O salão do conselho estava cheio.
Não como em um baile.
Mas como antes de uma sentença.
Os membros mais antigos ocupavam seus lugares na mesa de pedra semicircular. Velas altas queimavam lentas, a luz refletindo nas paredes frias. O murmúrio era baixo, desconfortável.
O conselheiro mais velho estava presente.
Sereno demais.
— Onde está a rainha? — alguém murmurou.
— Disseram que houve um ataque na estrada do norte…
A porta dupla do salão se abriu.
O som ecoou como um golpe seco.
Ewan entrou.
Sozinho.
Sem armadura.
Sem espada à vista.
Vestia-se inteiramente de branco.
Túnica real impecável.
Capa longa e pesada, também branca.
Luvas claras.
A coroa de prata pálida repousando firme sobre a cabeça.
Era símbolo.
Pureza. Autoridade. Julgamento.
O salão silenciou por completo.
O conselheiro mais velho franziu levemente o cenho.
Ewan caminhou até o centro do semicírculo.
Seus passos ecoavam no mármore.
Parou.
E apenas então falou.
— A rainha não comparecerá.
O murmúrio começou, mas morreu quando a segunda porta lateral se abriu.
Callum entrou.
Arrastando um homem amarrado, ferido, mas vivo.
O mesmo capturado na emboscada.
O impacto foi imediato.
O conselheiro empalideceu.
Não muito.
Mas o suficiente.
Ewan não ergueu a voz.
— Esta manhã, a comitiva real foi atacada na estrada do norte.
Olhares se cruzaram.
— A emboscada tinha alvo específico.
Ele fez um leve gesto com a mão.
Callum empurrou o prisioneiro de joelhos no centro do salão.
— Fale — ordenou Ewan.
O homem hesitou.
Callum apertou seu ombro ferido.
— Foi… foi ordem do conselheiro… — o prisioneiro engasgou. — Disseram que a rainha estaria na carruagem… que deveríamos capturá-la… levá-la até o bosque leste…
O silêncio tornou-se pesado demais para ser suportado.
Todos os olhares se voltaram para o conselheiro mais velho.
Ele permaneceu sentado.
Imóvel.
— Isso é absurdo — declarou, firme. — Confissões sob ameaça não são confiáveis.
Ewan finalmente virou o rosto na direção dele.
A expressão era serena.
Mas os olhos…
Eram gelo absoluto.
— Não houve ameaça — respondeu. — Houve oportunidade.
Ele deu dois passos lentos.
A capa branca arrastando levemente pelo chão.
— O senhor acreditava que eu enviaria minha rainha desprotegida.
O conselheiro sustentou o olhar.
— O senhor acredita em rumores demais, Majestade.
Ewan parou diante dele.
— Não.
A pausa foi longa.
— Eu os crio.
O impacto da frase percorreu o salão como uma onda.
— A visita foi um boato cuidadosamente espalhado — continuou o rei. — Um teste.
Ele inclinou levemente a cabeça.
— E alguém falhou.
O conselheiro apertou os braços da cadeira.
— Está me acusando formalmente?
Ewan não elevou o tom.
— Estou apresentando evidências.
Callum deu um passo à frente.
— Dois outros homens aguardam nas celas. Um deles portava instruções escritas.
Um pergaminho foi colocado sobre a mesa de pedra.
O selo estava quebrado.
Mas o símbolo…
Era reconhecível.
O conselheiro viu.
E, pela primeira vez, a segurança dele vacilou.
Ewan se afastou um passo.
— O senhor tentou sequestrar a rainha deste reino.
A palavra ecoou.
Sequestrar.
— E ao fazê-lo, atentou contra a estabilidade que tanto afirma proteger.
Silêncio absoluto.
Nenhum m****o do conselho ousava intervir.
Porque agora não era política.
Era traição.
Ewan retirou lentamente as luvas brancas.
Colocou-as sobre a mesa de pedra.
— Vossa posição será julgada conforme as leis que o próprio conselho ajudou a escrever.
Ele inclinou a cabeça levemente.
Não em respeito.
Mas em encerramento.
— E que fique claro — acrescentou, voz firme —: qualquer ameaça à rainha é ameaça direta ao trono.
Os guardas avançaram.
O conselheiro levantou-se abruptamente.
— Isso é um erro, Ewan. O reino precisa de homens experientes, não de—
— O reino precisa de lealdade.—A interrupção foi seca.
O velho foi contido.
O salão observava.
Em silêncio.
Ewan permaneceu de branco no centro da sala enquanto o homem era contido por Callum.
Não havia triunfo em sua expressão.
Havia decisão.