Capítulo 12. Preparando o Terreno

1028 Words
Summerlin, Las Vegas, Nevada Foi uma cansativa viagem de cinco horas de moto para cruzar metade da Califórnia e chegar no encontro com meu cliente, da filha perdida, a tempo. Mudei o ponto de encontro para minha conveniência. Precisaria pilotar por quase o mesmo tempo se nos encontrássemos em Los Angeles. Como sempre, ele escolheu o mais fino dos restaurantes — mesmo que estivéssemos no subúrbio. Obviamente, as pessoas nos viam como alienígenas. O lugar não era tão ruïm. Bastava viver em Vegas para ser contaminado por sua luxúria, isso tornava o ambiente desértico de classe média até jeitosinho. Walter foi o único nome que o cliente deu e eu apenas lhe entreguei o vulgo Ginger. Ele era um diretor de cinema qualquer, com sobrepeso e não tão alto. O cliente era calvo e sempre tinha aquele semblante melancólico de quem vivia um eterno luto. Seu segurança era muito mais m*l-encarado, apesar de não conseguir deixar de olhar para meu decote — o que já dizia muito sobre seu trabalho. — Para a sua felicidade, eu rastreei parte dos meus problemas com o caso da sua filha e tentarei lidar, mas isso tomará mais tempo — sorri-lhe. — Precisa de algo? — Ele foi direto ao ponto. — Quero que esteja atento, senhor. Não preciso agora, mas posso precisar da sua influência. As pessoas que estão com ela são muito conectadas... — Quanto? — Levantou uma sobrancelha. — Dos agentes identificados com os quais eu lidei, conectadas ao ponto de a polícia achar o corpo da sua filha e dizerem que morreu com golpes de rosas. O segurança levou a mão à arma e eu só ri. — Estarei alerta. Qual o motivo da mudança no nosso ponto de encontro? — Ele olhou pelo restaurante vazio, realmente parecendo curioso com o lugar. — Pode ser que já precise usar sua influência daqui. Hoje eu vou agir para buscar alguns dos rostos que eu soube estarem comprometidos... — Entendo. Conte comigo! — Ele só assentiu. — Com essa mudança nos ventos, senhor, eu te garanto que as coisas vão realmente melhorar! — sorri-lhe, tentando ao menos lhe deixar mais otimista. Não que houvesse homem mais otimista que ele no mundo. O homem já buscava pela filha incessantemente há alguns anos. Nem dormia direito. Felizmente, conseguiu ficar podre de rico antes disso, o que lhe permitia apenas não pegar serviço algum, completamente focado em achá-la. Eu sabia da localização, mas nunca comentei com ele sobre isso. Afinal, isso poderia custar a vida de pai e filha — longe de mim estragar aquela família. — Vinho? — O homem ofereceu. Apenas lhe sorri, estendendo a taça. Olhei para o segurança e a mão na arma, mas Walter gesticulou para que o homem relaxasse em sua postura. Tomamos as duas taças de vinho de sempre e eu tornei a lhe sorrir para me levantar e sair. O ponto de encontro com Levi era um restaurante. Tonopah era uma região esquecida de Nevada. Muitos americanos nem saberiam daquele lugar, simplesmente por ser ermo e irrelevante demais. Ficava no meio-termo, entre Stateline e Las Vegas, claro, ambas deviam estar a cerca de três horas e meia de distância daquele pequeno fim de mundo. Pouco trabalhei ali, mas não me importei muito com a minha chegada. O restaurante eu já conhecia e os funcionários ainda se lembravam da minha cara. Era inevitável e nem me incomodei com isso. O lado bom é que sempre me rendia descontos e cidades pequenas sempre tinham gente bonita escondida. Infelizmente, eu vestia um catsuit que me fazia sentir um calor infernal. O decote era bem ousado, claro, mas só ele não era suficiente para ajudar. Cuidei da hidratação e comi com uma paciência, digna de Jó. Antes de sair, o loiro avisou por mensagem. Já tinha lidado com reservas num hotel em Vegas, na bordinha de Summerlin, para ser bem discreta, mas ainda ter acesso a algo relativamente bom. Do momento em que ele mandou a mensagem até eu ver o loiro entrando foram cerca de quatro horas. Ele sorriu para mim, quase fez as virgens do lugar desmaiarem ao se aproximar. Seria realmente difícil lidar com aqueles dentes perfeitos naquela idade. — Tivemos problemas? — perguntei, observando o olhar azul, que estava carregando de uma violência bem passiva que eu já conhecia. — Nada muito grande! — suspirou. — Podemos ir? Veio de carro? — Levantei. — Paguei um táxi. Imaginei que estaria de moto e não tem condição de deixar um carro tão longe para o meu pai enviar alguém para buscar — deu de ombros. — Estou considerando comprar uma moto... — É uma ótima ideia! — sorri largo. — Só tem que pegar aquelas bem monstronas para causar um impacto ainda maior quando você passar — brinquei. Levi riu, meneando a cabeça e seguimos à moto. Não tinha capacete extra, então compramos num posto de gasolina, em meio ao nada, de um homem aleatório. — Para ficar claro, hoje você é meu parceiro — falei, olhando-o. — Estaremos no mesmo quarto de hotel e eu vou te tarar de leve... não vou exagerar! — Não sou a melhor pessoa do mundo para passar por esse tipo de infiltração no momento, ruiva. — É o único com quem posso contar agora. Já vai se preparando mentalmente. Pode tirar um tempo para uma punheta no hotel, não vou zoar você! Relaxa. Já era esperado que ele silenciasse ao lidar com um assunto desses comigo, mas eu precisava falar e ainda fui boazinha ao calar após o desconforto. Seguimos à viagem ao hotel e eu já estava esfomeada ao chegar. Deixei nossa roupa da noite separada — já imaginando que ele não lembraria. — Pode experimentar o smoking, ainda é possível trocar — falei, apontando ao local onde estava. — O quarto já me é um velho conhecido... relaxe! — sorri. Ele me olhou desconfiado, mas assentiu e arfou, indo até o smoking, pegando-o e indo ao banheiro. Já pedi uma refeição generosa na recepção e comecei a me mover para tirar as armas da moto, a maquiagem e os perfumes... Foi um trabalho e tanto!
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD