Capítulo 49. Interesses

1025 Words
Spring Creek, South Lake Tahoe, CA — Não temos tido dificuldades. Ela é muito calma e muito doce — falava a doutora. — Às vezes acorda com pesadelos e essas coisas. Nada a se preocupar. — Imagino que seja habitual. Infelizmente. — Respirei fundo. — Posso ajudar com alguma coisa? — Fico feliz que tenha vindo! — A médica sorriu. — Ela perguntou bastante de você. Você marcou a vida dessa menina, senhor. É uma honra conhecê-lo! Só assenti com a cabeça. Peguei o caderno para me reunir com Natasha, que tomava seu vinho na sala. — Estamos prontos para ir, loiro? — Natasha me olhou com um sorriso de canto de boca. — Estou! — assenti. — Seu cliente não vem? — Hoje, não viemos ter com ele e isso já foi conversado entre nós. Está tudo bem. — Ela sorriu. — Ele não está vivendo por aqui? — Não tenho certeza — deu de ombros, terminando a taça e se levantando. — Deve estar tão pilhado ainda que fica o dia fora. — Se encontrar com ele, tenta fazer ele se cuidar — pedi. — É complicado passar por isso e ele deve estar pensando besteira... eu estaria no lugar dele. — Vou cuidar disso depois. Agora, loiro, ‘cê vem comigo ‘pra casa e vai terminar de usar sua folga como qualquer um faz... dormindo! — Soou repreensiva. Nem respondi, só respirei fundo e a segui à porta. — Falo com o boy da segurança e já volto. Pode esperar no carro. — Ela fez uma carícia em meu braço. Segui ao carro para ligar e manobrar. O caderno que Thereza deu estava ao lado e eu só o observei de longe enquanto respirava fundo e esvaziava a mente. Ou tentava... Natasha não demorou muito e entrou no banco de trás. Sentou no banco do meio para passar uma das mãos em meu ombro e me olhou sorrindo. — Qual o plano com o que a mocinha deu? — Ela olhou para o caderno. — Já pensou sobre isso? — São os nomes das vítimas, ainda não olhei para saber se posso fazer algo realmente — dei de ombros, dando partida. — Vejo isso mais tarde. — Vai me ouvir e descansar? — riu surpresa. — Quero ter uma folga em paz. Nem consegui levar a pequena no colégio, já que ela saiu cedo com a mãe... Não sei se tenho estômago para isso também. — Não se deixa abater, hein! — aconselhou com preocupação. — Imagino que não seja fácil. A menina partiu meu coração também, mas, fica de boa. — Vou ficar... Acha que... — Diminuí a velocidade para olhá-la sobre os ombros. — Acha que eu devia tirar férias ou algo do tipo? — Franzi o cenho. Isso era realmente algo que estava martelando na minha cabeça. O médico disse que uma pausa poderia me fazer bem, mas eu não tinha certeza. — Se puder, seria realmente bom, ‘né? — Não acho que sou controlador ou algo do tipo — falei com estranheza, franzindo o cenho. — Isso é coisa do médico, ‘né? — Ela riu. — No trabalho, eu até entendo... Mas, não acho que isso passa para minha vida pessoal realmente. — Ele mexeu contigo, ‘né?! — Natasha gargalhou, se deitando no banco de trás. — Relaxa, loiro! Se você está pensando, ele cumpriu com o trabalho dele. — Ele me deixou neurótico, ruiva! — Franzi o cenho, meneando a cabeça. — Eu me esforço para não ser desagradável e não sei se sou agora. — Desagradável não te define, ‘né? — Sei lá. — Engoli seco. Voltei a me ater na direção para voltar ao apê. Subindo, a porta estava trancada e Matheus não estava. — Lido com seu almoço enquanto você olha o caderno, o que me diz? — Ela sugeriu. — Confesso que estou morrendo de fome! — riu. — Raridade! Segui com ela à cozinha onde ela começou a preparar as coisas e eu me encorajei para ler o que a mocinha anotou em seu caderno. Era realmente focado nas outras vítimas com quem ela lidou, mas também tinha o nome e descrição de alguns clientes, que preferiam por esse ou aquele. Colocou os nomes dados pelos criminosos e os nomes que as crianças lembravam de ter antes — nem todos realmente lembravam o verdadeiro nome. Algumas tentativas de desenho exibiam diferentes partes do corpo com marcas, não ficou tão claro o que eram e nem Natasha entendeu bem. — Depois eu pergunto. O pior das anotações foram as descrições dos tais clientes, que ficaram no final. Ela anotou tudo, incluindo o tom de voz e o quão ruins eles eram. — Hm... tem vodka aqui, loiro? — Natasha foi quem me redespertou para a realidade. — Essa sua cara não está bem mesmo! — Ela torceu o rosto. — Deve ter cerveja, eu acho... Não sei. Fechei o caderno e respirei fundo. — Posso comprar — ofereci. — Depois eu trago, tudo bem. O que houve? — Clientes... — Meneei a cabeça. — Tentamos identificar depois. — Ela falou. — Algumas descrições são mais fáceis do que outras. Vou dar uma olhada pelos nomes das crianças, talvez nossa listinha de desaparecidos tenha eles. — Alguns são óbvios nativos de outras terras, isso vai me obrigar a ter, pelo menos, com os federais — arfei. — Vou ter que ir na base primeiro. — O lado bom é que federal você já é! — riu. — Só não sou policial, ‘né!? — Meneei a cabeça. — Eles vivem em cabo de guerra. FBI e CIA. Não soube de uma ocasião onde as Forças Armadas se envolveram... — Cabo de guerra... Tipo, conflito mesmo? — Disputando poder. Nem é novidade nas Forças. Nosso envolvimento nesse caso quase me dá certeza que estamos entrando na disputa. Uma merda! — Perigoso, não? — Ela soou apreensiva. — Muito mais perigoso do que posso imaginar. O ponto importante é: a quem interessa isso? — arfei. — Sou peixe muito pequeno para me envolver... — Tarde, ‘né, loiro?
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD