A noiteee.
20:00 PM.
Pov's Megan.
Checo o meu closet, fico em dúvida no que vestir. Tenho inúmeros vestidos e não encontro nenhum que está me agradando.
Até chego a experimentar alguns e jogo sobre a cama, desanimada.
Opto em colocar um moletom sobre o corpo. Nem penteo o cabelo, estou tão para baixo, que minha vontade é só de dormir.
A campainha toca exatamente no horário que marquei, às 20 horas. Passo pela sala e as crianças estão interdidas na TV, deitadas no sofá e a bebê no carrinho.
Abro a porta, dando de cara com Richard. Ele está de terno, muito elegante, para quem se preparou para ir jantar fora.
Ao contrário de mim. E seus olhos percorrem pro meu corpo de cima abaixo.
– Você sabe que eu não estou no clima.— fico séria, dando-lhe a******a para entrar.
– Trouxe isso.
— Obrigada— agradeço, recebendo a caixa de bombons de chocolate.– Você sabe que médicos não costumam comer muito açúcar.
— Dar para as crianças.
— Eles vão adorar— comento, enquanto observamos os miúdos assistindo o desenho.
Richard fica em pé, parado, encostado na parede.
— A Matilde está na UTI.— conto, e ele ergue a cabeça para me olhar nos olhos.— Não faria sentido eu sair para me divertir, enquanto a avó dos meus filhos está passando por um momento delicado.
— Andei sabendo do estado da tia. É grave mesmo?
— Muito. A possibilidade da cirurgia requer muitos riscos, e já descartei a hipótese.
— Você não vai querer nem tentar?
— Richard não podemos fazê-la se submeter a isso, por puro egoísmo. Se Ryan fosse vivo, ele tomaria a mesma decisão.
— Acho que o meu irmão insistiria.
O encaro, pensativa.
Daí a tensão some, quando o loiro vai cumprimentar as crianças.
Sophia fica tão feliz em revê-lo. E o lado infantil que ainda habita em Richard, acaba fazendo os meus filhos se soltarem.
Fico observando de braços cruzados, eles fazerem guerras de almofada. Me divirto, rindo.
Assim que a brincadeira acaba, o meu convidado se aproxima de mim, suado, por ter corrido pelo apartamento inteiro.
– Acho que os pestinhas estavam apenas esperando um adulto para brincar — seu tom ofegante e brincalhão enfatiza, e acabo sorrindo ao vê o seu estado.
— Eu não tenho muito tempo.— comento.— Tem dia que chego a ficar 36 horas de plantão no hospital.
— E quem cuida deles, Megan?
— A babá.
— Que lamentável.
— Pois é, mas eles agora entraram de férias no colégio. Eles vão passar 1 mês com a minha bisa lá na Fazenda.
— Lá eles são mais livres.
— Sophia morre de saudades do cavalo dela.
— E sua situação com a sua mãe e sua avó?— ele pergunta. E fico séria.
Suspiro bem fundo, encarando-o mexida.
— Deixei de falar com elas. Principalmente com a minha mãe, o que ela fez é imperdoável.
— Mas você não pode ficar de m*l com sua família, Megan.
Escuto o conselho, procurando absorver as palavras, apesar de eu ainda está muito machucada.
— Acho melhor você ir, Richard, estou um pouco cansada e amanhã tenho que entrar cedo no hospital. — invento, o levando até a porta.
Caminhamos lado a lado. E quando chega a hora de nos despedimos, surge um clima, ao ficarmos parados de frente um ao outro.
— Então tchau.— ele diz, sem jeito.
E quando o meu conhecido inclina a cabeça para dá um beijo em minha bochecha, fazemos um movimento que quase sai um beijo na boca.
Abaixo o rosto, sem graça.
Começamos a rir, sem ter coragem de encarar um ao outro.
— Perdão, Megan.
— Eu que peço desculpas. Dá próxima vez, tenta se controlar, Richard.
— Não foi a minha intenção. — consigo avistar um sorriso no canto dos seus lábios.
— Não se esqueça que eu sou a sua chefe agora— o relembro, entrando para dentro do apartamento — Até amanhã.
Fecho porta, sorrindo, pelo que acabou de acontecer.
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HOSPITAL 🏥
Na manhã seguinte....
Pov's Megan.
07:00 AM.
Mesmo suspensa, me atrevo a ir até ao hospital.
Dr.Dylan costuma chegar depois das 10:00 horas, aproveito que não irei me esbarrar com sua presença desagradável e dou passada na emergência.
Assim que chego na recepção, meus residentes estão brigando entre si.
– Você é um i****a, Oliver! Nem um sangue você consegue tirar direito, quase arrancou a veia do paciente.
— E você é uma estúpida, Chloe, vai cuidar da sua vida c*****o!
— Que isso?— grito, chamando atenção dos dois, que logo calam a boca.
Os olhares se voltam para mim. Há vários residentes presentes, inclusive Richard que está no canto, só observando.
– Voces acham que aqui é um circo que precisa de plateia? Vão circulando.— mando os demais saírem.— E vocês dois... — encaro f**o os causadores da confusão. — Eu deveria reprova-lós e mandar o relatório para diretoria. Mas vou dar uma chance desse m*l-entendido ser corrigido. Peçam desculpas um ao outro.
— Isso jamais, doutora.— a voz feminina soa insatisfeita.
— Tem certeza?— ameaço, pegando a caneta.
— Perai, doutora Megan, foi ele que me insultou primeiro.
—Não importa quem começou, aqui é um lugar de trabalho. O meu chefe mesmo todo dia me enche o saco, e se eu fosse mandar ele para aquele lugar....— reclamo em voz alta, enquanto falo m*l do Dr. Dylan. — Eu seria demitida.
A minha residente abaixa a guarda, assim como o outro, que se olham e apertam as mãos.
Richard sinaliza algo para mim, que tento entender, mas ele aponta para o balcão.
Olho em direção, sendo pega de surpresa quando vejo o buquê de flores e um cartãozinho. Leio o que está escrito:
" Aceita sair comigo hoje?"– olho para ele, e ele pisca para mim. — Com todo carinho, para minha chefe favorita"- Richard.
Exibo um sorriso bobo, segurando as flores. Fico tão balançada, que meus olhos brilham em direção ao dono da surpresa. Respondo que sim para o seu pedido, balançando a cabeça de leve, sem que ninguém note.
Meu sorriso se desfaz totalmente, quando sinto a chegada inesperada.
— O que faz aqui, dra. Megan, não está suspensa?— a voz autoritária ecoa atrás de mim.
Respiro fundo, antes de virar e encara-ló seco.
— Dr. nunca costuma chegar cedo, que milagre.
— Responda a minha pergunta.
Ele fica parado, impaciente, me intimidando.
— Fui visitar a minha sogra na UTI e resolvi dar uma passada aqui. Existe algum problema com isso?
— Pelo fato de você mentir descaradamente na minha cara, não.
Dr. Dylan passo reto, bravo, arrancando as flores da minha mão e jogando no lixo. A cena me dói, me sinto até humilhada.
Richard até sai do canto, para ir tirar satisfação, mas n**o através do olhar para que não faça aquilo.
— O que você fez? — grito indignada.— Quem você pensa que é para jogar as minhas flores fora?
—Flores é para velório, sua sogra ainda tá viva. Me acompanhe!— ele sai me arrastando pelo braço.
Escondo o cartazinho dentro do bolso do jaleco, para que não veja.
— Pra onde você está me levando?
Ele abre uma das portas. E Matilde está consciente, na maca. Engulo em seco, entreolhando para face do outro.
— Desde quando você aprendeu a mentir, Dra. Megan?
Encolho os ombros, quando escuto a pergunta.
– Não sabia que minha sogra tinha saído da UTI.
— Entre.
Dr. Dylan manda autoritário. E a contragosto, passo por ele.
Assim que ela me vê, sua fisionomia melhora. E mesmo tão fraca, me cumprimenta:
— Megan.
— Não faça esforço— peço, me aproximando.— Estou aqui.— seguro na mão da mais velha, e logo olho para o médico, interrogando.— Por que diminuiu a dosagem? Ela ainda era para está sedada.
— Se você não vai autorizar o procedimento, irei convencê-la que a cirurgia é a melhor opção.
— Eu não creio que você vai fazer isso, doutor!— me indigno.— Como pode pedir para uma paciente no estado dela, escolher.— aponto.
— Estou salvando uma vida.— Dr. Dylan teima, ficando de joelhos na frente da minha sogra. — Eu garanto a senhora que não vai haver sequelas.
Viro a cara, incomodada, pela insistência dele.
Matilde faz uma coisa, que nos deixam confusos. Ela começa a tocar no rosto do médico, e seus olhos enfermos o analisa.
— Filho, é você?