Lake Valley, South Lake Tahoe, CA
Foi um bom dia — talvez o melhor desde os trinta.
Só me dediquei a cuidar de mim, sem hora para parar — os efeitos de uma boa fodä podem ser incríveis!
Fiz meus exercícios, tive refeições regulares. Só fiquei livre às duas e já me vesti para tomar um táxi.
Não fui muito exigente com o vestido, pensando em parecer uma dondoca indefesa para os policiais.
O taxista era um conhecido, papeamos até o caminho à delegacia, que ficava no meio do mato.
O quarteirão tinha a igreja, as lojas, um colégio de aborrecentes, muito mato e instalações policiais que seguiam mato adentro até o presídio e mais mato.
Com minhas vontades escusas, pedi para ser deixada na porta da igreja para tomar um cafezinho — a cafeteria onde Lindsay trabalhava era justamente ali.
Mantive os óculos escuros enquanto sentada de pernas cruzadas no balcão. Só abaixei um pouco para olhar para os rapazes — que sorriam bem largo.
A loira sempre me odiou, não poupava esforços ao me fuzilar com o olhar e cochichar com as amigas.
Era amável visitar aquela cafeteria.
Fazia um tempo que não a via e ela não mudou muito. Até ganhou algum corpo depois de ter o menino, mas nada que realmente a tornasse irreconhecível.
Com as meninas se recusando a me atender, um dos rapazes se aproximou. Jovem, parecia novo, talvez estivesse chegando na faculdade naquele momento.
— Obrigada! — sorri-lhe, fitando seus olhos.
— D-de... nada! — falou apressadamente. — F-fui eu que fiz. Então... está tudo bem com o café! — sorriu.
Ele pôs o copo à mesa e eu lhe fiz uma carícia na mão. Tirei rápido para fingir um acidente e lhe falei:
— É muito gentil. Desculpa!
Todo bobo, ele saiu e eu também para evitar mais alvoroço, afinal, era um ponto com policiais demais.
Não esperava encontrar o colombiano, mas o destino me sorriu e ele estava na frente da delegacia.
Fardado, estava obviamente de serviço.
Eu me aproximei para parar à sua frente, tirei os óculos para fitar seus olhos com meu semblante mais decepcionado possível. Ele se estremeceu todo.
Só suspirei e abaixei a cabeça para ir ao interior da delegacia. Muitos policiais já me conheciam, dadas as coincidências que me levavam a cenas de crimes.
Conhecia um capitão da cidade. Era um homem bom, safado demais, mas muito bem-intencionado.
Bakie era seu apelido e nunca soube o porquê, só chamava da mesma forma e pedi para vê-lo no balcão.
Ele era um coroa inteiro. Mantinha a boa forma, apesar dos péssimos hábitos — era um ótimo gene!
— O capitão irá recebê-la. — O jovem me disse.
Sorri, deixando-o me guiar à sala de Bakie. Ao chegar, o jovem abriu a porta e prestou continência. Bakie o dispensou e se aproximou para fechar a porta.
— Boa tarde, Bakie — sorri-lhe.
Ele adorava meu sotaque, então eu forçava.
— Quanto tempo, Ginger! — Após fechar a porta, se aproximou para colar o corpo no meu. — Saudade.
— Feliz? — brinquei ao sentir o volume.
— Sempre. — Beijou meu pescoço. — Como posso ajudar hoje? — perguntou, envolvendo minha cintura.
Sempre tentava acessar as distantes memórias dos toques de Lucas para conseguir arrepiar para os outros, mas fui surpreendida ao lembrar de Levi.
Funcionou. Foi estranho, mas só entendi que, por ser uma memória tão recente, não tinha como diferir.
Seguimos como numa valsa até ele me colocar de quatro, apoiada na mesa. Deixei o cabelo cair de lado para sorrir de canto de boca enquanto o olhando.
A melhor forma de falar com ele era após uma fodä — isso o tornava menos desconfiado, mais fácil.
O lado bom de ser escondido era não precisar fingir nenhum gemido. Não que ele não conseguisse socar gostoso, mas fazia tão bem quanto meu vibrador.
Era sempre seco na forma de tentar se satisfazer e isso nunca era realmente satisfatório para mim.
Bakie sempre agarrava minha bundä com força para abrir e gozar fora, sempre observava escorrer — um grande safado que tinha pavor de pedir sexo anal.
Após se acabar, esfregou o membrö no buraco menor, recuperando o fôlego, mas o agitou e guardou.
— Saudade — ri, virando em sua direção para fitar seus olhos. — Deve fazer bastante tempo mesmo...
Respirei fundo e ele me ajudou a sentar.
— No que posso ajudar, cidadã? — perguntou, dando a volta na mesa para sentar em seu lugar.
— Algo que alguém que me importo muito viveu algo há pouco do qual eu gostaria de ser esclarecida.
Ele franziu o cenho, levantando a sobrancelha.
— Um novo oficial foi admitido — resumi.
— Hm... o que teve um bate-boca com o alemão — deu de ombros. — Problemas de ex-noivo e ex-amigo...
— Sei, mas ouvi um rumor de um crime horrível! — falei com tristeza. — Fiquei mexida, por isso vim.
— A tentativa de homicídio — falou. — A hipótese de autoria de Rodrigues não vai longe, não se sustenta.
— Entendo... — O suspiro de alívio foi de verdade.
— Apesar da confusão no escritório do sargento, o jovem pareceu equilibrado. O currículo é perfeito!
— O problema é que ela tem um filho do alemão — arfei. — Não sei se ela poderia... influenciar nisso...
— Não pode. — Soou confiante. — O alemão não está envolvido. Pode se informar, claro, mas é só isso.
— Coração é terra que ninguém pisa! — retruquei.
— Sei disso! — riu. — Há muita cautela envolvida por se tratar de um recém-nascido, mas ficarei atento.
— Obrigada! — sorri-lhe. — É um bom garoto.
— Filho do seu amigo, não!? — Soou retórico.
— Dos meus amigos do Brasil — reparei.
— É louvável que se defendam tão bem — sorriu.
— Sempre cuido dos meus — sorri de canto de boca, fitando seus olhos. — É importante. — Levantei.
Ele arfou quando me aproximei e me acariciou.
— Pronto para outra? — sorri-lhe e ele afastou a cadeira da mesa. — Vou te dar um agrado gostoso...
Ajoelhei entre suas pernas e ele apenas segurou nos braços da cadeira para observar eu abrir o zíper.
— É por você ser muito bom comigo...
Ele enlaçou as mãos em meu cabelo e voltei meu empenho ao agrado de despedida do policial tarado.