua companhia basta.
Richard insiste, enquanto me acompanha. Sinto aquela indireta, e imediatamente o corto:
— Eu sou a esposa do seu irmão. Inclusive você era o namorado da minha irmã, mesmo a Natalie sendo chata pra caramba, os dois não merecem isso.
— Eles estão mortos.
— Existe uma coisa chamada: respeito, Richard.
— Não estou dizendo que vamos namorar, Megan, só estou te convidando para sair. — ele fica tão sem graça, que m*l consegue me olhar.— Mas se não quer, tudo bem. Esqueça o que eu acabei de falar.
— Eu aceito sair com você.— afirmo, vendo a reação de surpresa do novo residente.
— Está falando sério? – seu tom soa em choque.
— Uhum.— assinto.— Me pegue às 20:00 horas, não se atrase, está aqui o meu endereço. Eu vou levar também as crianças, não há problema nisso né?
– Nenhum. Até porque não estamos tendo um encontro, Megan.
— Não podemos confundir as coisas. Até mais!
Passo por ele, e olho para trás um pouco balançada. É como se meu coração batesse de uma forma diferente, depois de tanto tempo.