Capítulo 52. Comprando o Impossível

1000 Words
Stateline, Nevada — Até onde sei, os seguranças nem saem daquele lugar. — O preto deu de ombros. — Esquentou muito nos últimos dias. Enrijeceram o esquema lá dentro, mas o lado de fora continua igual. — Desértico? — perguntei e ele assentiu. Malcolm era uma figura única. Um preto lindo com seus trinta e alguns. Vivia andando pelas sombras do submundo, comprando e vendendo informação. — Mais interessada na Jaula? — Ele sorriu de canto de boca. — Sabe que o pessoal de lá é pesado! — Sim, soube da problemática por uma amiga e fiquei preocupada. Ela gosta dos garotos de lá, se me entende — sorri de canto de boca e ele assentiu. Estava numa das várias casas de strippers espalhadas na Estadual. Mas, não era uma qualquer. Parte do submundo da costa oeste se encontrava ali. Bastava esperar que, provavelmente, você acharia a pessoa que estava buscando no decorrer da noite — isto é, se as meninas não te embebedassem primeiro. — É bom manter certa distância. Alguns rumores falam do desaparecimento de uma funcionária. Ainda não sei se é verdadeiro, mas já estou buscando. — Como buscaria? — Sabia que não era uma pergunta que ele me responderia, mas ainda tentei. — Meus métodos, Ginger. — Tenho um cliente que quer aquele lugar no chão. — Fitei seus olhos. — Se tem qualquer contato que possa colaborar, eu ficaria muito feliz com a ajuda. — No chão!? — Ele riu alto. — Impossível! — Não é. Se são russos, estão longe o suficiente de casa para não ser impossível, bobo! — dei de ombros. — Rastrear o dinheiro é fácil, mas tem a branca. — Ela é uma carta difícil de tirar. — Ele arfou, arregalando os olhos. — Conheço um pouco — sorriu de canto de boca. — Só cinco mil. Pegar ou largar. — Você já foi melhor! — brinquei. — Fala. Peguei o telefone para iniciar a transferência enquanto ele contava o que sabia da branca. A história era a mesma e as únicas informações que valeram meus cinco mil dólares foram seus pontos na América. Seu negócio era única e exclusivamente o tráfico humano. Ela tinha mais duas casas de massagem, perto da costa, onde já se sabia que ela recebia mercadoria. Conhecer o modus operandi também foi útil. As mercadorias passavam pelas outras casas até chegar na Jaula de Veludo. As casas davam palco aos leilões e a mercadoria que não fosse arrematada seguiria à Jaula para continuar seu treinamento. As vítimas que chegavam aos dezenove com mínima sanidade deixavam a Jaula para ir aos outros estabelecimentos onde podiam rezar para ser vendidas ou seguir como escravas sexuais até o suicídio. Ele mostrou onde eram e até sinalizou aos locais vizinhos onde parte da segurança costumava ficar. — Valioso! — assenti com a cabeça, virando o telefone para ele. — Já está pago, meu lindo! — sorri. — Sempre aceito pagamentos alternativos. — Mordiscou o lábio, olhando meu decote. — Tenho uma formalidade a atender... preciso de companhia... — Já te paguei seus cinco mil. O que ganho? — Além da honra de estar ao meu lado? — riu. — Sim, além disso! — Acabei rindo também. — Soube que tem andado com o pobre coitado que foi traído. — Levantou uma sobrancelha. — A festa contará com muitos convidados relevantes. Obviamente, meu sorriso apagou rápido. — Acho que não entendi. — Meneei a cabeça. — Um cara muito sujo será promovido. Não sei o quanto o xerife conhece seu histórico. É gente ruïm, contato da branca supostamente... — Sem pausas dramáticas! — Fiquei apreensiva. — Dizem as más línguas que ele desconfia particularmente do traído. Não sei do que se trata, mas o jovem oficial parece estar construindo inimigos... — Quando é a tal formalidade? — Em quatro dias. Eu mando o carro! — sorriu. — Ótimo. Mostra quem é quando estivermos lá. — Hm... Ginger... Ciúmes? — gargalhou. Terminei a dose de uísque rápido para deixar o copo à mesa e me levantei. Ele continuou com aquele risinho debochado — digno de um tiro. Só saí para pegar a moto e parti. Obviamente, fiquei preocupada. Nem perguntei o nome do puto, mas nem faria diferença, afinal, eu não podia simplesmente caçá-lo. Na verdade, podia, mas não deveria ainda... Não precisei correr muito para ir ao bar no cantinho escuro, perto da casa do Lucas. Para minha surpresa, DG estava lá, tomando uma cerveja recostado. — Quem te viu, quem te vê! — Ele riu. De olhos pequenos, ele fedia a maconha. — Boa noite. O que faz aqui? — Olhei ao redor. Além do velho Joe, o bar estava vazio e sua postura muito relaxada só podia ser sinônimo de problema — eles sempre eram assim! — Ele não sabia se era só neurose ou não, então me chamou para dar uma olhada. Cuidar, sabe? — Foi uma resposta pouquíssimo esclarecedora. — Não, eu não sei! — Sentei ao seu lado. — A arlequina teve a sensação de ser seguida no dia. Preocupado, ele me chamou. Meus rapazes estão por aí, observando com maior atenção. — Entendo... Realmente foi? — perguntei. — Sim, foi. Um carro velho qualquer, tinha um único homem m*l-encarado pelo que conseguimos identificar. Ainda não achamos o homem ou o carro. — Que merda! — arfou. — Desde quando a coroa veio para cá? — Levantou uma sobrancelha e eu estranhei ainda mais. — Que coroa, DG? — A mãe dele. Eu vi zanzando no centro — deu de ombros. — Fiquei preocupado. Ele não falou comigo que tinha visita e a arlequina nem parece saber disso! — Putä merda! — Engoli seco. — Não sei... Faz sentido — assenti com a cabeça. — Sofia falou que tinha algo a ver com a mãe... desconfiava... Faz sentido. — Quer que eu apague? — Não faço ideia, DG. Deixa estar e a gente lida com a vagabunda se ela incomodar de alguma forma.
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