Os Miyamoto

1592 Words
Muito distante do esconderijo da Casa de Carne, na mansão Miyamoto, o clima estava tenso, Susumo não conseguia esconder sua preocupação com sua filha mais velha, Aika. Se a jovem estava em poder dos Fujiwara, ela corria sérios perigos, queria a filha de volta e estava disposto a iniciar uma guerra caso algo lhe acontecesse. Hiroshi, irmão gêmeo de Susumo, o assistia andando na sala nervoso enquanto espera Kou retornar com notícias, o som de um rugido vindo de Susumo quebrou o silêncio: - Irmão acalme-se, vai acabar libertando o poder de Black Star e não é um bom momento para isso agora. Susumo parou um instante olhando para a grande janela da sala onde estavam, voltando-se para Hiroshi, seus olhos azuis celestes não conseguiam esconder sua tristeza e preocupação, suspirou frustrado. Hiroshi continuou: - Eu disse que deveríamos ter acabado com aqueles malditos de olhos vermelhos quando a velha morreu. - Não poderia trair Maya, lembre-se que os Dragões só não desapareceram completamente por causa de um desses malditos. Hiroshi revirou os olhos frustrado, questionando: - O que pretende fazer agora? Vai deixá-los ficar com sua filha como uma das escravas deles? Susumo sentou-se na poltrona de frente para o irmão, informando-lhe: - Se eles realmente estiverem com ela… se eles tocarem nela … quero a morte de todos eles. Um sorriso macabro tomou conta do rosto de Hiroshi. O som das batidas na porta chamou a atenção dos dois, e logo Kou entrou respeitoso na sala. Susumo questionou impaciente: - O que descobriram? - O Chefe Hélio pode estar certo… - Como assim? Questionou Hiroshi. - Todos os empregados foram assassinados, a casa foi incinerada... Alguma coisa aconteceu com aquelas pessoas. - Meu Deus, Aika. Disse Susumo segurando a cabeça entre as mãos, Hiroshi diz: - Irei acionar oficialmente a polícia… Susumo acrescentou: - Contate Yukio, quero minha filha de volta Kou, entendeu? - Sim senhor, imediatamente. Kou sabia bem que se Susumo iria envolver Yukio e seus homens no assunto, é porque estava esperando o pior daquela situação, o homem de aparência oriental tentava entender o que havia ocorrido, sem conseguir imaginar uma resposta para tamanha brutalidade apenas saiu do local, enquanto Hiroshi acionou a polícia local e seu filho Yukio. Aquela situação não poderia ser melhor para ele, e saberia como se aproveitar disso. No esconderijo da Casa de Carne, Cipriano e Max haviam terminado de conversar com o Velho, que não havia ficado nada feliz com o erro cometido pelos mais jovens, Cipriano desceu as escadas do lado de trás do esconderijo que sai do quarto velho, constatando: - Agora é uma questão de tempo para que ela venha até aqui. - Você acha mesmo que ela viria? - A senhora Maya é nossa única esperança, se ela não vier… seremos dizimados pelos Dragões. Max fez uma expressão indecifrável, esperando por eles estava Otto que sequer quis saber o motivo da cara de decepção de ambos, Otto disse: - Max, venha comigo. - Precisa ser agora? Disse o garoto querendo voltar a seu quarto e pensar em como poderia fazer para evitar o m******e iminente, Otto ergueu uma de suas sobrancelhas, os olhos vermelhos e sem brilho estavam fixos em Max, o jovem suspirou frustrado respondendo: - Está bem, vamos terminar logo com isso. Max seguiu com Otto, para o escritório, ao entrarem na sala, uma jovem aguardava pacientemente sentada no sofá segurando uma xícara de chá, de onde Max a olhava parecia um pouco mais que uma criança, os cabelos castanhos escuros, presos em um r**o de cavalo que acabava em cachos perfeitos que estendiam-se até o meio das costas, Otto sentou-se em uma poltrona próxima a da jovem olhando-a, ela sorriu e Otto sorriu de volta, Otto apresentou: - Max, essa é a Imperatriz Abaddon. Max não moveu um passo na direção dela, um arrepio correu por sua coluna, até mesmo para ele, Abaddon era assustadora. Max, como todos os nascidos no Clã Fujiwara e nos Clãs mais tradicionais, tinha o conhecimento sobre aquelas criaturas, que eram conhecidas como os donos do universo. Raramente se envolviam nos assuntos dos humanos, o qual, a maioria deles considerava desprezíveis e descartáveis, apenas não os caçavam mais, pelo menos não diretamente, por um acordo entre os Imperadores com o Imperador Humano. Abaddon observou Max atentamente, para uma imperatriz como ela o medo no jovem era palpável, ela se levantou do sofá andando devagar na direção do mesmo e parou junto dele, Max tentou manter sua inexpressividade, o olhar de Abaddon tinha um peso esmagador, ela sorriu falando para Otto, sem parar de encarar Max: - Desejo contratar seus serviços, senhor Otto. Otto olhou de sobre o ombro para onde estava a imperatriz e seu sobrinho, quase riu da cena que estava vendo, Max estava parado com as mãos no bolso encarando Abaddon, que por sua vez o analisava, respondeu em tom sério: - O que podemos oferecer para sua grandiosidade? - Preciso de um de seus filhotes, pago o que desejar. Max apertou os olhos, questionou, tentando parecer ameaçador: - O que pensa que somos? Abaddon sorriu, Otto interrompeu, para evitar maiores problemas: - Perdoe-o, majestade. Mas não creio que tenhamos algum filhote em nosso Clã neste momento. - Qual o problema? Seu negócio lhe possibilita produzir um número enorme de Kami, sempre foi assim, não? Com um movimento rápido de corpo, Max saiu da frente da Imperatriz, que apenas o observou se afastando, indo para próximo de onde Otto estava. Abaddon continuou: - Posso perceber que tem um Dragão neste local, vão produzir mestiço de Dragão e Kami…? Que aberração. Sorriu ela, dizendo a última parte com desprezo palpável na voz: - Entenda majestade… Abaddon interrompeu: - Senhor Otto, seja razoável e atenda meu pedido, ou conseguirei o filhote de outra maneira. As Bruxas não veem problema em matar alguns de seu Clã, e com certeza sua Líder não se importaria de se livrar de sua gangue… Sorriu Abaddon amavelmente, completando: - Retorno em dois dias para ouvir sua resposta. Abaddon apenas retirou de uma pequena bolsa uma espécie de areia n***a soltando-a sobre o chão, a areia moveu-se um pouco formando um círculo, como se estivesse sendo movida pelo vento, a Imperatriz pisou no círculo de areia, desaparecendo em uma pequena tempestade de areia. Otto fez uma expressão indecifrável, dizendo para Max: - Vou à mansão Fujiwara, não faça nada com a garota dos Miyamoto. Max ficou em silêncio pensativo. Do lado de fora do esconderijo da Casa de Carne, Eton e Ike estavam sentados, precisavam conversar, Ike precisava de aliados dentro da casa. Eton disparou: - O que está planejando com os hóspedes, afinal? Max eu sei que é um doente, mas e você Ike? - E você, o que queria com os hóspedes, Eton? O rapaz loiro fica em silêncio, não conhecia bem Ike, não tinha certeza se podia confiar nele, estava se preparando para sair do local quando escutou a voz de Cássio: - Ele queria exatamente a mesma coisa que você, ajudar os novos hóspedes, Ike. - Cássio… Disse Eton surpreso, o gigante cheio de cicatrizes acendeu um cigarro e continuou: - Ike não estava aqui no tempo que a sua mãe veio para cá, ele não sabe da sua história… - O que quer dizer, Cássio? Perguntou Eton curioso, Cássio respondeu revirando os olhos: - Quando Ike nasceu, o velho não permitiu que Fugaku o criasse nos esconderijos da Casa de Carne. Acho que você e seu pai só se conheceram naquele problema na Terra dos youkai, não foi isso Ike? Ike ficou pensativo por alguns instantes, respondendo: - Sim, foi uma luta i****a entre os membros do nosso Clã que quase matou a todos. Conheci meu pai naquela época, e conheci Max, ele era pequeno ainda… Você foi hóspede, Eton? Eton abriu e fechou a boca sem conseguir dizer uma só palavra, Cássio o observou tentar explicar sua estadia naquela casa sem conseguir, decidiu continuar explicando: - Logo que você foi embora, Fugaku se associou ao Víbora, decididos que teriam uma fábrica de crianças que ninguém se importaria que fim teriam... Eton era um desses garotos… Isso explica o motivo que o leva querer ajudar aos hóspedes. Ike observou atentamente o rosto de Cássio, nas investigações sobre as atividades da Casa de Carne existe uma investigação que foi arquivada por falta de provas na época, sobre a associação daquela organização a redes de p*******a e tráfico de crianças, Ike sentiu-se enjoado apenas de tentar imaginar o que Eton havia passado em sua infância. Fez um sinal de negativo com a cabeça, constatando: - Meu pai era um monstro… Eu sou policial Eton, estou infiltrado na Casa de Carne para poder acabar com ela. Um dos hóspedes é um policial, em breve, a polícia os resgatará. Eton ficou surpreso por alguns instantes, mas depois lembrou-se do dia que Ike chegou, Otto havia comentado algo breve sobre o sobrinho que havia retornado de outro país, mas na verdade, ele nunca havia explicado o motivo de um dos membros do Clã Fujiwara ter estado tanto tempo longe dos demais. O garoto questionou: - Qual seu plano? - Precisamos ajudá-los a fugir o mais rápido possível, mas para isso temos que conseguir pegar as duas garotas e soltar os demais da jaula. - Isso é simples, podemos forjar uma invasão policial com fumaça, barulho… Sei lá o que mais a polícia tem... Na confusão, eles os deixaram para trás. Ambos observaram Eton, Ike constatou: - Isso pode funcionar, temos que planejar bem como faremos.
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