O que você fez?

1465 Words
A noiteee. 20:00 PM. Pov's Megan. Checo o meu closet, fico em dúvida no que vestir. Tenho inúmeros vestidos e não encontro nenhum que está me agradando. Até chego a experimentar alguns e jogo sobre a cama, desanimada. Opto em colocar um moletom sobre o corpo. Nem penteo o cabelo, estou tão para baixo, que minha vontade é só de dormir. A campainha toca exatamente no horário que marquei, às 20 horas. Passo pela sala e as crianças estão interdidas na TV, deitadas no sofá e a bebê no carrinho. Abro a porta, dando de cara com Richard. Ele está de terno, muito elegante, para quem se preparou para ir jantar fora. Ao contrário de mim. E seus olhos percorrem pro meu corpo de cima abaixo. – Você sabe que eu não estou no clima.— fico séria, dando-lhe a******a para entrar. – Trouxe isso. — Obrigada— agradeço, recebendo a caixa de bombons de chocolate.– Você sabe que médicos não costumam comer muito açúcar. — Dar para as crianças. — Eles vão adorar— comento, enquanto observamos os miúdos assistindo o desenho. Richard fica em pé, parado, encostado na parede. — A Matilde está na UTI.— conto, e ele ergue a cabeça para me olhar nos olhos.— Não faria sentido eu sair para me divertir, enquanto a avó dos meus filhos está passando por um momento delicado. — Andei sabendo do estado da tia. É grave mesmo? — Muito. A possibilidade da cirurgia requer muitos riscos, e já descartei a hipótese. — Você não vai querer nem tentar? — Richard não podemos fazê-la se submeter a isso, por puro egoísmo. Se Ryan fosse vivo, ele tomaria a mesma decisão. — Acho que o meu irmão insistiria. O encaro, pensativa. Daí a tensão some, quando o loiro vai cumprimentar as crianças. Sophia fica tão feliz em revê-lo. E o lado infantil que ainda habita em Richard, acaba fazendo os meus filhos se soltarem. Fico observando de braços cruzados, eles fazerem guerras de almofada. Me divirto, rindo. Assim que a brincadeira acaba, o meu convidado se aproxima de mim, suado, por ter corrido pelo apartamento inteiro. – Acho que os pestinhas estavam apenas esperando um adulto para brincar — seu tom ofegante e brincalhão enfatiza, e acabo sorrindo ao vê o seu estado. — Eu não tenho muito tempo.— comento.— Tem dia que chego a ficar 36 horas de plantão no hospital. — E quem cuida deles, Megan? — A babá. — Que lamentável. — Pois é, mas eles agora entraram de férias no colégio. Eles vão passar 1 mês com a minha bisa lá na Fazenda. — Lá eles são mais livres. — Sophia morre de saudades do cavalo dela. — E sua situação com a sua mãe e sua avó?— ele pergunta. E fico séria. Suspiro bem fundo, encarando-o mexida. — Deixei de falar com elas. Principalmente com a minha mãe, o que ela fez é imperdoável. — Mas você não pode ficar de m*l com sua família, Megan. Escuto o conselho, procurando absorver as palavras, apesar de eu ainda está muito machucada. — Acho melhor você ir, Richard, estou um pouco cansada e amanhã tenho que entrar cedo no hospital. — invento, o levando até a porta. Caminhamos lado a lado. E quando chega a hora de nos despedimos, surge um clima, ao ficarmos parados de frente um ao outro. — Então tchau.— ele diz, sem jeito. E quando o meu conhecido inclina a cabeça para dá um beijo em minha bochecha, fazemos um movimento que quase sai um beijo na boca. Abaixo o rosto, sem graça. Começamos a rir, sem ter coragem de encarar um ao outro. — Perdão, Megan. — Eu que peço desculpas. Dá próxima vez, tenta se controlar, Richard. — Não foi a minha intenção. — consigo avistar um sorriso no canto dos seus lábios. — Não se esqueça que eu sou a sua chefe agora— o relembro, entrando para dentro do apartamento — Até amanhã. Fecho porta, sorrindo, pelo que acabou de acontecer. ■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■ HOSPITAL 🏥 Na manhã seguinte.... Pov's Megan. 07:00 AM. Mesmo suspensa, me atrevo a ir até ao hospital. Dr.Dylan costuma chegar depois das 10:00 horas, aproveito que não irei me esbarrar com sua presença desagradável e dou passada na emergência. Assim que chego na recepção, meus residentes estão brigando entre si. – Você é um i****a, Oliver! Nem um sangue você consegue tirar direito, quase arrancou a veia do paciente. — E você é uma estúpida, Chloe, vai cuidar da sua vida c*****o! — Que isso?— grito, chamando atenção dos dois, que logo calam a boca. Os olhares se voltam para mim. Há vários residentes presentes, inclusive Richard que está no canto, só observando. – Voces acham que aqui é um circo que precisa de plateia? Vão circulando.— mando os demais saírem.— E vocês dois... — encaro f**o os causadores da confusão. — Eu deveria reprova-lós e mandar o relatório para diretoria. Mas vou dar uma chance desse m*l-entendido ser corrigido. Peçam desculpas um ao outro. — Isso jamais, doutora.— a voz feminina soa insatisfeita. — Tem certeza?— ameaço, pegando a caneta. — Perai, doutora Megan, foi ele que me insultou primeiro. —Não importa quem começou, aqui é um lugar de trabalho. O meu chefe mesmo todo dia me enche o saco, e se eu fosse mandar ele para aquele lugar....— reclamo em voz alta, enquanto falo m*l do Dr. Dylan. — Eu seria demitida. A minha residente abaixa a guarda, assim como o outro, que se olham e apertam as mãos. Richard sinaliza algo para mim, que tento entender, mas ele aponta para o balcão. Olho em direção, sendo pega de surpresa quando vejo o buquê de flores e um cartãozinho. Leio o que está escrito: " Aceita sair comigo hoje?"– olho para ele, e ele pisca para mim. — Com todo carinho, para minha chefe favorita"- Richard. Exibo um sorriso bobo, segurando as flores. Fico tão balançada, que meus olhos brilham em direção ao dono da surpresa. Respondo que sim para o seu pedido, balançando a cabeça de leve, sem que ninguém note. Meu sorriso se desfaz totalmente, quando sinto a chegada inesperada. — O que faz aqui, dra. Megan, não está suspensa?— a voz autoritária ecoa atrás de mim. Respiro fundo, antes de virar e encara-ló seco. — Dr. nunca costuma chegar cedo, que milagre. — Responda a minha pergunta. Ele fica parado, impaciente, me intimidando. — Fui visitar a minha sogra na UTI e resolvi dar uma passada aqui. Existe algum problema com isso? — Pelo fato de você mentir descaradamente na minha cara, não. Dr. Dylan passo reto, bravo, arrancando as flores da minha mão e jogando no lixo. A cena me dói, me sinto até humilhada. Richard até sai do canto, para ir tirar satisfação, mas n**o através do olhar para que não faça aquilo. — O que você fez? — grito indignada.— Quem você pensa que é para jogar as minhas flores fora? —Flores é para velório, sua sogra ainda tá viva. Me acompanhe!— ele sai me arrastando pelo braço. Escondo o cartazinho dentro do bolso do jaleco, para que não veja. — Pra onde você está me levando? Ele abre uma das portas. E Matilde está consciente, na maca. Engulo em seco, entreolhando para face do outro. — Desde quando você aprendeu a mentir, Dra. Megan? Encolho os ombros, quando escuto a pergunta. – Não sabia que minha sogra tinha saído da UTI. — Entre. Dr. Dylan manda autoritário. E a contragosto, passo por ele. Assim que ela me vê, sua fisionomia melhora. E mesmo tão fraca, me cumprimenta: — Megan. — Não faça esforço— peço, me aproximando.— Estou aqui.— seguro na mão da mais velha, e logo olho para o médico, interrogando.— Por que diminuiu a dosagem? Ela ainda era para está sedada. — Se você não vai autorizar o procedimento, irei convencê-la que a cirurgia é a melhor opção. — Eu não creio que você vai fazer isso, doutor!— me indigno.— Como pode pedir para uma paciente no estado dela, escolher.— aponto. — Estou salvando uma vida.— Dr. Dylan teima, ficando de joelhos na frente da minha sogra. — Eu garanto a senhora que não vai haver sequelas. Viro a cara, incomodada, pela insistência dele. Matilde faz uma coisa, que nos deixam confusos. Ela começa a tocar no rosto do médico, e seus olhos enfermos o analisa. — Filho, é você?
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