7° Capítulo
SIENA
Hoje o céu estava esplendidamente lindo, o sol, como dizia o meu vôzinho estava de rachar, após recolher todos os abacates maduros e colocá-los na cesta, eu seguia para casa.
— Siena? _Me chamam.
Olho para trás.
— Pois não, senhora?
— Acabei de pedir para sua avó, más ela disse que você quem decidiria.
Pisco os olhos confusa.
O que a dona da fazenda queria comigo?
Estreitei os olhos para o celeiro, suspeitando que tinha a ver com essa madrugada. Então, dei um passo para trás e voltei a fitá-la, mas muito agoniada.
— Decidir o que? _Repito, apertando os dedos na cesta, rindo trêmula.
Minha Santinha... Que não seja nada demais...
— Tenho que ir buscar a minha filha no aeroporto e, ao mesmo tempo, pegar uns exames no hospital. _As palavras saiam rapidamente, a dona Susana parecia aflita.
Mordi o canto da boca, surpresa ao ouvir. Eu sabia o que me esperava tendo a sua filha de volta.
— Precisa de ajuda, senhora? _Perguntei.
Não éramos muito apegada, no entanto, nunca neguei fala a Aracelly quando ela vinha passar as férias aqui na fazenda, mais, no fundo, eu não simpatizava mesmo com ela, a filha dos Malfacini, diferente dos pais era um rio de antipatia e egocentrismo, lembro como se fosse ontem o modo desumano que a mesma tratava-me e eu ingênua ouvia tudo calada por medo de está colocando os pés pelas mãos, tinha medo que os meus vôzinhos, minha única família fossem mandados embora por algo que eu podia evitar e assim eu fazia sempre, ouvia e ouvia, agradeço por meu copo não ter transbordado. Ela não perdia uma oportunidade, sempre que podia, para se sentir melhor colocava-me na sola da sua bota, como se eu fosse um animalzinho que para ela era o mesmo que um nada. Esse ser se igualava a soberba em pessoa.
Eu engolia o nó na minha garganta com dificuldade.
Minho sorte é que com 15 anos ela foi estudar fora e desde então não dava as caras na fazenda, é, realmente as coisas parecem estarem mudando.
— Preciso Siena, preciso muito... _Pediu desesperada e pousou a suas mãos acima da minha que segurava a cesta de abacates. —Venha comigo enquanto a deixo no aeroporto a espera da Aracelly, eu vou rápido ao hospital. _Pediu. Seus olhos me suplicavam. — Por favor.
— Claro senhora, eu irei, deixe-me só levar essa cesta.
— Obrigada. _Suspirou. — Lhe espero no carro. _Ela saiu apressadamente.
Respira Siena, se passaram seis anos, a moça certamente mudou.
Suspirei, vagando até a minha casa.
— Vó... _Gritei, passando pela porta.
— Estou na cozinha.
Sorrio, indo até ela.
—Aqui estão os abacates que me pediu, meu avô está nos estábulos e eu vovó, tenho que fazer um favor. _Coloquei a cesta sobre a mesa.
— Ela está vindo. Né? _Comentou minha avó, secando as mãos no guardanapo.
— É, ela está. _Retirei minha Medalhinha de dentro da minha blusa e a beijei. — Que minha Santinha tenho dó de nós, vovó. _Rio sem querer, me aproximando da minha avó. — Me benze? _A olhei esperançosa, vendo o brilho esplêndido sucumbir seus olhos maravilhosos.
Sua mão veio para minha testa, instintivamente fechei meus olhos.
— Em nome do pai, do filho e do espírito santo. Amém. _Beijei seus dedos.
— Eu te amo, minha vó. _A abracei pelos ombros, a balançando.
— Ai meu Deus, estou morrendo antes do tempo com minha netinha sanguessuga. _Brincou, fazendo uns ruidinhos estranhos.
A soltei, mas foi impossível não trazê-la de novo para meu abraço. Dessa vez ela retribuía, me apertando um fortemente bem bom.
— Deus! minha vó está me sufocando. _Brinquei também, gargalhando.
Nos separamos, minha vontade era apertá-la mais. Só que eu tinha que ir.
— Engraçadinha. _Arrumou meus cabelos. — Vá, querida.
Assenti.
— Bom, até daqui a pouco.
***
A dona Susana me deixou no aeroporto sozinha, eu estava um tanto ansiosa enquanto permanecia olhando para a escada a espera da "Princesa".
A pergunta que me atormenta agora nesse exato momento é; Com tantos anos passados, como eu saberei se a Aracelly continua com a mesma face? Como a reconhecerei após anos?
Minha pergunta foi logo respondida quando uma loira repousava sua mala no alto da escada rolante com a ajuda de um segurança, elevando seu óculos escuros para o topo da cabeça, atendendo no mesmo instante o celular que eu arriscaria dizer que tocava.
Revirei os olhos, involuntariamente.
Aquela cara que ela fazia ao falar no telefone era a mesma de quando falava comigo. Tristemente, a Aracelly estava ali no alcance dos meus olhos. Apesar de está com os cabelos repicado, unhas postiças enormes, cílios grandes, magra e bem vestida, reconheci. Era ela, não tinha dúvidas.
Continuei no canto e a observei, vi os seus olhos descerem para a sala onde eu estava e procurarem, um sorriso alargou ao ver-me, ela acenava para mim, guardando o celular e chegando perto.
— Nossa! _Me olhou de cima abaixo. — Você mudou.
A encarei. Bem impactada, eu tinha que erguer a cabeça para olhar o seu rosto de tão alta que ela era.
— Digo o mesmo. _Abaixei a cabeça, entortando os lábios, enlouquecida para rir.
— Sabe como é, né, Londres... _Ela se limitou a continuar o que ia dizer, deslizando as mãos no cabelo. — Esqueci, é óbvio que você não sabe.
Semicerrei os olhos desacredita e não era por suas palavras e sim para a bolsa e a sua mala que ela me estendia.
— O que é isso? _Perguntei, arqueando as sobrancelhas.
— Como assim, o que é isso? São as minhas coisas Siena, o que está a esperar, pegue e a leve até o carro.
Eu tentei, juro que tentei segurar o riso, porém, acabei gargalhando.
— Me desculpa. _Começava a me conter, mas ao ver seu rosto de descontentamento acabei rindo duplamente.
Ela bufou, negando.
— Que sagacidade é essa garota? _Questionou, o seu rosto era tomado por uma nova cor, não foi difícil deduzir que ela estava irritada com as mãos me estendendo as suas coisas.
Fechei a cara e a encarei firmemente, sentindo pelo olhar carregado e furioso que a qualquer instante receberia um tapa violento.
Não valia a pena. Aracelly não havia mudado nada, quer dizer, havia sim, só que para pior. No ditado, "Manda quem pode e obedece quem tem juízo"
Eu era supostamente... bom, deixa eu ver do que fui comparada ultimamente.
— Além de esquisita é louca.
Certo, louca.
O que mais? deixa eu pensar.
— Vai, some daqui endiabrad*.
Endiabrad*.
A isso é r**m, r**m até de mais. r**m mesmo quando eu olho para a mala e a bolsa sendo direcionada para mim. Minha vontade era sair chutando tudo como uma louca e rindo como o diab*. Mas eu tinha que respirar fundo e contar até dez.
— Como foi de viajem? _Coloquei meu melhor sorriso ao pegar a sua mala e bolsa.
— Um caos. _Respondeu contragosto, descendo os óculos para esconder os olhos e andando para fora.
A segui, arrastando a mala da "Madame"
— Sua mãe não irá demorar. _avisei.
Com tudo ela estreitou-se para mim.
— Eu sei, Acabei de falar com ela fia, ou você acha que adivinharia que você escondida com esse monte de roupas bregas era a filha dos empregados. _Olhou novamente dos meus pés a cabeça. Já estava me sentindo incomodada e esmiuçada. — Nem deveria me espantar já que você vivia pelos cantos, assim. _Apontou o dedo.
Retruquei, parando de andar.
— Realmente, senhorita. _Dou ênfase no senhorita. — Nem todo mundo tem vocação para moda como você.
— Você acha? _Ela deu uma risadinha, se retrocendo toda.
Não!
— Claro. _Sorrio.
***
Eu prendia os meus cabelos em um coque alto, me dando conta ao entrar no meu quarto que ainda estava viva.
Essa foi por pouco, minha Santinha...
Respiro fundo, me deitando na minha caminha de solteiro, cruzando as pernas e pousando as mãos unidas em minha barriga, focando meu olhar no teto, eu estava definitivamente desgastada.
Meus olhos traiçoeiros se desvencilharam para o móvel ao lado, enxergando o telefone. Entretanto, voltei a encarar o teto. No entanto, automaticamente peguei o telefone e disquei o número, trazendo o mesmo para o meu ouvido, atenderão no segundo toque.
— Sabia que me ligaria. _A voz era grossa, era ele.
— Por que? _Eu quis saber, tendo flash dessa madrugada.
— Você tem que se convencer, a sua dor me pertence e para falar a verdade, anda me devendo ela. Não acha ?
Eu engoli em seco.
— Poderia vir me buscar? _Falei no automático. Nada ele respondeu. — Não seria um problema já que você me encontrou e sabe onde eu moro ou seria? _Emendei.
— Nenhum, preciosidade... _Ele se calou por um segundo.
Me levantei da cama, vagando para minha janela.
— Eu sei o que você quer perguntar. _Comentei e ouvi ele pigarrear do outro lado da linha. — Prepare o pior para mim. _Dito isso, finalizei a ligação.
Meu consolo era saber que a qualquer momento que eu quisesse recarregar minhas dores eu sabia onde ir. A quem recorrer.
Meu nome, era traum*s, med* e dor.
Nessa madrugada, seria uma daquelas em que eu saia escondida de todos para continuar vivenciando o que eu nunca poderia esquecer... a dor que pertencia a mim e não podia jamais me abandonar.
E estava ansiosa para isso.