Imperdoável

1092 Words
Já caíra a noite enquanto aguardava, sentado sobre o sofá caro do escritório no centro, que seu convidado aparecesse. Estava impaciente, queria que a família de seu ex-sócio pagasse caro pela sua traição, sua cabeça maquinava por onde começaria, iria torturar Richard pelo maior tempo que conseguisse, queria ouvi-lo implorar pela sua vida e pela vida dos filhos, iria matar um a um na frente dele. Tragou novamente o charuto apreciando a sordidez de seus desejos, estava decidido, Richard seria um exemplo para seus inimigos, ninguém mais ousaria traí-lo. Voltou se irritado para Martino, estava impaciente com a demora: - Martino onde estão os Fujiwara? - Estão a caminho, Senhor Víbora. - Detesto essa demora. Diz Víbora tragando novamente o charuto. Estava impaciente, tudo deveria ser resolvido naquele mesmo dia, não daria margem para uma fuga. Os seguranças no local se agitam por alguns instantes, logo após Martino anuncia: - Senhor Víbora, o senhor Otto está aqui. - O que houve com o velho? Mande-o entrar. Otto era o segundo no comando da Casa de Carne, como os membros da família Fujiwara se referiam aos negócios chefiados por Akira e seus descendentes. Depois que uma briga interna entre facções rivais dentro da família Fujiwara quase acabou com todos os pertencentes da mesma, abaixo do Líder do Clã estava o chefe da Casa de Carne, Akira, ou como Víbora o chamava, o velho, e abaixo estava Otto, mais jovem que o primeiro e um gênio em arquitetar planos. Aproximou-se discreto como sempre, cumprimentou Víbora, que lhe fez um sinal para que se sentasse na poltrona à sua frente, o mesmo obedeceu, queria saber o que o poderoso empresário desejava de sua família. Os Fujiwara há séculos eram famosos no submundo, dominavam as apostas, prostituição, assassinatos, entre outros trabalhos. Por um preço alto, podia-se contratar o trabalho perfeito daquela família de marginais perigosos e cruéis. Otto questiona: - A que devo seu gentil convite, senhor Víbora? - Otto, eu quero um serviço muito especial... Para meu ex-sócio Richard! Quero que ele e a família sofram muito! - Toda a família? - Todos! Não me importa o que farão com eles, apenas desejo a destruição total de sua família e a morte de meu amigo de infância. O Fujiwara sorri enigmático pegando um envelope das mãos de Martino, Víbora completa: - Esses são os membros da família, sua esposa, seu filho adotivo, nora, seu neto... Quero todos acabados. - Quem é a garota? Pergunta Otto mostrando a foto de uma jovem de cabelos cor de rosa, Víbora ri soltando a fumaça do charuto respondendo: - É a filha de Suzanna, Alexy. - Quer ficar com ela, Senhor Víbora? - Não me interesso por essa criança, mas quero Suzanna como meu bichinho de estimação. Otto sorri olhando para as fotos da família novamente: - Entendo o que quer dizer, vamos iniciar o trabalho hoje mesmo. Max vai gostar de treinar essas mulheres. Víbora sorri frisando antes que o Fujiwara fosse embora: - Faço questão que Richard assista a tudo. - Como quiser, Senhor Víbora. Ri o Fujiwara pegando um envelope branco de papel muito maior que o primeiro em suas mãos entregue por Martino dizendo lhe: - Como sempre, metade agora, metade na entrega do bichinho do Senhor Víbora. Otto pega o envelope nas mãos antes de sair se despedindo de Víbora com um aceno no ar, o colocando com cuidado dentro do bolso interno de seu blazer preto de corte impecável. Saiu do prédio seguido por dois seguranças, entrou no carro n***o que imediatamente começou a rodar, logo que se distanciou do prédio pegou seu celular dizendo sem rodeios: - Temos trabalho agora a noite. Reúna os outros, estou chegando dentro de alguns minutos. Não muito longe daquele local, Ike, Chacal, Cássio, Marino e Eton dedicavam se uma rodada de poker valendo dinheiro como havia sugerido Cássio enquanto aguardavam as ordens de Otto. Os gritos femininos ecoavam pelo local. Ike odiava os métodos do irmão, aquela mulher estava gritando há horas, porque simplesmente não a amordaçava? Porque não podia demonstrar um pouco de piedade, de decência como qualquer outro ser humano? Chacal, o outro sádico entre eles, não podia evitar sorrir cada vez que ouvia um dos gritos apavorantes ecoando. Cássio irritado com a reação do parceiro de crimes diz: - Preste atenção no jogo i*****l! - Estou prestando atenção... Mas esse som é como uma prece em louvor a Jashin. - Esse Deus sequer existe, seu fanático imbecil... - Respeite a minha fé, seu zumbi de merda. Cássio segura Chacal pela nuca batendo sua cabeça contra a mesa várias vezes perguntando: - O que Jashin acha disso? - Eu ... vou ... teee... ma..ta..ar. Os demais apenas olham sem tomar parte nas brigas de Chacal e Cássio. Kamille, uma das únicas mulheres que trabalha para Max, observa aquela briga constatando: - Vocês dariam um ótimo casal. Cássio sequer responde, apenas lança-lhe um olhar mortal com seus assustadores olhos verdes. Kamille sabia bem do que Cássio era capaz, não era inteligente tirá-lo do sério. Cipriano, subgerente da família e primo de Otto, entra na sala acalmando os ânimos dizendo: - Temos trabalho agora à noite. Ike, onde está Max? O moreno apenas levanta seus olhos até o gerente, suspira cansado, logo seguido por outro grito feminino vindo do segundo andar do local. Cipriano volta seus olhos para a porta que leva àquele local e olha novamente para Ike com uma expressão enigmática. O gerente diz para todos com ar sério: - Preciso que se preparem. - Aonde iremos? Qual é o trabalho? Questiona Eton curioso e ansioso para poder usar seus talentos. Cipriano inicia: - Ainda não tenho detalhes, logo Otto estará aqui... Ele é interrompido pela chegada do mesmo, que entra na sala dizendo: - Senhores! Nós teremos hóspedes, quero que vão imediatamente buscá-los. - De quem se trata? Cássio questiona pegando o envelope com as fotos das mãos de Otto. - Richard e toda a sua família, não sejam vistos, tragam todos vivos para cá. Entenderam? - Sim. - Vão! Dito isso eles partem sem mais demoras para buscar os novos hóspedes. Um grito de mulher chama a atenção de Otto que questiona Cipriano: - Ele ainda está trabalhando na ruiva? - Sim. Otto sorri dizendo: - Avise que terá novos e belos animais para treinar logo mais... Depois temos de falar. - Certo, deixe-me avisar nosso gênio que deve terminar a sessão de hoje. Diz Cipriano subindo para a porta que o levaria até o segundo andar para tentar falar com Max.
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