Aath estava vindo à frente do grupo no carro menor da organização, aquele onde Marino e Ike foram até a casa, enquanto dirigia ligou para um de seus amigos mais queridos, precisava lhe contar que havia achado algo que talvez lhe interessasse muito:
- Alô!
- Aath, o que aconteceu?
- Escute Querubim, acabamos de receber um ótimo carregamento e em breve teremos encomendas que lhe interessaram.
Silêncio seguido do som que vagamente lembrava uma risada de fundo foi ouvida por Aath, seguida da voz de Querubim:
- Em breve vou procurar Otto, quero muito ver esse novo carregamento.
- Sei que irá lhe agradar...
- Vejo você em breve.
Respondeu o homem do outro lado da linha desligando enquanto Aath já se encontrava na entrada para o esconderijo, tinha pressa, logo os hóspedes estariam ali, precisava se apressar.
Saindo da casa, Richard e os outros seis tiveram suas mãos e pés amarrados, foram vendados e amordaçados depois jogados em uma van, uns juntos dos outros. Aika apenas conseguia chorar, estava apavorada com tanta violência, havia recebido tapas em seu rosto e quando Chacal a havia posto na van apalpou seus s***s, chegando até mesmo a rasgar um pedaço de sua blusa, teria sido violentada se Eton e Ike não o tivessem impedido. Alexy, que havia presenciado tudo, tentou ajudar a amiga e cunhada, mas foi jogada no chão por uma cotovelada que Chacal lhe desferiu, sendo amparada por Ike logo após isso. Alexy não entendia o que estava acontecendo, tinha a estranha impressão de que já havia visto aquele homem moreno de olhos vermelhos com seu irmão, mas não conseguia lembrar se com clareza de onde o conhecia. Todos se mantinham muito próximos um dos outros, tentando passar alguma segurança. Cássio dirigia em alta velocidade, tinha pressa para chegar com os hóspedes. Suzanna percebeu que o marido estava muito ferido, e em silêncio, questionou aproximando se dele:
- Richard está ferido, o que está havendo?
- Está tudo bem...
- Você está sangrando.
- Eu não quero falar sobre isso agora...
Falou Richard quase como um sussurro, sentia se um lixo naquele momento, seu corpo estava machucado, seu orgulho estava ferido, sua masculinidade, tudo estava ruindo dentro dele naquele momento, continuou, precisava ao menos parecer forte:
- Escutem todos, será necessário que sejamos muito fortes, devemos nos apoiar uns nos outros o quanto pudermos... Me entenderam?
- Sim.
Respondem todos ao mesmo tempo, sem ter a real certeza do que estaria por vir naquele sombrio futuro. No esconderijo que abrigava os membros e atividades da Casa de Carne, Cipriano e Otto estavam sentados conversando sobre os possíveis motivos de Víbora para solicitar um serviço como o que estavam prestes a fazer:
- Víbora pode ser um homem bem c***l às vezes.
Disse Cipriano após ouvir o que Otto havia relatado sobre o encontro com Víbora e a encomenda do serviço que o mesmo havia feito. Otto suspirou:
- Víbora é um homem doente, quase tanto quanto nosso jovem gênio.
- Acho que Max ficou ainda pior de alguns tempos para cá... Você conhece bem Víbora, então?
- Conheço apenas pelo que o velho contava sobre ele, quem o conheceu bem foi o pai de Ike e Max...
- Como assim?
Otto olhou a sua volta para ter certeza de que os sobrinhos não estavam lhe escutando, respondeu:
- Mikoto era escrava de Fugaku, foi presente de Víbora para meu meio irmão, Max é doente como ele...
- Você está dizendo...
- Meu meio irmão sempre foi bom para os garotos, era até bom filho... Mas tinha um lado dele... Nossa... Não sei como aquela mulher sobreviveu tanto tempo.
Cipriano observava o rosto enojado de Otto com as lembranças que vinham de seu finado irmão. Akira tinha certeza de que a morte de Fugaku havia sido obra de Otto, segundo o patriarca daquele ramo da família Fujiwara, Otto odiava seu meio irmão. O gerente lhe questionou:
- O que faremos com as mulheres?
- O que sempre fazemos... Iremos arrumar compradores para elas, para quase todas.
- Como assim?
- Víbora deseja ficar com a mulher de Richard, Suzanna, até pagou a mais para que ela fosse treinada antes de ser entregue.
- Entendo!
Disse Cipriano, continuando a conversar sobre os detalhes de vendas e outras possibilidades para aquelas mulheres. No andar de cima, June estava coberta de sangue, passando no moedor os pedaços do corpo da última mulher que estava sendo torturada por Max. Depois da sessão de treinamento, que durou a tarde inteira, a jovem de cabelos vermelhos não resistiu e acabou morrendo, e como era de costume na Casa de Carne, quando isso acontecia, June era chamada com os cães para se livrar dos restos dos brinquedos que Max quebrava.
A mulher juntava os pedaços previamente esquartejados do corpo da vítima, passando logo após no moedor de carne que despejava em uma grande tigela para que os cães consumissem imediatamente, a jovem considerava aquela função tediosa e nojenta, mas preferia cumpri la ao correr o risco de ter o mesmo fim que aquelas pobres mulheres. Estava moendo o último pedaço de antebraço, assistindo os cães se alimentando vorazes de uma gosma cor de rosa que saía da máquina, estava perdida em seus pensamentos desolados quando sua atenção foi tirada por Aath, que parou junto a porta questionando:
- June, acabou de alimentá-los? Preciso arrumar tudo, teremos hóspedes em breve.
- Estão acabando de comer esse lixo… Novos hóspedes, não é um pouco cedo?
Aath não ousou entrar na sala enquanto os cães da raça cane corso, pertencentes a Max, permaneciam soltos se alimentando de forma voraz, o rapaz, como a maioria dos membros da organização, evitava chegar muito próximo daquelas feras apreciadoras de carne humana, treinadas para matar. June riu ao perceber o silêncio do rapaz, constatando:
- Não seja cagão, esses cães são mais obedientes que você. Não atacam sem comando.
- Eu não confio em um animal desse tamanho acostumado a se alimentar de restos humanos.
Um macho muito grande estava sentado observando Aath atentamente, independentemente de como o rapaz o olhasse, com certeza para ele, aquele cão era uma ameaça mortal. June riu, terminando de desmontar algumas partes do moedor, percebeu o cão observando Aath, deu um assobio que fez o cão sentar-se ao lado dela, que afagou sua cabeça dizendo:
- Bom menino! Então quem será dessa vez? Alguma encomenda?
- Sim, uma encomenda muito importante.
June franziu a testa curiosa fazendo um sinal para os cães saírem da sala, permitindo assim a entrada do assustado rapaz que necessitava arrumar o local onde a família ficaria presa. O local teria câmeras gravando tudo que aconteceria com aquelas pessoas, era uma sala enorme, sem móveis, sem janelas e completamente branca.
Da porta quase em frente à sala, Max saiu lentamente, curioso com a movimentação em seu andar particular, seu cabelo estava molhado, vestia uma calça jeans preta, uma camisa branca com botões, estava quase completamente aberta no peito, estava descalço, acabara de tomar banho. Precisava de um banho, sentia-se imundo além de cansado, aquelas sessões exigiam demais dele, às vezes por mais que fosse divertido também era fisicamente cansativo. Estava andando devagar, observando a luminosidade da porta aberta naquele andar, o segundo andar possuía um corredor m*l iluminado, possuía lâmpadas de cor vermelha e portas em ambos os lados, eram celas com uma minúscula a******a em suas portas, por aquele motivo, estranhou a porta aberta, moveu se sem pressa até lá vendo Aath no local, entrou observando o lugar, questionou, surpreendendo o outro que não o havia percebido:
- Os novos hóspedes ficaram aqui?
- Sim!
- Quem vai assistir?
- Quem encomendou o serviço.
- Hum! Quero assistir também.
- Não vejo problemas nisso.
Max saiu do local deixando novamente Aath sozinho, para alegria do mesmo, todos ficavam nervosos na presença do jovem e imprevisível Fujiwara, todos na Casa de Carne já haviam presenciado ao menos um incidente com o psicótico rapaz de olhos vermelhos. Max desceu as escadas devagar, ao avistá-lo, Kamille veio com presa em sua direção:
- Mestre, precisa de algo?
- Suba, vai cuidar da Mel! Ela precisa de um banho! O dono estará aqui daqui a pouco. Não a alimente demais dessa vez...
O olhar ameaçador não passou despercebido pela ruiva que apenas abaixou seu rosto para seguir e obedecer às ordens de seu mestre, Kamille havido sido treinada pelo moreno para ser seu bichinho, a garota era capaz de perceber, apenas pela forma como estava andando, o que seu mestre estava sentindo, não era capaz de contrariá-lo ou ser ríspida com ele, já havia se acostumado a ser humilhada e torturada. Todos sabiam que não conseguiria ficar longe dele, mesmo que ele ordenasse, era a única mulher que Max havia treinado para obedecer em tudo sem questioná-lo, era capaz de matar e torturar se lhe ordenasse. Kamille respondeu subindo as escadas com pressa:
- Sim, Mestre.
O moreno passou perto de Otto e Cipriano que conversavam no sofá, ambos o observaram sem alterar sua conversa. Foi até a cozinha pegar algo para comer e beber, estava mais entediado que o comum aquele dia, ultimamente seu trabalho não estava sendo tão divertido, treinar escravas sexuais sempre foi seu maior talento e prazer, mas há algum tempo não conseguia divertir se com suas treinadas, nos últimos dois meses já havia matado duas delas exagerando em seus treinamentos, aquela situação o frustrava.
Ainda na casa deixada às pressas pelos membros da Casa de Carne, Víbora estava apoiado em uma das mesas da sala de estar, enquanto Martino e seus homens vasculhavam a casa e matavam todos que encontravam. Víbora observava tudo ao seu redor atentamente, as memórias do longo tempo de amizade vinham à sua mente, sorriu ao se lembrar de sua origem e de sua infância juntamente com Richard. A voz de Martino o tirou de seus pensamentos:
- Senhor Víbora, o dossiê não está aqui.
- O quê?
- Reviramos cada canto dessa casa, não está aqui.
Víbora rangeu os dentes de raiva pegando um vaso sobre a mesa e o espatifando contra uma grande janela, estava furioso, como não havia percebido que Richard estava coletando dados sobre suas atividades, estava decepcionado com o ponto que o relacionamento entre os dois havia chegado, sem que ao menos ele soubesse qual o real motivo. Fez um sinal com a mão para Martino que deveriam sair do local, antes de deixar a casa ordenou:
- Queimem tudo.
- Sim, senhor Víbora! Ouviram, vamos pôr fogo em tudo.
Na garagem do esconderijo da Casa de Carne, a van m*l havia estacionado e Eton já havia descido da mesma entrando no esconderijo, questionando incomodado, os olhos azuis denunciavam sua indignação:
- Trouxemos a encomenda, onde devemos deixá-los?
- Vejamos se o quarto deles está pronto.
Disse Cipriano subindo as escadas para ver se Aath tinha aprontado tudo para receber os convidados. Voltou alguns segundos depois acompanhado pelo próprio, que sorria satisfeito:
- Tudo está preparado, podemos levá-los.
Max que ouvia atento a toda movimentação de dentro da cozinha, decidiu se aproximar para ver os novos hóspedes, Cássio entrou primeiro trazendo Richard e Suzanna, mesmo com a venda e a mordaça o moreno os reconheceu, sentiu se inquieto. À medida que os outros membros do grupo entravam, o rapaz reconhecia cada um deles, mas não eram quem esperava ver. Muitas vezes havia trabalhado para Richard, conhecia-o bem, esteve em sua casa algumas vezes, chegou até mesmo a conviver com seu neto e a sua filha por um tempo, antes desse achar que o então menino não era bom o suficiente para andar com sua família. Lembrou se da surra que tomou de seu pai aquele dia e da voz do mesmo gritando a cada cintada que lhe dava:
- Você não é bom o suficiente para ela!
Passou os dedos sobre uma cicatriz que possuía sob os fartos cabelos negros, a lembrança lhe trouxe um sentimento familiar, o ódio que quase nunca lhe abandonava, mesmo assim estava surpreso de se tratar do sócio de Víbora. Estava quase seguindo seu caminho, parecia que nada de interessante havia ali, quando ouviu Chacal gritar furioso:
- Desgraçada! Maldita, sua vagabunda miserável. Eu vou te matar agora mesmo.
Disse o homem jogando brutalmente o corpo de uma jovem contra o chão, assim que essa caiu, Chacal chutou seu estômago duas vezes seguidas, fazendo com que a garota se contorce se de dor sem derramar uma lágrima, ou emitir um único som, Max ficou surpreso com a reação da garota, aproximou se perguntando:
- O que aconteceu?
- Essa v***a louca me mordeu. Arrancou um pedaço da minha mão.
- Deixe-a comigo.
Disse Max se aproximando da garota, segurando-a por um de seus braços, enquanto ria discretamente da cara que Chacal fazia para o machucado em sua mão, levou a jovem consigo para o segundo andar. Sentiu seu coração bater forte acelerado, quando observou melhor a garota ao seu lado não teve dúvida, era quem desejava ver, sua paixão de infância, a dona dos cabelos cor de rosa, lembrava se dela ainda com os cabelos loiros, longos, lembrou se da surra que confessar seus sentimentos a ela lhe rendeu, uma grande surra de seu pai por causa da princesinha de Richard, Alexy. Não disse uma única palavra, Max não pode deixar de perceber que a jovem parecia ter crescido bem, tinha um corpo bonito cheio de curvas, e que a textura de sua pele era muito macia, sorriu ao pensar que teria todo o tempo para comprovar aquela maciez e a beleza da sua paixão de infância.
Chegou à porta aberta do quarto entregando a para Cássio, que soltou suas mãos e tirou-lhe a venda dos olhos, deixando o rosto da garota a mostra, Max a olhou atentamente, não tinha mais dúvidas, era Alexy a filha caçula de Richard, afastou se sorrindo talvez tivesse algo saboroso para brincar. A garota estava assustada, não o havia percebido. Voltou para seu quarto onde, com toda a certeza, Aath havia conectado um sistema de vigilância para que pudesse assistir aos hóspedes, o moreno assistia curioso quando Aath os deixou sozinhos. Antes de iniciar qualquer treinamento, falaria com Otto, faria suas exigências, seu treinamento teria um preço.
Assim que se viram sozinhos, Suzanna correu para o marido, estava apavorada, questionava lhe:
- Richard, o que está acontecendo? Você está bem? O que farão conosco?
Richard abraçou a mulher forte contra o peito, se odiando mentalmente por ter pedido que o velho adormecesse suas habilidades quando casou se com ela, se agora ainda tivesse como executar qualquer uma de suas habilidades não estariam ali, não teria passado pelo que passou, olhou um instante para o restante de sua família Alexy e Nina tentavam fazer o sangramento de Miguel estancar, sem nenhum sucesso, Neto tentava acalmar Aika que parecia não estar entendendo a realidade do que estava havendo. O homem respirou fundo o perfume dos cabelos de sua esposa respondendo:
- Suzanna eu nunca irei me perdoar de tê-la posto nessa situação.
- O que está havendo?
- Víbora...
- O quê...
Foram interrompidos pelo som da porta de sua cela abrindo, todos ficaram apreensivos ao verem um trio de pessoas entrando com uma grande caixa nas mãos, permaneceram imóveis e em silêncio aguardando o que ocorreria.