Assim que Max e Cipriano entraram no escritório, o gerente trancou a porta e se aproximou de Max, questionando preocupado:
- Do que está falando, Max?
- A filha de Richard me disse que uma das garotas que trouxemos faz parte da família Miyamoto, e que assim que Susumu souber disso iniciaremos uma guerra.
Cipriano ficou pensativo ouvindo o relato do jovem, tentou puxar de sua memória se haveria aquela possibilidade e olhou para a gigantesca TV na parede de sua sala, observando aquelas pessoas atentamente, percebeu uma marca aparecendo no ombro de uma das mulheres, voltou seus olhos para Max constatando:
- Estamos fodidos.
Max levantou-se apressado sendo seguido por Cipriano, assim que passaram pela sala viram Eton, Cássio, June, Chacal e Pay sentados no sofá branco da sala, enquanto June fazia sexo oral em Chacal, o namorado dela, Pay, assistia atento, até que ouviu a voz de Max dizendo:
- Pay, venha conosco.
O rapaz nada respondeu apenas os seguindo, June apenas observou o afastando enquanto montava sobre o m****o de Chacal, sem dar muita atenção ao que estava acontecendo. Cássio permanecia com seus olhos voltados para o aparelho de TV, sem dar a menor atenção ao assunto e muito menos aos gemidos do casal ao seu lado, todos que trabalhavam na casa de carne estavam acostumados com June e seu comportamento exibicionista, mas a movimentação de Eton se encolhendo e abraçando as pernas junto ao corpo chamou a atenção de Cássio, que questionou incomodado:
- O que foi? Decepcionado com seu namorado?
- Não diga bobagens, Cássio.
- O que foi então?
- Eles devem estar indo fazer alguma coisa com aquelas pessoas... Nossa, é horrível.
- Tente não pensar em nossos hóspedes como pessoas.
- Você não sabe como é...
Eton estava se emocionando novamente com as lembranças de sua infância e adolescência, dos estupros constantes que sofrera desde que a mãe o vendera juntamente com sua irmã, estaria naquela situação ainda se Cássio não o houvesse ajudado, até hoje o rapaz não sabia dizer se aquilo que ocorreu fora por pena ou apenas o mais velho havia visto o talento criminoso que havia nele. Sentiu a mão grande e pesada afagando sem jeito o alto de sua cabeça, o que fez o garoto olhar para o grande homem ao seu lado, que lhe dizia:
- Não se preocupe, eu tomo conta de você.
- Obrigado.
Eton não resistiu, apoiou sua cabeça próxima ao ombro de Cássio, que embora houvesse ficado um pouco sem jeito com a reação do garoto, não teve coragem de espantá-lo, continuou a conversa:
- Você viu quem são as moças que trouxemos?
- O que têm elas?
- Uma delas é a filha mais velha de um dos chefes do Clã Miyamoto, isso pode ser um enorme problema.
Eton fez silêncio olhando também para o aparelho de televisão, pensando no que havia ouvido. June, que também havia ouvido esta informação, agora maquinava como tirar proveito disso juntamente com Pay e Chacal.
Em um local fora do conhecimento de todos, Hélio e Ike estavam conversando, o encontro era estratégico, em uma loja de livros raros no centro da cidade. Ike folheava um livro enquanto o mais velho se aproximava parecendo que estava procurando um título na mesma sessão, falavam indiretamente quando estavam em lugares como aquele. O velho iniciou dizendo:
- O que sabemos?
- Os Manhães estão hospedados.
- Como estão?
- Não duraram muito, tem uma Miyamoto também. Preciso de ajuda para resgatá-los.
Hélio pensou alguns instantes e questionou:
- O que farão?
- Na maioria, vendas e assassinato.
- Venda?
- Brinquedos... Escravos...
- Brinquedos?
- Assuntos da Deep Web.
O velho fez um silêncio constrangedor ao ouvir aquela expressão, já imaginava do que se tratava, tudo que precisava agora era de um mandato para poder entrar no esconderijo e pegar a quadrilha.
- Quando? Onde?
- Aqui estão... Digo depois os outros detalhes, se conseguir.
Disse Ike derrubando um pedaço de papel no chão com o endereço do esconderijo e de um link onde possivelmente eles efetuavam seus negócios, Hélio colocou o pé sobre o papel, se certificou de estar sozinho e o apanhou disfarçadamente, após foi se afastando com calma, vendo Ike levar um par de livros até o caixa. O velho aguardou que esse saísse antes de também deixar o lugar, às informações que havia obtido eram de grande importância para ele, mais tarde pediria para conversar com um dos membros da família Miyamoto, para falar sobre as pistas que esse possuía sobre o desaparecimento daquela família.
No andar de cima do esconderijo da Casa de Carne, Max, Cipriano e Pay entraram no quarto onde a família de Richard estava, os enjaulados observaram os três, Cipriano os olhava atentamente quando reconheceu no canto, escondida atrás de Neto, a garota que procurava. Disse para Pay:
- A garota de cabelo escuro, pegue-a.
Pay não pensou duas vezes, desaparecendo da frente dos olhos de todos e aparecendo dentro da jaula, entre Aika e Neto, a jovem gritou ao sentir os braços de Pay a segurando firme, desaparecendo junto com ela de dentro da jaula. Neto chamou desesperado:
- Aika, onde está? Devolvam!
- Filho eles estão com ela, lá fora.
No lado de fora, Pay segurava Aika que gritava apavorada enquanto Max puxava a camiseta que vestia de sobre seu ombro direito, deixando a mostra um grande dragão colorido marcado sobre o ombro descendo para as costas da garota. Cipriano engoliu em seco, constatando:
- Que merda, é uma Miyamoto! Quem você é, garota?
- Aika...
Respondeu a garota timidamente. Max, que estava em silêncio, ordenou:
- Leve-a para o quarto azul, até que decidamos o que fazer com ela.
Pay saiu arrastando a garota para fora de lá, Neto sacudia a jaula desesperado tentando sair do local para reaver sua namorada, Max o observou por alguns segundos de junto a porta, antes de ligar a chave que os eletrocutava, ficou observando até ver fumaça saindo das mãos do jovem, bateu a chave novamente deixando todos desnorteados naquele local.
Assim que Cipriano estava fora da sala com Max, disse lhe:
- Preciso falar com o velho, ele saberá o que fazer.
Max nada respondeu, acompanhando Cipriano até o andar de baixo. Ike havia acabado de chegar a entrada do esconderijo, percebeu Cipriano e Max descendo do segundo andar, deixando assim, o caminho livre para que pudesse falar com Miguel, subiu rapidamente, pegou o celular na mão acionando um aplicativo especial que lhe permitia deixar as câmeras passando a imagem em repetição por algum tempo, sem que ninguém percebesse o erro. Subiu rapidamente para o segundo andar, não havia ninguém nos corredores, colocou a mão na maçaneta da cela e entrou cuidadoso, aproximou-se da gaiola, atento a movimentação da entrada da cela, entregou algumas garrafas de água e alguns pães, dizendo:
- Trouxe alguma água, comida e alguns medicamentos para você Miguel. Como estão?
- Ike, levaram Aika daqui. Precisamos saber se ela e Alexy estão bem.
Pediu Miguel, enquanto Nina limpava o ferimento de seu abdômen, Ike fez sinal de positivo com a cabeça, informando também:
- Hoje falei com Hélio, logo ele mandará reforços para ajudar a libertá-los. Preciso sair agora.
Pegou todas as garrafas vazias as escondendo e saindo logo, teria saído sem que ninguém o percebesse, mas assim que saiu da sala deparou-se com Eton, que o observava saindo apressado do local, o garoto em choque perguntou:
- Ike… O que está fazendo com os hóspedes?
- Eu poderia fazer a mesma pergunta…
- Eu, eu …
Ike interrompeu, constatando:
- Vamos conversar longe daqui, não será bom se nos virem nesse andar.
Enquanto os dois desciam apressados, June os observava escondida da porta entreaberta de uma das celas, a jovem se questionou:
“Eton e Ike sozinhos com os hóspedes? Isso nem faz sentido, alguma coisa está acontecendo.”