Era só mais outra quinta-feira à noite na casa daquela família. Suzanna estava dando as últimas ordens para o jantar. Miguel, filho adotivo de Richard e Suzanna, jogava animado com seu filho Neto, Aika a namorada do rapaz e Alexy, sua irmãzinha e alegria de todos naquela casa. Suzanna havia desistido de ter filhos depois de cinco anos fazendo tratamentos de fertilidade sem sucesso algum, foi assim que decidiram adotar Miguel que na época já tinha seus seis anos de idade, quando o menino completou dez anos, a família foi surpreendida com a gravidez de Suzanna que deu à luz a Alexy.
Suzanna já estava começando a ficar preocupada com a demora de seu marido, já havia passado do horário dele chegar e estava com um pressentimento r**m naquele dia, parecia haver um nó em sua garganta. Observava a rua pela grande janela da entrada da casa, as mãos sobre o peito tomado pela angústia.
Ouviu o telefone tocar distante sendo atendido pela governanta, a mesma se aproximou com pressa da senhora entregando-lhe o aparelho e lhe informando ser Richard:
- Alô, Richard? Onde você está?
- Suzanna me escute com atenção! Pegue as crianças, limpe o cofre e se prepare, teremos de viajar às pressas.
- Por que isso Richard? E nossas coisas?
- Querida, com a fortuna que está em meu poder nós teremos uma nova vida... Mas temos de deixar o país, agora.
- O que está acontecendo Richard?
- Suzanna, por favor, faça o que estou pedindo.
- Mas e Miguel, Nina e Neto?
- Irão conosco.
- Mas Richard...
- Suzanna, eu estou chegando, por favor, abra o cofre.
- Tudo bem...
Richard desliga abruptamente o telefone deixando Suzanna ainda mais preocupada, ela olha para os filhos e o neto rindo despreocupados, corre escada acima assustada indo para o escritório para abrir o cofre da casa e pegar os valores que Richard deseja, está com um pressentimento muito r**m em seu coração, um pensamento invade sua mente:
“Deve ter algo a ver com Víbora, será possível?”
Se for isso, faz sentido o desespero de seu marido em deixar a casa e o país, aquele homem lhe dá arrepios. Lembrou-se de todas as histórias que seu marido contava sobre ele, lembrou-se de como Miguel veio para ela, deu graças a Deus pelos poderes mentais que o amigo de Richard colocou no garoto. Seus olhos ficam marejados de repente, não sabe o que faria se o filho soubesse a verdade. Entra no escritório com pressa, fecha a porta atrás de si e se dirige a um quadro onde, atrás, fica o cofre da família.
Antes de chegar em casa, Richard precisa fazer outra ligação, tem de ser rápido:
- Alô.
- Hélio?
- Sim, quem fala?
- Richard Manhães... Miguel me deu seu número, na recepção da delegacia tem tudo que você precisa para colocar Víbora na cadeia.
- Por que…?
O som da ligação encerrando chama a atenção de Hélio, que se dirige rapidamente para a recepção da delegacia. Ainda dentro do carro em frente ao portão de entrada, Richard aciona o controle para abri-lo sem sucesso, tenta quatro vezes seguidas, sem conseguir que o portão se mova, vendo que será inútil, desce do carro e vai até o portão para abrir manualmente. Assim que chega, ouve a voz grave de Marino ordenando-lhe:
- Não se mexa, senhor!
Richard levanta as mãos sobre a cabeça virando se devagar para olhar quem lhe assalta, neste momento, percebe Chacal se aproximando dele com pressa seguido de Eton e Aath, o rapaz loiro sequer se detém, apenas coloca um artefato estranho no portão acionando logo depois, Richard nem sequer tenta lutar com os homens que lhe rendem, sabe que será morto se o fizer.
Explodindo o portão, os homens junto com Richard entram no carro, ele sabe que está perdido agora, conhece bem aquelas pessoas, fazem parte da Casa de Carne, ou seja, a gangue que os Fujiwara financiam. Com certeza, Víbora quer vingança. Está perdido, talvez com sorte só levem a ele, lhes oferecerá dinheiro, tem muito dinheiro, dará tudo que tem se não tocarem em sua família, tenta:
- Rapazes, me escutem! Esqueçam isso, posso fazer de vocês homens ricos.
- Ricos?
Responde Cássio, frio.
- Sim, deixe-nos fugir e lhes darei uma fortuna...
- Na mala? Já sabemos senhor Richard, entenda... Víbora pode nos fazer desaparecer... O que adianta ser rico e ter o fim que o senhor e sua família terão?
- Minha família?
- Sim, temos ordens de levá-los todos vivos...
- Sim, vamos nos divertir muito com vocês, principalmente Max...
Diz Chacal eufórico sendo interrompido por Richard:
- Vocês não ousariam tocar na minha família...
Richard rosnou essas palavras enquanto atacava Chacal com socos e pontapés, era o máximo que poderia fazer, não usava mais as habilidades herdadas de sua mãe desde que saíra das ruas e fora ser empresário com Víbora. Estava conseguindo deixar Chacal atordoado com seus ataques quando algo prendeu seu pescoço, Aath, que estava no banco de traz, apenas usou uma pequena coleira para estrangular Richard e imobilizá-lo, ao ver o homem com o rosto vermelho tentando respirar, Chacal gargalhou segurando-o pelo cabelo prateado, socando várias vezes seu rosto enquanto dizia:
- Agora é a minha vez, vovô.
Chacal espancou Richard até ele quase perder os sentidos. Jogou o corpo do homem de bruços no chão do carro, entre os bancos, Eton que estava observando do banco da frente, viu o colega rasgando a parte de trás da roupa de Richard, Eton protestou:
- Seu doente, precisa fazer isso aqui?
- O que foi loirinha, está com ciúmes?
Respondeu Chacal apertando a cabeça de Richard contra o tapete enquanto violava seu corpo sem a menor piedade ou pudor. Os gritos do homem foram abafados pelo som do mp3 do carro, Cássio detestava aquele som, o som da dor e do desespero e não entendia o prazer que Chacal e Max sentiam naquele tipo de violência, observou por um instante Eton se encolher no banco ao seu lado e seu rosto mudar de feições, lembrou se que o loiro já havia passado por aquilo durante muito tempo em sua vida. Disse enquanto suspirava cansado:
- Aguente apenas mais um pouco.
O loiro balançou a cabeça positivamente enquanto olhava para fora e aumentava um pouco mais o volume da música, no banco de traz Aath assistia extasiado Chacal violando o corpo de Richard, apenas advertiu o colega, ao percebê-lo socando as costelas do homem quando socava seu m****o violentamente em sua entrada traseira:
- Tente não estuprar este até a morte, precisamos dele vivo.
- Sim... Tão apertado! Você tem de experimentar o ** dele Aath.
- Com certeza...
Diz o ruivo, observando ávido aquela cena de violência à sua frente que fez seu m****o enrijecer dentro das roupas, mas agora não era o momento para esses pensamentos, deveria voltar antes dos colegas para poder arrumar os detalhes do local.
Na casa, enquanto Suzanna juntava tudo que havia no cofre dentro de uma bolsa com pressa, estava desesperada, precisava sair logo daquela casa, não era mais seguro ali. Escutou uma voz masculina lhe dizer calmamente:
- Senhora, vire devagar.
Suzanna não conseguiu proferir uma única palavra, ouviu o homem lhe dizer:
- Venha até a minha direção.
Ela se moveu devagar na direção de quem lhe falava, observou o rosto do rapaz, moreno, alto, o corpo esguio, os olhos vermelhos lhe chamaram a atenção, com certeza o conhecia, aquele era um dos membros do clã Fujiwara, já havia o visto em sua casa. Por um instante ficou confusa. Baixou os olhos imediatamente, certa vez o marido havia comentado sobre as habilidades daquela família, não havia entendido do que se tratava, mas lembrou que acaso encontrasse com um deles, não deveria olhar em seus olhos.
Ike pegou a bolsa das mãos de Suzanna levando a consigo para fora do quarto, percebeu imediatamente que ela o reconheceu, aproximou se dizendo em seu ouvido:
- Não diga nada... Eu vou ajudá-los...
Suzanna arregalou os olhos, estava assustada e queria saber o que estava havendo quando ouviram o som de algo quebrando no andar de baixo, Miguel ao ver Marino rendendo sua família entrou em uma luta corporal com ele. Miguel era policial e praticava artes marciais, não se deixaria ser rendido por um homem sozinho e aparentemente desarmado, Marino socava o rosto de Miguel que até agora o havia ferido bastante, o loiro estava quase dominando a situação enquanto Nina fugia com os mais jovens para fora de casa, talvez por esse motivo ele não percebeu os homens entrando pela porta, apenas ouviu o som do disparo seguido por sua camiseta se encharcando com seu próprio sangue.
Suzanna ao ver o filho ferido, correu até ele para tentar ajudá-lo, queria ver o ferimento, Marino se afastou dos dois indo na direção de Ike enquanto os demais entravam pela porta com Richard, Neto, Aika e Alexy. Chacal vinha um pouco mais atrás, todos puderam ver quando ele deu uma bofetada em Nina, essa havia tentado correr mesmo depois de ser rendida pelos bandidos. Chacal gritou enquanto ela perdia o equilíbrio:
- Vamos vagabunda, sem mais gracinha.
- Me solta, me deixa em paz!
- Mãe, eles atiraram no pai!
Gritou Neto ao ver sua mãe. Nina olhou desesperada para dentro da sala vendo a sogra junto do marido lhe prestando os primeiros socorros, tentou ir até lá, mas Chacal a manteve presa pelos cabelos junto a si. Sentada no chão, de onde estava, ainda tentando se soltar, pode observar que Richard estava sangrando e muito ferido, não conseguiu entender o que estava havendo, mas algo lhe dizia que aquilo não acabaria bem. Vendo todos os membros da família ali, Cássio questionou:
- E os empregados?
- Presos em pesadelos, a casa está limpa.
Responde Marino. Cássio acrescenta:
- Ótimo, vamos embora.
Suzanna olhou para os homens se aproximando dela e de seu filho ferido, protestou ao ver Cássio levantar Miguel do chão dando lhe um forte puxão:
- Por favor, ele precisa de cuidados médicos.
Chacal levantou a mulher pelos cabelos logo depois de empurrar Nina para perto de Neto, riu dizendo:
- Ele terá muitos cuidados assim que deixarmos esse lugar. Mexam se.
Fazendo todos saírem pela parte de trás da mansão sendo escoltados pelos empregados da Casa de Carne até seu insólito destino.