HQ da Força Nacional, Sacramento, CA
— Nem acredito que vazaram minha ação para você! — O loiro meneava a cabeça, indignado. — Isso poderia ter simplesmente me fodido demais.
Durst era o soldado com quem lidei na operação da tal casa noturna. Era polonês ou algo do tipo, tinha o perfil muito mais sorrateiro do que o meu.
Meu domingo de folga foi suspenso pela base. O major me buscou em casa para ir trabalhar — precisei deixar o dia em família para depois.
Felizmente, não foi nada como na última vez. Uma visita mais casual, ele nem estava fardado e eu não saí fardado, apesar de levar minha farda comigo.
Chegando, Durst estava lá e o major só nos mandou explicar o que aconteceu — o perito falou com ele imediatamente depois que a missão teve êxito.
Enfim, estávamos os dois de pé enquanto o major estava sentado confortavelmente em seu assento com aquela cara de frustração, marido enganado.
— A recomendação que dei ao major foi evitar tentativa de infiltração. Lidei com alguém que tentou e deu detalhes bem sórdidos de como falhou — retruquei.
— Não é o momento! — O major deu de ombros. — Odeio que se comuniquem entre si, mas... parece que só temos problemáticos. — Ele nos olhou.
— Quem é a garota? — Durst me perguntou.
— Uma vítima que um contato estava atrás. Até onde sei, estava com eles há cerca de sete ou oito anos.
— Cacetë! — Ele franziu o cenho.
— Eles têm várias crianças naquele lugar! — lamentei. — Enfim, quem é a moça? Só uma refém?
— Pois é. O objetivo era capturar, crendo ser parte da organização. É parte, mas é vítima. — Ele suspirou. — Obrigado pela ajuda na fuga. Curti! — riu.
— Quem financiou? — O major me perguntou.
— O pai da garota que eu busquei.
— Devia falar sobre essas coisas comigo... Com antecedência! — Ele levantou a voz, bufando. — De qualquer forma, fizeram um bom trabalho.
— Quero usar a proteção à testemunha para atingir os alvos — falei ao major e ele me olhou, curioso. — Só preciso saber do que disponho para agir...
— Tenha provas e eu terei uma equipe para ajudá-lo a apreendê-los. — O major falou. — Evite conflitos, mas pode abater, se tiver algum problema.
— Obrigado, senhor! — Prestei continência. — Consegui elucidar alguns rostos de Sacramento com muita informação, estou terminando de reuni-las.
— Formidável!
— Meu irmão é de Sacramento, conhece bem e está disposto a colaborar comigo, logo, é uma missão muito mais fácil naquela área — dei de ombros.
— Ele já pensou em vir ao Exército? — O major sorriu de canto de boca. — Gosto de problemáticos...
— Acho que não, senhor.
— Já estou colhendo o necessário da minha moça. — Durst reportou. — Ela não é difícil de lidar, está segura e eles não entenderam bem o que houve.
— A inteligência da minha parte cuidou para tentar apagar os nossos registros. Infelizmente, não podemos apagar todos, então ainda haverá indivíduos que se lembrarão de nossa intervenção — suspirei.
— Foi bagunçado no fim, mas foi um ótimo trabalho! — Durst sorriu para mim. — Pena que não podemos agir em dupla, não!? — riu.
— Não podem! — O major impôs.
— Sabemos — ri —, senhor!
— Não quero que se repita — insistiu.
— Tenho uma pequena dificuldade pessoal em curso que pode afetar o meu trabalho, senhor — falei.
— Soube de algo do tipo. Não me ficou claro.
— Minha ex-noiva está louca. — Meneei a cabeça. — Não basta todo o problema entre nós, ela ainda quer tentar acabar com minha vida de alguma forma.
— Mulheres! — gargalhou. — Deixarei um pessoal atento para que ela não cause nenhuma turbulência em nossas operações — falou.
— Obrigado. Vou tentar lidar, mas não garanto nada. Ela é ex-noiva, agora... Não sei bem o que a move contra mim, então... é complicado! — suspirei.
— Um jovem apaixonado por uma louca. — Durst riu. — Entendo, meu irmão! — Bateu em meu ombro.
— Tenho permissão para partir, senhor? — pedi.
— Dispensado! — Ele assentiu com a cabeça.
— Devo me reunir com o contato e a mocinha que resgatei amanhã ou depois. Cuidarei para entregá-lo as informações o mais breve possível.
Ele apenas assentiu com a cabeça e eu saí.
À porta, um rapaz, vestido como civil, disse que me levaria para casa. Consegui me trocar, antes de entrar no carro, e ele me guiou sem conversa alguma.
No apê, as três malas do irmão já estavam na sala. “Saí com Chloe, mas volto à noite. A mãe mandou algo para nosso jantar”, foi o bilhete que ele deixou.
O cronograma ainda era caseiro: tomar o meu banho, cuidar das minhas fardas e ver o que a mãe preparou — para já deixar o jantar esquematizado.
Era cedo, mas não queria ter trabalho demais no anoitecer. O telefone ainda estava louco com as muitas mensagens de Lindsay, exibindo seu corpo.
Deixei de respondê-la, claro, mas me peguei observando-a por algumas vezes. Era bem inevitável, ela ainda era uma mulher que eu desejava muito.
Mexia com a minha cabeça, mas ganhei uma distração: uma mensagem bonita da recepcionista, apenas bons votos para o fim de semana.
“Obrigado, Lombardi. Cuide de seu descanso e tenha um ótimo trabalho!”, foi a minha resposta.
“Quando aceitará um vinho?”, a mensagem chegou até rápido, me surpreendeu. “Pode escolher o vinho e o lugar!”, enviou um emoji sorrindo.
“Não tenho muita-”, pensei em negar, mas apaguei a mensagem. Fitei o telefone por algum tempo até me encorajar: “Talvez no decorrer da semana...”
“Vou esperar”, foi sua resposta.
Sorri enquanto deitava no sofá. Queria fantasiar com ela, mas Lindsay estava na minha mente. Larguei o telefone para não paginar por entre suas fotos nuas.
Fechei os olhos fugindo de lembrar de seu toque, mas outro toque surgiu na mente: Natasha e isso me fez sentir calor. Desisti de ficar deitado e fui ao banho.