CAPÍTULO 5

1421 Words
A chegada na cidade nova, foi bem mais difícil do que eu imaginava. Adquiri uma timidez terrível, eu não conseguia fazer novas amizades, me entrosar com as pessoas, enfim socializar. Quando alguém puxava assunto comigo, eu não conseguia falar coisa com coisa, muito menos ser aquela Mari extrovertida, falante, amigável que todo mundo conhecia. A minha adaptação foi um verdadeiro pesadelo! Ninguém queria ser minha amiga, os grupinhos já estavam todos formados, e pelo visto não tinha espaço para mim nunca. Eu sentia falta do meu antigo lugar. Do meu aconchego, de viver rodeada de amigos, de ser aceita, de ser popular como em minha antiga escola. Mas o que eu achava que não podia piorar, PIOROU! Alguns meninos começaram a fazer bullying comigo. Começaram a me chamar de gorda, a falar de traços em meu rosto, e até da minha forma de andar, do tamanho da minha boca, entre mil outros insultos. Foi ali que os meus problemas de auto estima começaram. Eu vivia chorando, me sentindo ridícula, aquilo tudo estava me fazendo um m*l tremendo. E além de ter que me adaptar, a uma cidade, escola, e casa nova, minha mãe estava em reabilitação após o acidente. Ela estava em cadeira de rodas, e não andaria mais. Foi uma carga imensa. Muito choro, muita dor. Eu segui assim, desprezada por um bom tempo, até não aguentar mais aquilo tudo, e pedir pelo amor de Deus, para que minha mãe me trocasse de colégio. E assim ela o fez. Na escola nova, a segunda que passei, entrei cheia de inseguranças, mas pra minha alegria, fui bem recebida, e não recebi olhares de julgamento ou algo assim em nenhum momento. O que eu temia muito, por ser "carne nova" no pedaço, e por ser do interior. Lá, com o passar do tempo entrei no grupo de teatro, e aflorei um talento que nem eu mesma sabia que tinha. Artes cênicas! Foi o amor da minha vida durante o ensino médio. Eu, e meus novos amigos nos reuníamos depois da escola para programar peças, e era uma das melhores coisas que eu vivi naquele momento. Nós nos apresentamos sobre diversos temas, criávamos do roteiro, ao figurino, nos dedicamos, até ganharmos uma espécie de trabalho como monitores na escola. Nos horários em que não estávamos em aula,nós dávamos aulas de teatro, com o pouco de conhecimento que tínhamos. E foi em uma dessas loucuras de peças teatrais, que em uma peça de comédia romântica, eu e Joseph meu melhor amigo, nos apaixonamos. Germano estava adormecido dentro de mim. Eu me obriguei a esquecê-lo depois de tantas decepções. Joseph era engraçado, fofo, me olhava de um jeito diferente. Nos ensaios da peça Mabel e Alarry, rolava uma química sobrenatural, e nas apresentações, era nítido ao público que não era só encenação. Às vezes, saíamos a noite em grupos de amigos,para tomar sorvete ou apenas ir na praça jogar conversa fora. Minha mãe estava se recuperando cada dia melhor, e sempre me mandava sair para espairecer. Ela estava muito feliz por eu ter conseguido novas amizades, e por tudo estar caminhando. Em uma noite aleatória, alguns amigos apressaram o processo de conquista. Joseph era muito tímido, nunca havia namorado na vida, e a forma como ele me tratava, a timidez, a inocência que envolvia isso tudo, me encantavam. Começaram a jogá-lo pra cima de mim, até ele me chamar pra conversar, e finalmente aconteceu o nosso primeiro beijo. Joseph não era lindo! Ele era bem magro, alto, diferentão mesmo, aquele típico nerd de franja e óculos. Mas me atraía. Ele me fazia rir horrores. Tinha um humor peculiar igual ao meu. Só era tímido ao se tratar de garotas mesmo. Pois nas peças, ele era sempre uma graça! Na mesma noite em que nos beijamos, ele me pediu em namoro, e eu aceitei sem nem conhecer a família dele nem nada. A partir daí, conheci a mãe dele, um amor de pessoa inclusive, conheci a irmã dele que morria de ciúmes dele, e a irmã mais velha era a mais pacífica. O meu namoro com Joseph durou apenas 4 meses. Motivo? A mãe dele o tratava como um bebê, por ser da igreja ela nos afastava. Monitorava horários, e até ficava no pé quando íamos nos beijar. A irmã dele, por serem muito grudados, era um poço de ciúme quando estávamos juntos. Na escola ela sempre dava um jeito de levar ele pra longe de mim. E percebi que ele foi me evitando, estava se afastando aos poucos. Até o dia, que ele terminou comigo. Eu fiquei extremamente triste, chorava vendo as nossas fotos, mandava mensagem querendo saber o porquê, mas ele me tratou com uma frieza maior que um iceberg. Superei aos poucos, fiquei sem falar com ele por um bom tempo, até esquecer tudo que aconteceu. Tempos depois, ele confessou a sua bissexualidade, e que namorou comigo para meio que acalmar o coração da mãe dele, apesar de dizer que gostou sim de mim, e que foi tudo recíproco. Apesar do tombo, eu consegui seguir com a amizade com ele, até mais forte que antes, porém nada além de amizade. Ele era meu confidente, afinal. Nesse período, estive um pouco apática e tive algumas amizades que não me fizeram nada bem, espiritualmente falando. Matt foi a minha perdição, por fazer parte de uma seita satânica, tentou me levar junto, e eu estava me deixando influenciar. O que me deixou no ápice de ir quase a loucura. Comecei a delirar, a não dormir a noite, ou passar a noite andando dentro de casa, fazendo coisas estranhas, até ser liberta por Jesus. Minha mãe sofreu bastante nessa época. Ela tinha medo de mim, chorava, se culpava por não ter tido outra opção, a não ser ir embora do interior, pois na cidade, seria melhor para ela tratar - se de seus problemas de saúde. E mais uma vez, lá estava eu recomeçando. Conheci mais um moço, em uma ida aleatória na pracinha, em um dia que estava rolando festa municipal, de aniversário da cidade. Carlos Eduardo! Nossa, achei ele um príncipe! Um amigo nos apresentou, e eu fiquei encantada com ele. Ele pegou o meu contato, conversamos por um tempinho, até ficarmos a primeira vez. Logo, começamos a namorar também. O beijo dele era ótimo, ele era lindo, porém ele era meio louco das idéias. Muito imaturo, tinha algumas atitudes infantis, e sem fundamento repentinamente, e isso foi me saturando novamente, assim como aconteceu com Joseph. Joseph ao saber do meu namoro com Carlos Eduardo fazia algumas piadas sem graça, mas nunca demonstrou ciúmes, nem nada do tipo. Já Germano... Vivia me enviando mensagens pelas redes sociais, até em uma bela noite, ele me colocou contra a parede, e me pediu em namoro novamente. Declarou - se, e mandou eu terminar o namoro com Carlos Eduardo, para ficar com ele. O questionei sobre a distância, ele disse que isso não seria problema de forma alguma. Que iria me ver todos os finais de semana. Me fez lembrar do passado, que o meu namoro com ele á distância, não deu nada certo. Eu estava iludida, estava querendo apostar em alguém novo na minha vida. Eu realmente, não queria mais saber de Germano. Aquela chama que ardia dentro de mim, já não existia mais. Pelo menos, era o que eu achava. Certo dia, Carlos Eduardo sumiu! Não me ligou, nem mandou mensagens como era de costume. Consegui falar com ele horas depois, e ele me disse que havia me traído naquele dia , mas que estava arrependido, e que me amava. Mais uma vez, o meu coração foi destruído pela desilusão! Com muita raiva dentro de mim, decidi dar o troco, e como Germano estava comendo na minha mão, o chamei para ir me ver. No dia seguinte ele viajou, e chegou após o meio dia em minha casa. Ficamos juntos, aquela tarde até a noite. Minha mãe não estava entendendo nada, mas por gostar muito do ex genro, ela ficava feliz ao nos ver juntos. Mesmo depois de tudo. Antes de ir embora, ele insistiu que eu respondesse sobre o pedido de namoro. Que eu desse uma resposta, e eu falei que iria pensar,e ele aceitou. Alguns dias após o reencontro com o meu primeiro amor, terminei com Carlos Eduardo sem dó, nem piedade. Traição é algo terrível, e vindo dele aquela atitude, o mais prudente foi não confiar nele nunca mais. E Germano?? De tanto pensar, eu nunca cheguei a responder aquele pedido de namoro...
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