Capítulo 53. Novos Alvos

1001 Words
Tahoe Valley, South Lake Tahoe, CA Foi uma noite onde conversamos, seguimos com o vinho e transamos, não necessariamente nessa ordem. Acabamos dormindo no sofá da sala, pelados. Acordei cedo, por volta das seis e ela ainda dormia. Estava com a cabeça deitada em meu braço, o que me fez permanecer deitado, velando seu sono. Perdi-me em pensamentos até ela acordar, ela fez nosso café e ainda trocamos alguns poucos beijos e carícias, antes de eu me arrumar para sair. Em casa, Matheus dormia no sofá e eu nem o incomodei. Entrei para tomar meu banho e vestir a farda. Antes de ir à delegacia, fui na casa do pai. Por sorte, encontrei Chloe e a mãe saindo. A pequena deixou o que fazia para correr e me abraçar. Retribuí com todo meu zelo e a peguei no colo. — Sua benção, minha mãe. — É lindo com essa farda! — Ela elogiou, rindo. — Que Deus te abençoe. A que devemos a visita? — Não pude vir ontem, então posso ajudar a levá-la ao colégio hoje. O que acha? — Olhei para Chloe que apenas assentiu rapidamente com a cabeça. — ‘Cês deviam parar de mimar essa menina. — A mãe se aproximou e eu me abaixei para ela beijar minha testa. — Podem ir, mas tomem cuidado! — Sim, senhora! — falei. — O pai ‘tá por aí? — Saiu cedo hoje. Tem uma reunião de acionistas e precisou pegar um avião para a Costa Leste. — A mãe suspirou. — Deve voltar amanhã. — Peço para o Matheus vir... Assim não fica só. — É amável, mas sua mãe não está tão velha! — Ela torceu o rosto. — Consigo ficar sozinha... — Consegue, mas não deve. — Eu beijei sua testa. — Até logo, minha mãe. Eu te amo muito! — sorri-lhe. Ela sorriu largo, beijou a testa da Chloe também e fomos ao carro. Obviamente, Chloe tinha muito a falar e eu dirigi devagar para ouvi-la pela viagem. Alguns meninos começavam a se interessar e ela não era boba, sabia o que as brincadeiras significavam. Claro que tive ciúme, mas não dificultaria mais sua entrada na adolescência do que o pai já faria! — Precisa tomar cuidado! — alertei quando chegamos na porta do colégio. — Lembra de ligar para o seu irmão, se tiver problemas, tudo bem? — Sim. Obrigada! — Ela sorriu. — Eu te amo. — Seu irmão te ama muito também. Ela seguiu rápido à entrada do colégio onde já se reuniu com seu grupinho de colegas para entrar. Ainda observei um pouco, mas depois voltei ao carro. Chegando na delegacia, Van seria meu parceiro pelo dia de novo. Já até me aguardava na viatura. — Bom dia. — Tentei ser educado. — Dia. Como ‘tá? — Ele me olhou. A cara de culpado ainda estava lá. — Muito bem. — Respirei fundo. — E tu? — Cansado, mas bem — riu. Um incômodo silêncio pairou e ele deu partida. Recebemos um chamado no rádio para uma suposta tentativa de homicídio e por isso desviamos. Era nas montanhas. Só precisávamos chegar, conter a situação e deixar tudo pronto aos detetives — ao menos, era o que tínhamos em mente, que veríamos conflito. Erramos. Ao chegar, tinha um casal com roupa esportiva. O homem amparava a mulher e perto de uma árvore tinha uma mocinha numa caixa, encolhida. A mocinha era magra e baixa. Talvez tivesse dez. Tinha cicatrizes, hematomas recentes e feridas ainda sangrando. O cabelo parecia pintado, mas ver os longos fios loiros me fez lembrar de Chloe. — Lido com o casal e você vai ao rádio — falei para Van, que estava tão comovido como eu com aquilo. Era estranho que nós fôssemos enviados, já que não éramos investigadores e não parecia haver o que conter até eu ouvir o primeiro tiro. A mulher e a menina gritaram com o som. Estando perto do casal, o objetivo imediato foi cobri-los, identificar o atirador e tentar tirá-los da linha de fogo. Consegui, mas eles não eram o alvo. O atirador estava mais alto. Pude ver a ignição da pólvora do segundo tiro de uma das grandes árvores que estavam há, no máximo, trezentos metros. Assim que ele atirou, eu também atirei, mesmo que não pudesse ser preciso. O alvo era a mocinha e deu para ouvir o segundo tiro a acertando. Olhando, ele foi certeiro. — Merda! — Foi só o que consegui xingar. Van já pedia reforço no rádio, então eu corri para tentar alcançar o desgraçado. Infelizmente, isso não podia ser feito tão rápido, precisei dar a volta. Chegando lá, só encontrei o rastro de sangue. Podia ir atrás, mas decidi não arriscar e voltei para lidar com Van, que tinha aquela cara frustrada, mas ainda tentava acalmar o casal. A mulher já estava a ponto de entrar em choque enquanto o homem tentava abriga-la — coitados. — Venham comigo à viatura. É mais seguro! — falei ao casal e o homem assentiu, levou a mulher. — Que merda! — falei quando voltei para perto de Van. — Achou? — Ele me olhou. — Não e não segui. Você não pode ficar só. — Eu ainda mantive a vigilância por todo o pouco tempo que demorou para o reforço e a ambulância chegarem. Averiguei e o corpo da mocinha já não tinha sinais vitais. Lastimável. Aquele provavelmente foi o pior chamado que eu já recebi na vida, como policial. A chegada dos investigadores foi tarde. Talvez se eles fossem os primeiros as coisas não tivessem tomado aquele rumo, mas eu não mencionei nada. Fizemos a nossa parte com eles e retomamos nosso trabalho com a patrulha. Felizmente, não tivemos, mas nenhuma ocorrência do tipo pelo dia. Infelizmente, passei todo o dia apreensivo. Não consegui conversar, muito mäl comi. Não podia ser só coincidência que a vítima se assemelhasse a Chloe e isso me deu nos nervos por todo o dia, acabou com o meu humor.
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