Capítulo 10. Casto

1057 Words
Lake Valley, South Lake Tahoe, CA Foi uma boa refeição. Tentei ajudar para ele não se acanhar, mas era incrível como era calorento, não tardando para deixar a parte de cima do roupão cair. — Podemos usar sua folga — sugeri. — São três? — Sim. Sábado, domingo e segunda — assentiu. — O que tem em mente? Não pode ser problemático... — Problemático, não garanto. Mas tem um evento amanhã à noite. É uma festinha de um mafiosinho qualquer. Consigo sua entrada para você ver o povo. — Odeio o ambiente, mas gosto da ideia — sorriu. — Sempre tem muita gente que dá mole ao frequentar esse tipo de lugar. Eu nos consigo um ponto bom e você pode fazer sua observação à vontade. — Tudo bem. Só preciso ir em casa. Não tenho nada muito decente para vestir. — Ele riu. — Não que qualquer uma das minhas roupas seja realmente. — Ah, não seja mäl. Veste qualquer uma que os braços vão fazer o trabalho de se exibir por você — impliquei e ele acabou olhando os braços. — Bobinho! Terminamos a refeição e seguimos ao asseio. Soltei o cabelo de novo enquanto seguia com Levi de volta para a sala. Ele foi direto ao seu telefone. — Quantas vezes ela já ligou? — ri. — Vinte. Nem consegui ficar para ajudar a levar o garoto. — Meneou a cabeça, parecendo sentir culpa. — Incrível como é bonzinho. Ela nunca te mereceu de verdade. — Eu me joguei no sofá para olhá-lo. — Tem que tomar cuidado daqui para frente, loiro. — Sempre me cuido! — Ele deu de ombros. — Sério, loiro. Não deixa essa porrä mexer muito com a sua cabeça. Conheço desilusão e sei que é fodä! — Vou me esforçar mais, ruiva. É o que dá! — Ele suspirou, digitando no telefone. — Não será simples, mas ela escolheu por nós dois... Não posso fazer nada. — É a parte ruïm dos relacionamentos — dei de ombros. — Exige muito mais responsabilidade do que as pessoas costumam saber ou até ligar. É fodä! — Por isso nunca casou? — Levi terminou o que fazia no telefone e o deixou sobre o armário para se aproximar, sentando ao chão e recostando no sofá. — Também. Tentei, mas não achei ninguém que despertasse essa vontade! — menti, claro. — Olha que eu ainda tentei com homens e mulheres. Só não deu! — Casando, precisaria mudar de vida... Deixar o trabalho ou ter sorte de encontrar alguém tolerante. — Pff... difícil! — gargalhei. — Eu até entendo que precisaria mudar de vida, nesse caso. Mesmo que alguém se mostre tolerante, não duraria para sempre... Voltei a enlaçar os dedos nos finos e pequenos fios loiros para acariciar enquanto olhando para o teto. Ele riu, talvez do que pensou e o silêncio voltou para nos assombrar. Lucas voltou aos meus pensamentos. Abusado, nem pedia permissão para isso. — Ruiva? — A voz de Levi chegou me confundir. Voltando à realidade, olhei na direção para me ver fitada pelo olhar azul, herdado do homem que me tirou a capacidade de raciocínio por instantes. “Não, não...”, meneei a cabeça. “Seria uma cretina se fizesse isso!”, me repreendi, voltando a olhar o teto. — Não é nada — falei. — Tudo bem... Isso é cara de apaixonada — riu. — Confia em mim. Na prisão, tudo era metálico e essa era a cara que eu sempre tinha após sonhar acordado. Acabei rindo e nada comentei. — Estava pensando em só focar no trabalho. Deixar isso tudo para lá, sabe!? — falou. — Talvez buscar ajuda médica poderia ajudar... não sei — suspirou. — É bom. Seu pai lutou contra um vício que ele desenvolveu principalmente como consequência de violência, abusos e intervenção medicamentosa. — Eita! — Soou surpreso. — Q-quando? — Começou na infância, mas as consequências vieram na pré-adolescência... perduraram por anos! Até hoje, os hábitos de Lucas são diferentes por causa disso. — Nossa! — engoliu seco. — Viciado? — Sim, ninfomaníaco — ri com a velocidade com a qual ele me olhou. — A condição hipersexual não era só psicológica, mas piorava com a disfunção hormonal. — Tenso! — Ele riu. — Nem consigo imaginar... Sei que não sofro disso, já estou sobrevivendo há quase dois anos sem sexo... está tudo bem por enquanto. — ‘Tá amarrado, loiro! — ri alto. — Se eu fico esse tempo todo sem transär, meu peito provavelmente cai. Acabamos rindo bastante. — Olha que é levemente siliconado, mas cai! — Ah, isso é exagero! — Ele riu. — Menino, dois anos? Você tem vinte e um, sabia? — Sim, eu sei a minha idade! — Revirou o olhar para falar o óbvio. — É a vida, ‘né!? — Ele deu de ombros. — Já avisei aos seus pais sobre o carro, tudo bem? Enquanto você dormia mais cedo, mandei mensagem para avisar que estaria comigo. — Estava mandando mensagem para a mãe antes — falou. — Talvez eu vá até o apartamento amanhã, arrancar tudo que é dela da minha casa! — Você tinha um carro, ‘né!? — O pai sugeriu vender e eu concordei. Posso pegar outro. Talvez um conversível — ri. — É bem praiano e combina com minha idade, ‘né!? — Empolgado como um morto! — impliquei. — Sei lá. O último carro já foi pensado em caso de gravidez surpresa. Nunca fui muito disciplinado, carregando camisinha comigo, sabe? — Menino, que perigoso! — alertei. — Nunca deixei de usar. Comprava pacotes para deixar onde a gente costumava transär — riu com certa nostalgia. — Isto é, quando ela deixava, ‘né!? — A loira era ruïm, ‘né!? — gargalhei e ele acabou silenciando, mesmo virando o rosto foi possível ver que ele estava começando a avermelhar pela timidez. — Não tenho muito parâmetro, ‘né!? — deu de ombros. — Ela foi a única mulher que eu tive. Não era insatisfatório, nem satisfatório, sabe como é? — Isso, com certeza! É aquele negócio mais ou menos. Você consegue curtir os hormônios e a euforia, mas ainda parece faltar algo no final... Como sei! — É estranho, eu sei... mas ainda assim eu amei muito! — A melancolia retornou. — Porrä, amei...
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD