Capítulo 43. Encontro Rebelde

1043 Words
HQ da Força Nacional, Sacramento, CA — Nem acredito que vazaram minha ação para você! — O loiro meneava a cabeça, indignado. — Isso poderia ter simplesmente me fodido demais. Durst era o soldado com quem lidei na operação da tal casa noturna. Era polonês ou algo do tipo, tinha o perfil muito mais sorrateiro do que o meu. Meu domingo de folga foi suspenso pela base. O major me buscou em casa para ir trabalhar — precisei deixar o dia em família para depois. Felizmente, não foi nada como na última vez. Uma visita mais casual, ele nem estava fardado e eu não saí fardado, apesar de levar minha farda comigo. Chegando, Durst estava lá e o major só nos mandou explicar o que aconteceu — o perito falou com ele imediatamente depois que a missão teve êxito. Enfim, estávamos os dois de pé enquanto o major estava sentado confortavelmente em seu assento com aquela cara de frustração, marido enganado. — A recomendação que dei ao major foi evitar tentativa de infiltração. Lidei com alguém que tentou e deu detalhes bem sórdidos de como falhou — retruquei. — Não é o momento! — O major deu de ombros. — Odeio que se comuniquem entre si, mas... parece que só temos problemáticos. — Ele nos olhou. — Quem é a garota? — Durst me perguntou. — Uma vítima que um contato estava atrás. Até onde sei, estava com eles há cerca de sete ou oito anos. — Cacetë! — Ele franziu o cenho. — Eles têm várias crianças naquele lugar! — lamentei. — Enfim, quem é a moça? Só uma refém? — Pois é. O objetivo era capturar, crendo ser parte da organização. É parte, mas é vítima. — Ele suspirou. — Obrigado pela ajuda na fuga. Curti! — riu. — Quem financiou? — O major me perguntou. — O pai da garota que eu busquei. — Devia falar sobre essas coisas comigo... Com antecedência! — Ele levantou a voz, bufando. — De qualquer forma, fizeram um bom trabalho. — Quero usar a proteção à testemunha para atingir os alvos — falei ao major e ele me olhou, curioso. — Só preciso saber do que disponho para agir... — Tenha provas e eu terei uma equipe para ajudá-lo a apreendê-los. — O major falou. — Evite conflitos, mas pode abater, se tiver algum problema. — Obrigado, senhor! — Prestei continência. — Consegui elucidar alguns rostos de Sacramento com muita informação, estou terminando de reuni-las. — Formidável! — Meu irmão é de Sacramento, conhece bem e está disposto a colaborar comigo, logo, é uma missão muito mais fácil naquela área — dei de ombros. — Ele já pensou em vir ao Exército? — O major sorriu de canto de boca. — Gosto de problemáticos... — Acho que não, senhor. — Já estou colhendo o necessário da minha moça. — Durst reportou. — Ela não é difícil de lidar, está segura e eles não entenderam bem o que houve. — A inteligência da minha parte cuidou para tentar apagar os nossos registros. Infelizmente, não podemos apagar todos, então ainda haverá indivíduos que se lembrarão de nossa intervenção — suspirei. — Foi bagunçado no fim, mas foi um ótimo trabalho! — Durst sorriu para mim. — Pena que não podemos agir em dupla, não!? — riu. — Não podem! — O major impôs. — Sabemos — ri —, senhor! — Não quero que se repita — insistiu. — Tenho uma pequena dificuldade pessoal em curso que pode afetar o meu trabalho, senhor — falei. — Soube de algo do tipo. Não me ficou claro. — Minha ex-noiva está louca. — Meneei a cabeça. — Não basta todo o problema entre nós, ela ainda quer tentar acabar com minha vida de alguma forma. — Mulheres! — gargalhou. — Deixarei um pessoal atento para que ela não cause nenhuma turbulência em nossas operações — falou. — Obrigado. Vou tentar lidar, mas não garanto nada. Ela é ex-noiva, agora... Não sei bem o que a move contra mim, então... é complicado! — suspirei. — Um jovem apaixonado por uma louca. — Durst riu. — Entendo, meu irmão! — Bateu em meu ombro. — Tenho permissão para partir, senhor? — pedi. — Dispensado! — Ele assentiu com a cabeça. — Devo me reunir com o contato e a mocinha que resgatei amanhã ou depois. Cuidarei para entregá-lo as informações o mais breve possível. Ele apenas assentiu com a cabeça e eu saí. À porta, um rapaz, vestido como civil, disse que me levaria para casa. Consegui me trocar, antes de entrar no carro, e ele me guiou sem conversa alguma. No apê, as três malas do irmão já estavam na sala. “Saí com Chloe, mas volto à noite. A mãe mandou algo para nosso jantar”, foi o bilhete que ele deixou. O cronograma ainda era caseiro: tomar o meu banho, cuidar das minhas fardas e ver o que a mãe preparou — para já deixar o jantar esquematizado. Era cedo, mas não queria ter trabalho demais no anoitecer. O telefone ainda estava louco com as muitas mensagens de Lindsay, exibindo seu corpo. Deixei de respondê-la, claro, mas me peguei observando-a por algumas vezes. Era bem inevitável, ela ainda era uma mulher que eu desejava muito. Mexia com a minha cabeça, mas ganhei uma distração: uma mensagem bonita da recepcionista, apenas bons votos para o fim de semana. “Obrigado, Lombardi. Cuide de seu descanso e tenha um ótimo trabalho!”, foi a minha resposta. “Quando aceitará um vinho?”, a mensagem chegou até rápido, me surpreendeu. “Pode escolher o vinho e o lugar!”, enviou um emoji sorrindo. “Não tenho muita-”, pensei em negar, mas apaguei a mensagem. Fitei o telefone por algum tempo até me encorajar: “Talvez no decorrer da semana...” “Vou esperar”, foi sua resposta. Sorri enquanto deitava no sofá. Queria fantasiar com ela, mas Lindsay estava na minha mente. Larguei o telefone para não paginar por entre suas fotos nuas. Fechei os olhos fugindo de lembrar de seu toque, mas outro toque surgiu na mente: Natasha e isso me fez sentir calor. Desisti de ficar deitado e fui ao banho.
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